Paralelo: 1984 (George Orwell) x Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley)

Livros quarta-feira, 06 de abril de 2011

Sabe qual a coisa mais legal de fazer uma comparação entre duas coisas? Bom, primeiro você já analisa duas obras de uma vez só, e segundo, escolhe quais pontos das duas se adaptam mais a algum de seus conceitos. Eu ando gostando de fazer comparações, viu. Aqui no Bacon, já teve A Felicidade Não se Compra x Clube da Luta e Mr. Holmes x Dr. House. Agora, eu decidi analisar alguma coisa que tenha mais a ver com política. Nada melhor, então, que duas das obras de ficção literárias com maior envolvimento político da história.

1984 (Nineteen Eight Four) é uma ficção escrita pelo inglês George Orwell em 1948, sendo uma projeção do que seria o mundo em um futuro próximo. Nesse mundo, o uma espécie de “ditadura oculta” é instalada pelo estado, que chega quase a controlar o pensamento de toda a população, através de vigia intensa e rígidos padrões de comportamento por eles exigidos, mas tão bem manipulados que quase ninguém se dá conta desse controle. Ou seja, um verdadeiro regime totalitário, tal como foi o nazismo, o fascismo e o comunismo, que ainda eram bastante influentes em 1948, ano da primeira publicação da obra.

O livro de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo (Brave New World), por sua vez, foi escrito em 1932, e também era um esboço hipotético de uma sociedade futura. Paradoxalmente ao livro de Orwell, a sociedade proposta por Huxley era estruturada sob os pilares da liberdade individual, onde não há casamento, maternidade e paternidade, fazendo com que não hajam laços emocionais entre as pessoas.

Mas o ponto que eu quero chegar não é discutir o enredo dos dois livros. O interessante é comparar as ideologias dos governos propostos nos livros para o mundo de hoje. Através dos quadrinhos abaixo, acho que dá pra fazer uma comparação legal e o texto não ficar muito longo, já que se for abordar a fundo, é assunto pra caralho.

 Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência
 Qual será pior, hein?
 Olha a Globo aí, gente

E aí, qual dos dois o mundo atual mais se parece, hein?

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  • Gabriel

    >um verdadeiro regime totalitário, tal como foi o nazismo, o fascismo e o COMUNISMO

    lol wut?

    @texto: cara, na minha visão orwell em 1984 nos dá a sintese do pensamento proletário sobre o mundo comunista nos países ricos (ou seja, comunas = fascistas, lawl), enquanto huxley nos traz o ultraliberalismo nu e cru e suas consequencias sociais e intelectuais.

    ambos bons livros e tão recomendados quanto O Príncipe.

  • Toninho Do Diabo

    Acho que os dois livros se completam. Se observarmos o mundo de hoje, parece que caminhamos para um sistema que é a mistura do que os dois livros abordaram.

    Um controle total das pessoas que as empurra a serem cada vez mais induvidualistas, sem sentimentos, sem planejamento, sem futuro.

  • Arthur

    Achei o paralelo entre os livros bem interessante. Li os dois a um bom tempo e em épocas diferentes. Mas acredito que faltou comparar dois pontos interessantes dos livros onde há pontos de convergência, principalmente no que diz respeito ao controle e aos protagosnitas. Se bem me lembro, no admirável mundo novo, apesar de retratar uma sociedade que não se prende afetivamente com nada, onde a lógica é a do consumo e do prazer, o individualismo como doutrina é destorcido por por um fato importante: as pessoas não possuem escolha de não serem daquele jeito, pois são desde o nascimento condicionados a tal vivência. Esse condicionamento é absoluto e tira deles qualquer poder de escolha, o que é, segundo o liberalismo (onde o individualismo é mais forte), inaceitável, por ser a liberdade o bem mais importante para o indivíduo. Pode-se pensar então que as pessoas são impedidas a priori de terem liberdade. Portanto por mais “desprendidos” dos laços sociais comuns, os sujeitos não são livres de verdade, portanto não há individualismo.
    No 1984 o controle se dá de maneira diferente, pois está imbuido na ideologia de Estado, principalmente as formas de controle são difundidas pela propaganda e pela eliminação de informação. Passagens do livro contam como há cada vez menos palavras na língua falada, diminuindo as possibilidades de expressar. A vigília sistemática da teletela é apenas um instrumento para checar se há revoltas ou dúvidas sobre o sistema, sendo apenas uma medida de contenção, para que não haja danos na ideologia.
    Acredito que apesar de totalmente diferentes, ambos os regimes são ditatoriais, pois retiram do indivíduo o poder de decidir, seja através do condicionamento explicito ou do implícito. E eu nem preciso entrar na questão hierárquica fortemente apresentada nos dois livros.

    Quanto aos protagonistas, a semelhança é interessante. Enquanto o de Admirável mundo Novo é um estranho ao modo de viver da nova sociedade em que ele se insere, o outro (do 1984)está bem familiarizado com a situação, chegando até mesmo a duvidadar das suas duvidas com relação a validade ou não do modo de viver sua sociedade. Ambos caem por não conseguirem viver da maneira como a sociedade em que vivem ou passam a viver pregam. Ou seja, os personagens apresentam a questão da insatisfação e da dúvida, mesmo que de maneiras bem distintas.

    Bom o comentário é longo, ninguém vai ler mesmo…

  • @Arthur

    Eu entendo que a liberdade não é a principal ideologia do liberalismo. A principal ideologia do liberalismo é SENSAÇÃO de liberdade.

    A liberdade real pode quebrar os Status Quo.

  • Lionheart

    Eu li seu comentário Arthur, ahá!

    Não li os dois, apenas o Admirável Mundo Novo e sua continuação: De Volta ao Admirável Mundo NOvo.

    E gostei da análise que vcs fizeram sobre este livro, me refrescou a mente, posto que faz mais de 7 anos q os li.

  • Muito boa a análise feita pela tira e realmente se for abordar a fundo, é assunto pra caralho.

    Seria muito bom se mais pessoas vissem e/ou lessem esses livros

  • Guilherme Delarmelindo

    Concordo! A internet cumpre os dois papéis. Ela nos dá novas informações a cada minuto e também nos oferece toda a liberdade. Dessa forma nunca conseguimos parar pra pensar em nada e terminamos sempre sem um objetivo, sem um planejamento.

  • Diego

    Mal traduzido… Na verdade, muito interpretado… Mas valeu pelo esforço.

  • As tiras são interessantes, entretanto, não traduzem bem a identidade base de 1984! A lógica é manipulação de informação para promover alienação…! A dor e o ódio pra fomentar controle e guerra para manter a estrutura do Partido! Liberdade é escravidão! Amor é ódio. Paz é guerra!

  • Cleber de Souza

    Um pouco de cada… Orwell mostra o que o extremo socialismo pode fazer com o mundo, oprimindo os valores morais e a sociedade. Já Huxley mostra o que o extremo liberalismo pode fazer, tornando os valores morais obsoletos e deixando a sociedade passiva diante dos problemas sociais.

  • Mat Gonsalvez

    Wow
    Excelentee haehaah

  • Leandro N

    As tiras são sobre o livro do neil postman, chamado amusing ourselves to death, sobre como o entretenimento de massa hoje nos transforma em idiotas apolíticos e faceis de manipular. esta capa resume bem http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/1/1e/Amusinghkn.jpg

    ele começa analisando a época em que o livro e o jornal impresso era o principal meio, o que criava uma determinada forma de pensar mais articulada e ponderada. e depois com a entrada do telégrafo, do radio e a televisão as coisas foram ficando cada vez mais deterioradas.

    o fio do condutor da narrativa são as visóes distópicas desses 2 livros, que ele vai comparando o tempo todo. na opinião do autor, o presente em que a gente vive já é huxliano.

    Não existe tradução pro portugues que eu conheça, é um texto dos anos 80, mas bem atual e relevante. quem consegue ler em ingles fica aí a recomendação.

    http://www.amazon.com/Amusing-Ourselves-Death-Discourse-Business/dp/014303653X

    http://en.wikipedia.org/wiki/Amusing_Ourselves_to_Death

  • Julio G. Silva

    O liberalismo é uma ideologia (no seu sentido pejorativo de falsa percepção da realidade) da burguesia, é uma máscara que serve para legitimar o individualismo sem individualidade produzida pelo capitalismo. Nesse sentido, Huxley foi assustadoramente premonitório, pois vivemos em um totalitarismo capitalista hoje e sequer se damos conta disso. O neoliberalismo não é apenas uma doutrina econômica, mas a alma do nosso mundo. Um amigo meu recomendou a leitura de um filósofo sul-coreano chamado Byung-Chul Han. Ele tem construído uma tese que ajuda muito a entender o totalitarismo que vivemos em nosso mundo contemporâneo. Deixo aqui uma citação do autor como degustação:

    A técnica de poder do regime neoliberal constitui a realidade não vista pela análise foucaultiana do poder. Foucault não vê nem que o regime neoliberal
    de dominação monopoliza totalmente a tecnologia do eu nem que a permanente otimização própria, enquanto técnica do eu neoliberal, não é outra coisa que uma eficiente forma de dominação e exploração. O sujeito de rendimento neoliberal, este “empresário de si mesmo”, explora-se de forma voluntária e apaixonada, “O Eu” como obra de arte é uma agradável e enganosa aparência que o regime neoliberal mantém para poder explorar totalmente este “eu”.

  • Igor Mascarenhas

    A prioridade das sociedades hone em dia estao no conforto material e no prazer.
    Muito parecido com o que Huxley falava. Todos tem livre arbitrio mas o labirinto é tao grande que é bem provavel que a maioria absoluta mais cedo ou mais tarde seja levado a ceder as pressoes da sociedade, para ter algum alivio prazeroso. O medo de antes era aquele controle absoluto e exposto que algum regimes ditatoriais previam, nessa suposta liberdade o layout se apresenta diferente, mas a intencao é a mesma. Controlar o ser humano, e adquirir seus bens preciosos seu tempo e sua energia

  • Igor Mascarenhas

    obrigado! Vou ler sim esse autor! Nao conheco nada de foucault, indicaria algo para comecar o seu estilo? Sds

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