O menor cinema do mundo

Primeira Fila sexta-feira, 16 de abril de 2010

Como vocês deveriam saber, mas não sabem porque ainda acham que o Rio é a capital da República (Ou pior, acham que São Paulo manda alguma coisa), no próximo dia 21 Brasília completa 50 anos. Sim, até sua mãe é mais velha que a minha cidade. Em meio a comemorações, com direito a shows de artistas que vêm a cidade uma vez a cada semana trimestre, como os Paralamas do Sucesso, e outros que simplesmente não deveriam vir nunca, como Bruno e Marrone e um tal Luan Santana, tive uma boa descoberta na procura de um tema pro retorno das férias da Primeira Fila.

Na procura “Brasília + Cinema”, uma amiga acabou me falando de um lugar que eu não sei por que cargas d’água nunca tinha ouvido falar antes. É um cinema. É um bar. É um café. Tudo junto no que foi eleito pelo Guinness Book como o menor cinema do mundo, agora em 2010. Tem capacidade pra somente 18 pessoas, que se acomodam em cadeiras na frente de uma telinha que não passa nada além de clássicos. Depois das 2 sessões diárias, que podem ser regadas a pipoca com whisky, o espectador pode sentar com vários PIMBA’s* bêbados e discutir o filme. Ou falar sobre o quanto rapazes Rockabilly deveriam sair de onde se escondem, tanto faz.

 Ok, alguns podem continuar onde estão.

Essa amiga me falou sobre o Cabíria Cine-Café (Nome que vocês, incultos, não associarão ao Fellini, claro) no nosso sublime local de trabalho, onde vendemos ingressos pra um show de metal enquanto falamos de Moby, pesquisando a vida pessoal do Los Hermanos, e ouvindo Jack Johnson. Mas isso é uma coluna de cinema, divago. Fiquei felizona com o emprego, entre outros motivos, porque seria no shopping onde tinha meu cinema favorito em Brasília. Estava quase sempre vazio, porque o shopping é pequeno e dá preferência a lojas de marcas NÃO populares. Até porque fica ao lado do estúdio da Globo. Mas como já perceberam pelo tempo do verbo que usei, o cinema fechou. Dei um pulo ali em Curitiba e na volta já tinham colocado o anúncio de um novo restaurante no lugar.

Não foi o primeiro dos meus cinemas (E locadoras) favoritos que fechou de 1 ano pra cá. Creio que vocês já devem ter percebido que boa parte das cidades brasileiras simplesmente não tem uma sala de cinema, já que esse é um dos principais motivos apresentados pra vida bucaneira que vocês levam. E de quem é a culpa, mais uma vez?

 “Dos goianos?”

Não, imbecil, a culpa é SUA. Se você não gastasse tanto espaço do seu computador com filmes que ainda nem saíram, aposto que iria mais aos pobres cinemas que ainda restam. Não dá pra esperar que as empresas, em pleno século XXI e no auge do capitalismo, queiram realmente manter salas de cinema, com funcionários, banheiros, pipoca e filmes novos somente com o dinheiro de 9 cinéfilos doentes que vendem o almoço pra ver um bom diretor em ação. As grandes empresas de cinema tão pouco se fodendo pra sétima arte e a emoção que ela traz. E as pequenas, que se importam, perdem seu público pra grandes telas de 3D ou IMAX, onde leguminosos assistem Avatar e babam com uma história de merda lotada de luzinhas que saem da tela. [Nota do editor: Ser um leguminoso é ruim?]

Meu coração cinéfilo se alegra ao ver lugares como o Cabíria, onde só vão pessoas que, PIMBA ou não, pagariam até com o corpo pra ver diretores que levam a sério a ideia que o cinema foi feito pra muito mais do que só entreter. ÓBVIO que também é feito pra isso. Mas nessa linha de pensamento, eu largaria a faculdade e viveria a dançar o créu por aí. Porque, se eu estiver com o cérebro paralisado (Via alcoolica ou do jeito que for), VAI ser divertido. O que não quer dizer, nem de longe, que seja bom ou tenha qualquer tipo de contribuição pra minha vida. E definitivamente não é o tipo de coisa que eu queira fazer se tiver sóbria algum juízo.

 Não, nunca dancei créu. Acho.

Tô vendo a hora que até as grandes empresas (E vocês sabem de quem eu tô falando) vão falir e o cinema só vai ser frequentado por doentes apaixonados em lugares pequenos e excusos da Asa Norte. Pensando bem, até que não seria má ideia. Ignorem tudo que eu disse. Continuem a baixar seus filminhos em casa.

*= PIMBA: Pseudo Intelectual Metido a Besta e Associados. Termo que descobri na procura de um tema legal pra escrever essa semana, ao topar com esse site.

P.S.: Todo o meu respeito ao responsável pelo Cabíria. Por sinal, meu aniversário é em junho e um desconto na minha futura festa aí seria bem vindo. *carinha sorridente e ingênua*

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  • D

    Cinema, assim como livros, televisão e praticamente qualquer outra coisa (incluindo a internet no meio) certamente tem potencial para ultrapassarem o nível de puro entretenimento.

    Mas quem disse que nós queremos isso ?

    Pode até ser legal aprender física quântica pela televisão ou discutir filosofia nos cinemas, mas isso não é interessante TODA maldita vez. Bem pelo contrário, entretenimento per sí é uma maravilha para quem quer ficar com o cérebro adormecido e/ou travado sem precisar de Whisky para acompanhar a pipoca….

  • Esse lugar deve ser maneiro. E o que vc falou aí é um dos motivos por eu não me interessar muito por lançamentos.

  • Saudades do PF…

    A onda de downloads prejudica e muito o cinema, mesmo que esses violadores da lei achem que não. E com isso, a solução p os grandes estúdios é fazer cada vez mais blockbusters e menos filmes para “pensar”.

    E cinema não é só entretenimento, aliás, nada deveria ser apenas entretenimento. Tem que dar algo para se pensar, adicionar algo para sua vida, e não apenas algumas risadas.

    @D
    Conhecimento também deixa o cérebro adormecido, e sem precisar de whisky. Não preciso assistir uma porcaria p isso.

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