Obras que mudam vida

Música terça-feira, 23 de abril de 2013

Há um momento na nossa vida que ela dá uma guinada. Tudo que você viu, gostou, conheceu passa por uma triagem e o que não serve é deixado para trás. Também conhecido no popular como separar o joio do trigo. Se você é um ser humano sensato, é melhor ficar com o trigo, por que, afinal, quem sabe o que diabos é esse tal de joio?

Divagações a parte, e supondo que você tenha vida (Isso é importante), pensar sobre aquilo que modificou o que você é, o que você se tornou é muito importante. Afinal, como diria meu psiquiatra, é bom você conhecer a si mesmo e as suas outras quatro personalidades. Literatura, jogos, discos e filmes são elementos muito importante de nossas culturas e influenciam enormemente os rumos da nossa identidade. Lá no meio do século XX o tio Adorno já falava sobre isso e resumindo e parafraseando: Os elementos culturais com que você se relaciona meio que definem o que você é. Na verdade, não foi isso que ele disse, pois ele disse que a indústria cultural é o principal fator de alienação, porém para você ser alienado é necessário entrar em contato com a cultura alienante, ou seja? Volte na minha afirmação. Apesar dele ser um cara bem elitista, a ideia dele me serve bem.

No começo de adolescência, acho que não é diferente com vocês, nós não temos muito discernimento ainda, e vamos ouvindo, vendo e lendo qualquer porcaria que nos chega pela frente tipo o Bacon, certo? Mas um dia, depois de escutar Eminem, Charlie Brown Jr. e o Pato Pateta, eu fui e escutei uma música. Eu me lembro muito bem deste dia. Eu tinha 13 anos, estava na sexta séria (Hoje é o sétimo ano). E que música era essa? Stairway to Heaven. Aquela introdução, a suavidade da voz de Robert Plant, no começo, depois a explosão que se segue modificou minha vida para sempre. Nunca mais eu consegui me relacionar com a música da mesma maneira. A obra prima elevou tanto meus padrões que, do que eu escutava antes, só sobraram o Raul Seixas e o Pink Floyd, que eu não conhecia tão bem (Se conhecesse provavelmente um deles poderia ter causado o mesmo efeito). Para se ter uma ideia, apenas agora com meus 22 anos eu voltei a aceitar que o Guns ‘n’ Roses, minha banda predileta à época, é uma banda decente.

Com o cinema não foi tão diferente, apesar de não lembrar corretamente o que eu gostava antes de começar a gostar das coisas que eu gosto hoje, mas com certeza o filme que foi o divisor de águas na minha vida, por mais clichê que seja, foi Laranja Mecânica. Monólogos, diálogos longos, muitas vezes absurdos, tomadas longas sem acontecer muita coisa. Com certeza esse filme abriu meus olhos para tudo aquilo que o cinema pode me oferecer. Devo atribuir também isso a O Poderoso Chefão, no tocante à paciência de assistir um filme, tanto pelo tamanho, quanto pelo ritmo, mas principalmente por definir meu gênero predileto por anos: Máfia. Após assisti-lo eu devorei tudo que podia sobre filmes de máfia.

Na literatura o processo foi outro. Eu lia várias coisas, como ficção científica, livros de mistério, romances épicos e tudo mais. Além disso, o despertar foi um pouco mais tardio, afinal eu já tinha meus 17 anos quando atentei que literatura brasileira é tão boa quanto qualquer outra. São Bernardo, do Graciliano Ramos, foi o responsável por expandir meus horizontes e me permitir ser tão pedante quanto eu sou hoje.

Claro que depois dessas houveram novas obras que modificaram meus gostos e minha construção cultural e consumo desse tipo de bem. Porém é inegável que foram essas primeiras obras que possibilitaram eu me tornar a pessoa que eu sou hoje, com minhas idiossincrasias, as vezes virtuosas, as vezes não. Se hoje eu tenho alguma opinião formada sobre indústria cultural, sobre as relações humanas com a cultura, e sobre como essa relação poderia influenciar minha vida, pode ter certeza que estas foram as obras seminais. E você, meu querido leitor? O que e quando você teve a guinada na sua vida e pode notar que estava se tornando alguém mais amadurecido e melhor, ou se isso não aconteceu, não se preocupe, vai acontecer (Apesar de ser provável que não)?

Leia mais em: ,

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Marina Oliveira

    E fui começando a apreciar as coisas boas da vida lentamente. O que me fez escutar rock foi linkin park (qual é, eu sei que foi a infância de muita gente, ainda bem que a gente supera essas coisas), o que me fez ter mais interesse em cinema menos mainstream acho que foi Laranja Mecânica também. E quanto a literatura, 1984 foi um livro que me marcou muito, mas não passei a elevar tanto assim meus patamares depois disso. Ainda prefiro um bom King.

  • King é bom demais uai, um ótimo patamar já;

  • Aline

    Minha memória é uma droga, mas me lembro que foi lá pelos 13 anos também que me despertei pro rock, começando por Linkin Park, Pitty, Paralamas, Legião, daí a coisa evoluiu, deixei de ser xiita como todo adolescente, veio a internet e todo um novo mundo lindo e musicalmente perfeito, veio influências de blues, jazz, até um sambinha. Aí a coisa desbarrancou e hoje tenho um gosto musical bem amplo e que ninguém vê a lógica. Já de cinema, épicos, em preto e branco, antigos, sempre me fascinaram. Essa coisa tecnológica, 3D e toda essa parafernalha, na minha opinião, jamais substituirão ótimas atuações, diálogos bem construídos e roteiro decente. No campo de literatura não me lembro novamente, mas meus pais tinham assinatura de um tal de Clube do Livro, então tínhamos dezenas em casa. O que me lembro como se fosse hoje é ter lido O Sol é Para Todos com cerca de 10 anos e ter adorado.

  • Muito bom. Eu deixei de ser xiita a algum tempo também. Inclusive o samba e a MPB são trilha sonora em muitos dos meus dias.

  • Aline

    Eu já não sou tão do samba e MPB assim. Ouço de vez em quando, graças a um amigo que fica me mandando os links das musicas no skype… haha.

  • Marina Oliveira

    Ele é um ótimo escritor, mas ele mesmo se define como a fast food da literatura hahahah só falei no sentido de que não é nada muito profundo, é literatura por diversão

  • Marcelo

    ótimo post e me deixou aqui refletindo bastante a respeito de tudo isso. Musicalmente eu me lembro que desde pequeno eu gostava de Legião Urbana por pura influência dos meus pais, Oasis, Green Day e Engenheiros me foram introduzidos pelos primos e acho que a minha atração pela música começa no Green Day, eu parti deles para os Ramones, Rancid e todo o punk Rock e como todo adolescente era xiita. Literatura foi Kafka, Metamorfose é o livro que eu mais vezes li é aquele que mexe comigo até hoje.

busca

confira

quem?

baconfrito