Pirataria nos games. Passando a régua.

Nerd-O-Matic quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Como prometido no post anterior, volto á carga sobre o assunto pirataria. Dessa vez tentando aprofundar um pouco mais a discussão, discutindo alguns argumentos espetaculares que apareceram nos comentários. Como eu disse no começo do primeiro post, a idéia era que ficássemos menos burros coletivamente, e fico feliz de ver que isso pôde ser realizado. Embora eu não tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre o assunto, creio que li o suficiente para mudar parte das minhas opiniões e realmente dar alguns passos adiante na avaliação do fenômeno pirataria.

Gostaria de compartilhar isso com vocês. Portanto, vamos ver algumas coisas que rolaram nos comentários, tanto do Ato ou Efeito como do Gamehall. Eu não quis fazer uma coisa superficial, apenas repetindo os comentários dos leitores. Acho importante transformar isso em uma discussão mesmo. Sendo assim, sou obrigado a dividir o post em duas partes, devido ao tamanho do texto. Acho que seria pior cortar o texto ou eliminar comentários. Se é pra discutir, melhor discutir direito.

scrooge.jpg
Tio Patinhas não quer que você utilize produtos piratas.

Uma das coisas mais legais de ter comentários nesse tipo de post, é que sempre surgem informações que a gente não tinha se dado conta:

Jonh B. God disse:

Do lado do consumidor, a pirataria PODE ser vista como o uso não remunerado, porque o que você compra NÃO É o jogo, e sim uma licença para usar ele. Logo, quando você usa ele sem pagar pela licença você ESTÍ usando ilegalmente.

Esse foi um esclarecimento interessante do John, que me fez pensar no seguinte:

Será que só eu acho esse negócio de pagar pela licença ESQUISITO PRA CACETE? Não é uma coisa totalmente fdp você comprar uma parada e não possuir ela, e ainda ter pouquíssimos direitos sobre a parte ínfima que você possui? Tipo, você vai lá, compra o jogo (ou a licença, como o John disse) e não pode fazer praticamente nada com o que você comprou, só jogar. Alguns softwares, como o Windows, nem permitem mais de uma ou duas instalações. Você não pode emprestar, não pode copiar, não pode reproduzir publicamente, não pode revender, não pode nem olhar torto, senão está infringindo a lei. E, se a gente está só comprando uma licença limitada e temporária, não deveria ser MUITO mais barato o preço dessa licença?

O que, evidentemente, levanta a questão de por que os jogos são tão caros. Já sabemos que a carga tributária ferra as empresas no Brasil, mas por que isso atingiria só a indústria de games? Alucard fez uma abordagem muito lúcida:

Alucard disse:

Se empresas como Sony, Nintendo e Microsoft não querem pirataria no Brasil, deviam investir mais aqui e esquecer um pouco Japão, Europa e EUA. Não apenas investir, mas tentar acordos com o governo brasileiro para abaixar os impostos.
Se Tec Toy e Playtronic conseguiram obter lucro aqui vendendo material original da Sega e Nintendo durante um tempo, porque hoje também não conseguiriam?

E logicamente, a demanda por games não diminui entre a população só porque não tem ninguém no país para distribuir oficialmente o que nós queremos jogar. É ai que a pirataria entra:

roger561 disse:

Até o dia em que esses impostos ridículos forem reduzidos, quanto a usar um produto pirata no seu aparelho, eu acho até certo enquanto você não revenda. Para uso próprio você não chega a “ferrar tanto com a empresa”. Mas quando tu começa a reproduzir pra lucrar, aí sim você esta infringindo uma regra de comércio, você esta ganhando sobre o que a empresa poderia estar lucrando.

Um argumento coerente do roger, que deixa clara a diferença entre o camelô e o usuário particular, aquele que baixa e usa em casa. Sobre esse assunto, a Letícia colocou um ponto interessante para discutir a questão de pirataria como “crime”, onde alguém obtém lucro financeiro em cima do trabalho alheio:

Letícia disse:

Agora, no caso da internet… quem lucra com downloads feitos? Se tem alguém lucrando, me fala que eu não sei… A não ser quem baixa né, o público, para quem as coisas são feitas.

E veja a diferença entre os dois tipos de “lucro”. O cara que baixa o arquivo não “lucra” nada, ele não ganha dinheiro dos outros para isso. Ele apenas deixa de gastar o próprio dinheiro; isso não é “lucro”, em termos econômicos. Quem “lucra” é o camelô que vende o produto pirata na rua. Tornando a discussão ainda mais extrema:

Bhuda disse:

Quem nunca gravou um filme da tv com o videocassete? Isso é também é roubo? Então por que fazem videocassetes?

A mesma lógica que eu aplico ao uso das fitas cassetes, no post anterior. Elas não acabaram com a indústria fonográfica, e nem se pode culpar os gravadores de fitas (assim como não se pode culpar os gravadores de cd’s e dvd’s) pelas perdas da indústria de software. Aliás, sobre as “perdas” sofridas pela indústria:

Vishedo disse:

O que eu pergunto é: revistas como EGM e Super Dicas Playstation não aceitam pirataria, falam mal do que é a pirataria, que prejudica o mercado etc.

É óBVIO que prejudica o mercado.

Mas que mercado? Existe isso no Brasil ?

Uma pergunta relevante essa do Vishedo; se a Sony não considera o Brasil como mercado para games, me digam O QUÊ eles estão perdendo quando a gente usa produtos piratas aqui? Suponha que você é uma distribuidora de qualquer produto: como você pode perder alguma coisa em um mercado que não existe para você? Como você pode perder algo em um mercado onde você não vende nada? De certa forma, não é possível dizer que a Sony GANHA com a pirataria no Brasil? Como a gente conheceria o que a empresa faz no ramo de games? Importando tudo?

E mesmo pensando no caso da Nintendo, que tem representação no Brasil, será que ela é tão prejudicada assim pela pirataria?

roger561 disse:

Agora me diz: por que vende tanto NINTENDO DS aqui no BRASIL? Justamente porque existe a possibilidade de se colocar um FLASHCARD nele que permite você jogar games piratas. Agora exclui os FLASHCARDs do MERCADO e vê se vai vender a mesma quantia de NINTENDO DS que se vende hoje? Entende, perde-se de um lado mas ganha-se de outro.

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Para mim isso faz sentido. Gostaria de ouvir uma contra-argumentação a respeito, pois me parece a mesma lógica que derrubou a argumentação de que as fitas cassetes acabariam com as bandas e gravadoras. Náo sei se vocês sabem, mas a Nintendo conseguiu a PROEZA de finalmente ganhar dinheiro vendendo os consoles (Wii e Nintendo DS), coisa que não acontece com Sony e Microsoft, que efetivamente perdem dinheiro a cada unidade produzida, pois vendem abaixo do preço de custo. Se a Nintendo lucra também na venda das unidades, não é certo dizer que a pirataria dos games ajuda a Nintendo a ganhar mais?

No próximo post: mais comentários e o fim da discussão.

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • NM

    A sony também vende cds virgens, estão lucrando ai com a pirataria.

  • É,pirataria no Brasil,é o que há.Só ver…Tropa de Elite saiu nos camelo antes do que no cinema…
    Eu baixo jogo veiu.Prefiro baixa do que por R$15 na mão do nego,alem de so enriquece a pirataria.
    Entre baixa e fica um ano com um jogo,eu baixo ne?

    Mas uma coisa eu tenho certeza,se queremos que a Sony e o resto venha para o Brasil,Pô Lula,isenta os impostos aee!!Seria muito justo a gente paga o que o produto realmente é,uma licença,não paga R$150 para não ter nossos direitos…

    Mas o Governo so suga no dindin…é melhor comer do que passar fome por causa que eu comprei um jogo “legal”…

    abraços
    =]

  • atillah

    Não tinha pensado nas mídias virgens. É verdade, NM.

  • pensa bem… a pirataria esta mais facil a cada dia,mas tambem esta cada vez mais foda.

    Com a acessibilidade aos materias pra clonagem e a facilidade,e facil eu gravar um CD do Ghost recon e sair vendendo. a simplicidade e a facilidade ajudam muito por esse lado.

    Mas por outro lado,fika foda copiar a tecnologia cada veiz mais avançada e codificada,dificultando a ação desse caras,sacado??

  • Só para citar:

    Letícia disse:

    Agora, no caso da internet… quem lucra com downloads feitos? Se tem alguém lucrando, me fala que eu não sei… A não ser quem baixa né, o público, para quem as coisas são feitas.

    O que vocês dois não observaram, é que ainda existe um outro lucro ainda. Quem vai lá baixar, dá uma pequena contribuição (fração de centavos) em publicidade para o site, que mantem ele vivo pagando o servidor. Em sua grande maioria, sites de torrent, ed2k, DDL são um círculo vicioso, que depende de nós usuários para continuar funcioando, é algo assim. Ah sim, sem falar que também estamos alimentando a “corporação telecomunicação” que existe no Brasil, pois precisamos de banda-larga para fazer download dos jogos, daí contrata-se serviço de maior velocidade. Muitos de nós gostartiam de gastar essa velocidade num YT, ou em live-streaming, enfim tem um zilhão de coisas para se gastar a conexão. Mas deixamos algumas horas sendo gastas em prol de conseguir um jogo. Quando o camelo entra nessa jogada, ele continua alimentando o circulo, só que ele começa a criar um outro circulo vicioso, que é daquele cara que não quer fazer o download, quer o jogo e não quer pagar por ele…enfim, cada coisa vista de um ponto gera alguma reação, a qual gera dinheiro sempre =\

    E concordo com o comentário do colega. O consumidor final não ferra tanto o produtor. Até porque, ele não esta preocupado em ganhar dinheiro, distrbuir etc. O consumidor final quer jogar o jogo sem pagar, e dizer que tem o pinto maior porque ele não tem de pagar, e a maioria tem. Coisa do tipo.

  • C

    Só que as coisas não funcionam bem assim. O PS3 por exemplo, a Sony morre com uma grana pra cada um que é comprado. Como eles recuperam esse dinheiro? Vendendo jogos.

    Se vc não compra jogos, a Sony tomou uma bela facada no cu com vc. O mesmo vale a microsoft.

    E muito se falou de “idéia”, mas o que o que vc compra (ou baixa) não é um “material intelectual abstrato”. Vc não baixa uma “idéia”, vc baixa um jogo que levou quase uma centena de pessoas empregadas, pessoas que recebem salarios, salarios que custam dinheiro que a empresa espera recuperar vendendo unidades.

    Uma idéia seria se vc baixasse a conversa de criação da equipe, vc baixou um produto final feito por pessoas remuneradas.

    Pirataria é errado por qualquer angulo que se olhe.
    Só que a gente não liga. É a lei de Gerson, q q tem? não começou agora no brasil e não é videogame ou musica que vai mudar isso.

    A gente (eu incluso) é ladrãozinho e dorme bem com isso. C’est la vie.

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