Ouya, ou a quarta potência

Games sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Você, caro leitor, deve se lembrar da época em que a guerra dos consoles [Que nem é uma guerra, já que não tem mortos, larguem de ser bicha] era entre a Nintendo e a Sega. Até que, um dia, a Sony resolveu que queria entrar na brincadeira, e ai começou a saga do PlayStation. A Sega morreu [Pelo menos desenvolvendo consoles], e tempos depois, a Microsoft resolveu que, já que eles sabiam fazer jogos pra PC e hardware em geral, nada impedia a empresa do tio Bill de juntar os dois e fazer um console, e o XBox foi parido. O que esses consoles todos tem em comum? Grandes empresas. Mas agora, com a onda do crowdfunding e tudo mais, um novo console surge como alternativa, feita por gamers pra gamers: Ouya [Que nome ridículo].

 Rapaz, imagina se alguém chuta e o troço sai rolando?

Nunca ouviu falar? É pra isso que eu tou aqui, meu jovem. O Ouya foi anunciado em 3 de julho desse ano, e lançado no dia 10 do mesmo mês [Ou seja, duração de um mês], como um projeto coletivo em que uma galera entrava com a grana, e os desenvolvedores fariam o resto, com encerramento em 09 de agosto, ontem. Só que o negócio estourou violentamente. A meta inicial era de 950.000 dólares. Sabe quanto eles conseguiram?

8.596.475 doletas.

Isso mesmo, oito milhões, quinhentos e noventa e seis mil, quatrocentos e setenta e cinco dólares. Só 905% do valor pretendido. Mas também, com notícias sendo veículadas em gigantes da mídia feito PC World, The Guardian, Forbes, GameSpot, BusinessWeek, Wired, IGN, The New York Times e Time, até eu. Mentira, eu não tenho uma ideia de projeto tão boa, mas vamos em frente.

A questão do Ouya, entretanto, não é ser uma vaqunha enorme pra fazer um videogame bacana. Não senhor. A grande sacada é trazer de volta os desenvolvedores, que deram linha do mundo dos consoles e foram pros tablets e smartphones, já que esses tem uma liberdade muito maior pra expressar a sua criatividade, e quem ficou pra trás nos consoles padrão ainda tem muitas amarras. É botar os desenvolvedores que vivem lançando joguinhos em flash na sala de estar da sua casa, e sem você pagar uma aberração por isso. Parece promissor, né?

É mais do que isso [Ou pelo menos promete ser]: Todos os jogos tem de ter uma versão livre, um demo, o caralho que for. Não importa se você faz igual a Valve e enche de chapéus pra serem comprados, ou se você é um corno e lança um jogo foda viciante do caralho com um trial de 30 dias e depois cobra os olhos da cara pela assinatura, o importante é deixar a galera experimentar seu jogo. Nem que seja só isso, pra experimentar. Como os malditos demos que só tinham a primeira fase.

E tem outra, a bagaça praticamente pede pra ser hackeada. Os parafusos são padrão [Ao contrário da Apple]; o hardware é compatível com peças de pc, o que significa que você pode fazer upgrades por sua conta, sem perder a garantia. E todo console é um kit de desenvolvedor em potencial. Cê não precisa gastar até as tampas pra criar um jogo pra bagaça. Ou seja, é praticamente uma mistura de pc com smartphone. Qual a vantagem, então?

 O controle. Por que pra ser console tem que ter controle.

Tá sendo vendido pelos criadores como o Stradivarius dos controles. Pra quem não sabe, Stradivarius é uma família que fabrica instrumentos musicais, e que o som desses instrumentos supostamente não pode ser explicado ou igualado. Mas, no nosso caso, ser um Stradivarius só significa que o controle é uma obra-prima. O problema, a meu ver, é que fora esse rascunho ae, não há imagens do controle inteiro, só do lado direito dele. Porque tanto segredo? Sem falar que é a pilha. Porra, poe uma bateria nessa merda ae.

Outra treta é o hardware em si: A bagaça não ultrapassa o poder de um console atual. Tudo bem, são 99 dólares, mas é o hardware de um smartphone potente:

Processador Tegra3 quad-core
1GB de RAM
8GB de armazenamento interno flash
Conexão HDMI pra TV, com suporte para HD 1080p
WiFi 802.11 b/g/n
Bluetooth LE 4.0
USB 2.0 (Uma entradinha só)
Controle sem fio com dois ananóligos, um direcional, oito botões [Sem contar o botão do sistema, tipo o que vai pra Live no Xbox 360] e um touchpad
Sistema operacional Android 4.0 [Já tem mais recentes, não?]
Ethernet

E o principal problema: Por não ter uma base estabelecida, é difícil saber se o negócio vai pra frente ou se vai ser só mais um item de colecionador dos aficcionados em jogos. Claro, a Square Enix vai ser parceira do Ouya e Final Fantasy III vai ser um dos jogos lançados com o console. E já tem um jogo exclusivo:

 Human Element começou bem com essa shotgun na capa.

Mas ainda assim, não há certezas, só promessas, expectativa. O crowdfunding fechou, mas já tá em pré-venda no site oficial. Em março de 2013 saberemos se a promessa se cumprirá.

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Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • hegddsdg

    parece promissor, mas o hardware….

  • ss7

    Ta mais pra um tablet com controle.. -___-

  • Eu li bastante sobre pra escrever, e a ideia é que seja mais que um tablet. Liga um tablet na tv e abre um jogo, qualquer jogo. Mesmo sem controle, o jogo não vai ficar bacana numa tela de 32 polegadas. Sem contar as alterações de hardware que você mesmo pode fazer. Vai botar RAM num tablet [Esse argumento também serve pro hegddsdg]

  • 110 dólares. É um ótimo preço, mas estou com muito medo de custar 700 reais por aqui.

  • Se vier sem “representantes”, acho que não tem porque chegar nesse preço. Mesmo porque com 700 pila cê compra a porra de um PS3

  • “vaqunha”
    1bjo, Pizurk <3 q

  • Não, pequena pateta. Vaquinha é juntar dinheiro pra dar alguém sem esperar algo de volta. Crowdfunding é um investimento, cê recebe algo em volta. No caso do Ouya, um videogame, ou no mínimo seu login na rede deles [Doação mínima de 25 dólares, se não me engano]

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