Piteco – Ingá (Shiko)

HQs terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Pithecanthropus Erectus da Silva, popularmente conhecido como Piteco, foi criado em 1963 por Maurício de Souza e suas primeiras histórias eram publicadas no formato de tiras em um jornal da cidade de Bauru. De todos os personagens que acompanham a Turma da Mônica, Piteco, ao lado de Penadinho e Astronauta, é um dos meus favoritos. Então quando soube que ele ganharia uma versão Graphic MSP pelas mãos do artista paraibano Shiko (Três Buracos, Carniça e a Blindagem Mística), na época ainda não muito conhecido entre os fãs de quadrinhos, eu fiquei bastante empolgado e quando finalmente coloquei as mãos na HQ não me decepcionei nem um pouco.

Piteco – Ingá recebe esse nome por causa da Pedra do Ingá, que fica no estado da Paraíba, mais precisamente na cidade de Ingá, e é um monumento histórico que possui gravuras feitas por uma cultura extinta a mais de 2 mil anos. Na HQ, essas gravuras representam uma profecia da época em que as tribos dos Homens Tigre, do Povo de Ur e da Aldeia de Lem ainda eram um único povo unido e forte, e possui instruções sobre a jornada para uma nova área após a seca do rio que alimenta a Aldeia de Lem.

Uma das principais mudanças da HQ é no relacionamento entre Piteco e Thuga, que nos quadrinhos originais, por serem mais infantis, resume-se a uma obsessão de Thuga que acaba colocando Piteco em situações cômicas e desconfortáveis, mas aqui é explorado de forma diferente, ao mesmo tempo que mantém a ideia original. Piteco e Thuga ainda tem um relacionamento estranho, com Piteco fugindo das investidas dela, mas de uma forma bem menos exagerada, passando a sensação de que eles tem alguma coisa, mas Piteco não quer se envolver. Isso muda quando Thuga, que é a xamã da tribo, é sequestrada pelos Homens Tigre, e Piteco, Beleléu e Ogra partem para o resgate, enfrentando ameaças deste e do outro mundo e descobrindo uma mentira que há muito tempo separou a grande tribo.

Outro ponto alto é que Shiko, que não somente escreveu, desenhou e coloriu incrivelmente a HQ, além de reimaginar Piteco e sua turma, também reimaginou de forma fantástica grandes personagens do folclore brasileiro, como M-Buantan (Boitatá) e Arapó-Paco (Caipora), mostrando que não é preciso buscar em outros lugares elementos pra contar um bela história brasileira de fantasia.

O projeto Graphic MSP tornou-se, pelo menos pra mim, garantia de uma ótima leitura mesmo em suas edições aquém das expectativas. Louco – Fuga, Penadinho – Vida, Turma da Mônica – Lições, Tina – Respeito, Jeremias – Pele, entre outros, são obras tão bonitas e importantes quanto o que costumamos chamar de “clássicos” das editoras gringas. Uma pena que não olhemos pros quadrinhos nacionais como olhamos para os gringos. Por isso que, como um projeto que nasceu em 2012 e vem lutando pra mostrar pro público brasileiro que quadrinhos não são apenas coisa de criança, eu espero que o Graphic MSP tenha uma longa vida e continue nos trazendo grandes histórias todos os anos.

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