Overdose Adaptações: Adaptações para o Cinema

Nona Arte quinta-feira, 10 de julho de 2008

Holywood é feita de fases. Houve a fase de filmes de ação, comandada pelos mestres Schwarzenegger e Stallone. Houve a fase Sci-Fi, com batalhas intergalácticas e aliens monstruosos. Houve a fase épica, com homens sujos vestindo armaduras e empunhando espadas. Houveram e ainda haverão muitas fases, que mudam de acordo com o atual gosto do público. Hoje, passamos pela fase de adaptações de quadrinhos. Aproveitando o tema da Overdose desse mês, falarei de algumas adaptações memoráveis, outras nem tanto e o que está por vir, tudo divido por gerações (que eu inventei). Obviamente não vou conseguir citar TUDO, mas uma boa parte. Tenham em mente que eu ignorei qualquer filme produzido antes da rendição das tropas nazistas de Hitler, porque… porque sim.

Primeira Geração

Se você acompanhou essa geração de adaptações, então você já tem família formada, ou está próximo(a) disso. A primeira geração foi marcada por seriados e filmes repletos de efeitos especiais vagabundos e, ainda assim, extremamente divertidos de se ver. É difícil assistir um episódio desses seriados sem ao menos criar uma simpatia por eles. O Batman foi o pioneiro, com seu clássico seriado estrelado por Adam West e Burt Ward. Os atuais fãs do Batman criticam muito esse seriado, por falar que ele descaracteriza o personagem, que deveria ser sombrio e recluso. Essas pessoas esquecem que na época, as revistas do Batman eram exatamente do modo mostrado no seriado, com diálogos bobinhos e tudo mais.

Alguns anos depois foi a vez da Mulher-Maravilha, outro membro da trindade da DC (Batman, Wonder Woman e Superman). A atriz Lynda Carter se encarregou do papel de princesa amazona. A série foi muito bem recebida pelas garotinhas da época, e contribuiu para a popularidade da personagem (que já era popular, diga-se de passagem). Chegou então a vez da Marvel levar seus personagens para a televisão, e o escolhido foi o Hulk. Bill Bixby assumiu o papel de Dr. David Bruce Banner, enquanto o fisioculturista Lou Ferrigno fez o papel de Incrível Hulk. Como uma imagem vale mais que mil palavras, aqui vai um vídeo da transformação de Banner em Hulk (e Bixby em Ferrigno).

E não podemos nos esquecer do giro da Mulher-Maravilha e de seu habilidoso uso do laço da verdade:

Um ano antes do Hulk ganhar seu próprio seriado, um outro carro-chefe da Marvel teve seu próprio filme. Estou falando do Homem-Aranha. Quando eu assisti esse filme, alguns anos atrás, eu já achava extremamente… hippie. Então, para avançar no texto, vamos esquecer os penteados e roupas esquisitas daquela época. O filme conta a origem de Peter e mostra o início de sua carreira como fotógrafo no Clárim Diário, mas não se aprofunda nem vai além disso. Não vemos nenhum grande vilão das revistas no filme (aliás, não vemos vilão algum da revista), e muito menos o assassinato de Ben Parker. As cenas de ação são tão empolgantes quanto… nada, nada mesmo. Eu até tentei encontrar um vídeo específico da cena em que o Aranha enfrenta três capangas-ninjas armados com cabos de vassoura, mas não consegui. Uma pena. Mas não parou por aí. Um dos personagens mais underground da editora também foi aos cinemas: Howard, o pato. O filme não conseguiu capturar todo o sarcasmo da revista, mas garante algumas risadas.

O Superman foi presenteado com uma trilogia de filmes que transformou o ator Christopher Reeve num ícone dentre tantas estrelas de Holywood. Os filmes iniciaram a série de versões do General Zod, um vilão tão forte quanto o Super. O ator Terence Stamp, que interpretou Zod nos dois primeiros filmes, foi usado como base para a produção da versão definitiva do vilão, no arco “Last Son”, escrito por Geoff Johns e desenhado por Brian Hytch.

Uma adaptação que surpreendeu foi Barbarella, a personagem de quadrinhos adultos franceses, com a clássica cena em que Jane Fonda tira a roupa no espaço. A Dark Horse também entrou na jogada, e chamou Arnold Schwarzenegger para interpretar o épico personagem de Robert E. Howard, Conan o Bárbaro, em dois bons filmes, e logo em seguida o Rei Kalidor em Red Sonja (não sei se Sonja já era da Dynamite Comics na época). Sei muito pouco de Conan, e conheço ainda menos as aventuras de Red Sonja, então meus comentários quanto a esses filmes param por aqui. No final da geração foi produzido um filme do Spirit, que foi criticado por ser um pouco voltado para a comédia.

Segunda Geração

Ah, a segunda geração de adaptações de quadrinhos. Algumas adaptações você teve o prazer (ou não) de ver na gigantesca tela dos cinemas, outras você assistiu até a exaustão na Sessão da Tarde. A segunda geração marcou o início de uma abordagem mais séria das adaptações. O violento Justiceiro ganhou seu primeiro longa-metragem em 1989, mas o filme não chegou a passar nos cinemas. Dolph Lundgren interpretou bem o Justiceiro, e o filme fez um retrato fiel da agressividade e as sempre marcantes fala do personagem (apesar de não ser uma adaptação perfeita). Um ano depois, o Capitão América ganhou vida. Pouco me lembro desse filme, mas ele desapontou muitos fãs do soldado Roger. Ainda da Marvel, foi feito um tenebroso longa de Nick Fury, estrelado por David Hasselhof. Sim, o cara de “Baywatch”. Sim, foi uma péssima idéia.

Já a DC foi mais razoável. Graças a Tim Burton, o Batman ganhou dois filmes com o clima sombrio que os fãs tanto queriam. No primeiro deles, Jack Nicholson consagrou-se com sua excelente atuação como Coringa. Então Tim Burton deu lugar a Joel Schumacher, que trouxe o Robin consigo. Batman Forever apostou em Jim Carrey como o irreverente Charada, e deu certo. Já Batman & Robin apostou em Arnold Schwarzenegger como Sr. Frio, outro clássico inimigo do Homem-Morcego. O filme acabou sendo um pouco homosexual. Os gays também acharam isso, e o filme tornou-se um dos símbolos do movimento. Um grande feito, se levarmos em conta que não foi proposital. Eu acho. Com George Clooney como Batman, tenho minhas dúvidas. Ainda da DC, tivemos uma adaptação de “From Hell” (Do Inferno), uma das revistas que Alan Moore escreveu para o selo Vertigo. O filme teve Johnny Depp no papel principal, e para mim é uma das melhores adaptações já produzidas, tanto em fidelidade quanto atuação.

Os personagens de outras editoras também ganharam seus filmes. Dick Tracy foi as telonas em 1990, com um ótimo filme que todos já devem (ou deveriam) ter visto. Tivemos também “O Corvo”, com Brandon Lee. Um excelente filme, com ótimas atuações e cenas de ação, que ganhou muita atenção graças a morte de Lee durante as filmagens (um triste fato). Depois veio o Juíz Dredd, personagem da revista “2000 AD”, da Eagle Comics. Dredd foi interpretado por Stallone, e o filme recebeu críticas boas e ruins. Eu me abstenho por nunca ter lido nada da Eagle Comics. Então, diretamente da Ífrica, veio o Fantasma. Um herói que claramente não é de meu tempo (provavelmente não é do seu também), mas cujo filme me divertia. Por fim, tivemos um filme de Spawn, o soldado do inferno da Image Comics. Spawn teve sua cota de cenas legais (como a transformação do palhaço em Violador, e a moto), mas terminou sendo medíocre.

Terceira Geração

A terceira geração está aí, adaptando todos os quadrinhos que encontra pela frente. O resultado é uma leva de filmes ruins gerando toneladas de dinheiro graças a seus efeitos ultra-modernos e um público que se preocupa cada vez menos com o roteiro. A Marvel abriu a geração com um filme do caça-vampiros Blade, estrelado por Wesley Snipes. Blade tornou-se uma trilogia cujo roteiro é tão original que os três filmes podem ser resenhados como um só. Se acham que estou brincando, comparem os filmes e percebam as incríveis semelhanças. Depois de Blade, as coisas pareciam estar mudando. Os X-Men surgiram com a origem completamente modificada, mas em um filme agradável, e o Homem-Aranha teve uma excelente adaptação de sua origem, em um filme que por pouco não foi perfeito. Infelizmente, tanto os filhos do átomo quanto o amigão da vizinhança sofreram com a maldição da trilogia, e ganharam dois outros filmes, estes completamente dispensáveis. Mas isso foi mais tarde.

Empolgado com os X-Men e o Homem-Aranha, eu fui assistir “Demolidor” esperando uma adaptação no mínimo aceitável. Fui a nocaute com o soco da decepção. Os problemas são tantos que eu poderia escrever um livro. Em primeiro lugar, BEN AFFLECK como Matt Murdock? E eles ainda querem que eu leve esse filme a sério? As revistas escolhidas para a adaptação foram as primeiras, que contam a origem, e a clássica, depressiva e violenta fase Frank Miller. Eles conseguiram estragar o que eu julgava sagrado. Demolidor foi só o começo. A Marvel Studios desandou ainda mais ao fazer um filme completamente malfeito do Hulk, uma adaptação água com açúcar do Justiceiro (cadê a violência?), e uma abominação de 97 minutos chamada “Elektra”. O Quarteto Fantástico conseguiu agradar com um filme divertido e bobinho (com o mestre Julian McMahon, de Nip/Tuck, no papel de Victor Von Doom), mas falhou ao tentar imitar Ultimate Galactus em Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado. Dizem que a fé nos estúdios da Marvel foi reconstituída com “Iron Man” e “The Incredible Hulk”, mas como ainda não assisti (Iron Man porque detesto o personagem, e Hulk por preguiça).

A DC começou com “V for Vendetta” (V de Vingança), a hypada hq de Alan Moore. Muitos fãs deram xilique afirmando que o filme não pegou a essência da revista, o que é uma verdade, mas foi até bom. O grande trunfo da Detective Comics foi “Batman Begins” que recontou a origem do cavaleiro das trevas, e iniciou uma nova bateria de filmes do personagem. A adaptação foi muito bem feita em todos os aspectos, e a atuação dos atores (especialmente Christian Bale) foi ótima. Já o Superman preferiu continuar de onde havia parado, e apareceu no mediano “Superman Returns”.

O espaço para outras editoras foi aberto com Hellboy, da Dark Horse Comics. Eu não conhecia o personagem, mas me interessei ao ver o filme, que agradou o público em geral. A Dark Horse embalou, e duas outras produções foram feitas, ambas histórias de Frank Miller: Sin City e 300, obras-prima das adaptações. Roteiro fiel ao extremo (talvez por terem sido supervisionados por Miller) e um visual belíssimo fazem desses dois filmes minhas adaptações prediletas. 30 Days of Night, da IDW Publishing, também teve sua adaptação, com Josh Harnett. Muitos criticaram negativamente o filme, mas eu gostei, até porque a revista não é lá essas coisas (a arte de Ben Templesmith é simplesmente intragável).

Confirmados

The Punisher 2: War Zone – Dessa vez é Ray Stevenson, o Titus Pullo do seriado Roma, que encarnará o Justiceiro. Dessa vez o roteiro tem base na fase MAX do personagem, que é de longe a melhor de todas. A própria diretora está ajudando nas cenas de combate corporal (que prometem ser sanguinolentas), e o filme estréia este ano.

X-Men Origins: Wolverine – O mutante mais famoso (porém não o melhor) volta as telas com um filme contando sua “origem”. Entre aspas pois tudo indica que contará sua época na Arma X e a injeção de seu adamantium, e não a sua infância/adolescência no interior do Canadá (como mostrado na mini-série Wolverine: Origin). Como é da Arma X que estamos falando, veremos outros anti-heróis da editora (Dentes-de-Sabre, Deadpool, Kane, Fantomex e Maverick são os principais). Um filme com Deadpool tem a obrigação de ser bom, mas eu boto pouca fé nesse filme.

Thor – O filme foi confirmado, mas ainda não se sabe quem irá interpretar o Deus do Trovão. Correm boatos de que a Marvel quer escalar Paul Levesque, um lutador da WWE que costuma carregar um martelo. Kevin McKidd, Lucius Vorenus do seriado Roma, foi mencionado para o papel de Donald Blake, o humano que divide a existência com Thor. A direção é de Matthew Vaughn, e o ano de lançamento é 2010.

The First Avenger: Captain America – Até agora sabe-se apenas que o filme mostrará a origem do Capitão (notícia aqui). Os fãs ainda estão especulando quem poderia interpretar o líder dos Vingadores. Até maiores informações, fiquem com esta curiosidade: Jon Favreau, diretor de Iron Man, seria o diretor de Captain America, mas escolheu trabalhar com Stark. Nick Cassavetes, diretor de Captain America, havia sido chamado para fazer Iron Man. O super soldado chega aos cinemas em 2011.

Iron Man 2 – Nada decidido ainda, mas o filme será produzido. O vilão deverá ser o Mandarim, que já foi sutilmente citado no primeiro filme. Iron Man 2 sairá antes de Captain America, porém.

Avengers – O que posso dizer? Capitão América, Thor, Homem-de-Ferro, Hulk, Vespa e Gigante num só filme. Isso pode dar muito certo, ou muito errado mesmo. Os atores devem permanecer os mesmos dos respectivos filmes (exceção de Vespa e Gigante que não terão filmes), e o roteiro ainda está sendo escrito. Se tudo correr bem, poderemos ver outros crossovers entre personagens da editora.

Silver Surfer – Para salvar o utópico planeta de Zenn-La, Norrin Rad aceitou se tornar o arauto de Galactus, e ajudar o devorador de mundos a achar outros planetas para consumir. O cara é basicamente o Jesus Cristo da Marvel, e é conhecido por suas belas e significativas histórias. Mais um da série “muito bom ou muito ruim”.

The Immortal Iron Fist – Criado e treinado no místico reino de K’un Lun, Danny Rand tornou-se o herdeiro do poder do “punho de ferro”, que lhe permite canalizar sua energia espiritual em seu punho, sendo capaz de desferir poderosos e mortíferos socos. Tomando como base a revista, o filme deverá ser cheio de cenas alucinantes de luta, com raízes nos filmes de kung-fu. Direção de Steve Carr.

Luke Cage – Melhor amigo de Danny Rand, Luke Cage possui uma pele invulnerável e super-força. O personagem é bacana, mas não sei o que esperar do filme. Uma curiosidade: Querendo evitar que sua fama fosse relacionada a seu tio, o ator Nicolas Kim Coppola (sobrinho de Francis Ford Coppola) mudou seu nome artístico para “Nicolas Cage”. A escolha do nome se deve ao personagem Luke Cage, da Marvel, do qual Nicolas é fã.

Batman: The Dark Knight – Se você já deu uma olhada nas informações publicadas aqui no AOE, então saiba que não tenho nada para acrescentar, fora minha expectativa quanto ao filme. Eu gostei muito de Batman Begins, e tenho certeza de que Dark Knight será a melhor adaptação de 2008, ou no mínimo a melhor publicidade. Falta pouco!

Justice League – Especulações, especulações… Não temos certeza nem se o filme será um animação de computador ou se irá usar atores reais. Sabe-se que o Lanterna que fará parte do grupo é Joh Stewart, do desenho, e foi anunciado que o filme “será repleto de efeitos especiais”.

Green Lantern – Após o filme da Liga da Justiça, o predileto Hal Jordan terá seu próprio filme. Maiores informações em breve.

The Spirit – O jovem detetive Denny Colt, mrador de Central City, foi errôneamente dado como morto. Aproveitando-se disso, o rapaz criou uma nova identidade, essa de vigilante mascarado, e passou a combater o crime sob o codinome de “Espírito”. Gabriel Match será Denny Colt, enquanto o idolatrado Samuel L. Jackson fará o vilão Octopus, famoso por não mostrar nada além de suas luvas nas revistas (como o Dr. Garra, de Inspector Gadget), além de outros grandes nomes.

Y- The Last Man – Você deve ter lido a notícia aqui. Y é a minha revista predileta da Vertigo (junto a 100 Bullets), então estou meio apreensivo com essa adaptação. Como Vaughan vai estar de olho na produção, deve sair ok.

Watchmen – Um filme que eu aposto que trará orgasmos múltiplos para muitos nerds. A cultuada revista de Alan Moore finalmente virará um longa-metragem. Os Watchmen eram um grupo de vigilantes, dentre os quais apenas o Doutor Manhattan possui poderes, até que um problema com o público os dissolveu. Anos depois o Comediante, um dos ex-integrantes do grupo, é assassinado. É aí que Rorschach, o único watchman que ainda ronda as ruas, entra em ação, investigando os seus antigos companheiros e desvendando uma possível conspiração. O desenvolvimento da história é brilhante, e quase me faz entender o hype por volta de Moore. A direção é de Zack Snyder, que fez um ótimo trabalho em 300.

Wanted – Estou meio cético quanto a este filme. Não falo do fator diversão, isso eu tenho certeza que ele proporcionará aos montes, mas as mudanças que fizeram na história foram bruscas demais. Ao invés de super-vilões, teremos assassinos, o que tira um pouco da magia da revista (e também significa que não veremos o CARA-DE-MERDA). De qualquer forma, deve valer o ingresso.

Hellboy: The Golden Army – Nunca li as revistas (apesar de ter vontade), mas vi por aí que a história se trata de uma guerra entre o nosso mundo e um exército de criaturas tão malignas quanto poderosas e feias. As cenas de ação parecem mais emocionantes, e todo o misticismo e humor do filme anterior permanece. Tenho bons pressentimentos.

Barbarella – Uma versão feminina de James Bond e Adam Strange, Barbarella é uma viajante espacial que derrota seus oponentes por intermédio de sua sexualidade. A personagem tornou-se símbolo do movimento feminista dos anos 60 e responsável pelo disparo da carreira de Jane Fonda. Refilmagem por conta de Robert Rodriguez.

E isso é tudo (pelo menos até então). Para maiores informações sobre o elenco e diretores dos filmes que estão por vir, clique aqui para ler a coluna do Paulo.

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