O Nervangelho segundo Eu

Nona Arte quarta-feira, 16 de setembro de 2009

No começo, o Autor teve a inspiração para sua obra. Mas a idéia inicial não tinha forma, ou significado. E o Autor pensou mais, e pesquisou sobre o tema, e veio a luz. E o Autor viu que era bom. E então ele refinou tudo o que havia e chamou a melhor parte de Obra Principal, e denominou as partes não tão boas assim de spin-offs e material complementar não necessário à compreensão integral da obra.

E, então, o Autor trabalhou na parte boa, e criou uma história de fundo, personagens cativantes devidamente descritos e caracterizados, definiu cenários, e viu que havia potencial na obra. Então, dos cadernos Tilibra de R$ 1,00 comprados no supermercado da esquina, o Autor transferiu a obra para seu computador através do milagre do OpenOffice (sem jabá até que a grana apareça no meu bolso, Mr. Anderson Ballmer), e, daí, para o Editor da sua editora predileta para avaliação. E o Editor viu que aquela Obra era digna dos deuses e de impressão, e chamou o Autor para discutir maiores detalhes.

Após uma reunião agradável, Autor e Editor, inspirados por um poder superior (A.K.A. Licor de Amarula) ratificaram a decisão de publicar a Obra. E convocaram o Arauto da Fortuna (Dona Maria, secretária do presidente) e ordenaram que este levasse a Obra para apreciação do Presidente da Editora. E este leu a Obra, e viu que era boa. E, com sua voz trovejante e imponente, ordenou a Marquinhos, O Estagiário:

Leva essa porra aqui pro pessoal lá que desenha pra eles fazerem uma capa e os desenhos. E vê se não debiza.

E Marquinhos levou a Obra ao Setor de Ilustração, e um deles foi o Escolhido para ilustrar a Obra. E o Escolhido passou meses ilustrando a obra ao agrado do Autor e do Editor. E, após concluída, devidamente revisada e impressa, a Obra foi enviada para o setor de frete da Editora, e daí para as livrarias. E apesar da pouca divulgação, a Obra foi um sucesso, e todos os leitores se regozijaram com a qualidade da impressão e da Obra em si.

O tempo passou, e a Obra se solidificou, ganhou diversas interpretações em fóruns internet afora, e versões em flash no YouTube. E o Autor e a Editora (que retinha os direitos autorais) preenchiam seus orifícios corrugados retrofuriculares com papel-moeda. E a vida era boa.

Mas forças ocultas, vindas de Los Angeles, cobiçaram a Obra e adquiriram direitos para fazer uma versão cinematográfica da mesma. E adaptaram a Obra, e a adaptação era de excelente qualidade, e fez um sucesso estrondoso ao redor do mundo. E com o sucesso veio a queda, pois os Fóruns Sagrados, antes somente frequentados por aqueles que compreendiam e admiravam a Obra, foram invadidos por aqueles que buscavam piadinhas visuais infames e links para download do filme, vindos em sua maioria da Terra de Büyükkokten.

Infiéis, que não compreendiam sequer basicamente a extensão da Obra, discutiam em sua linguagem rude e semi-incompreensível o modo como não entendiam o que a obra dizia, mas de certo modo apreciavam o trabalho do Ilustrador, pois havia beleza neste.

E os verdadeiros adoradores da obra se irritaram por serem impotentes perante a horda, e prantearam a lenta e gradual desaparição dos seus em meio a horda, mas ainda com esperanças de que Glycon sairá um dia de seu covil e eliminará a horda com seus dardos venenosos.

Amém.

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...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Lucas

    ADOREI.

  • GENIAL.

  • Falando sério: de onde você tirou essa ideia?
    Simplesmente, expôs o sentimento de muitos fãs (Fiéis) das grandes Obras.

  • Guten

    @June

    Simplesmente reformulei esse texto aqui pra ver quantos dos que me massacraram pegariam a deixa. Chame esse post de um experimento social, se quiser.

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