O Melhor da Björk

Música sexta-feira, 22 de junho de 2012

Já que a Björk acabou [Nota do editor: Acabou naquelas, faz uns dois meses] de lançar CD (Que você confere aqui!), vamos voltar um pouco à época em que a cantora… Hm, como dizer? Fazia música, não TUNTZ TUNTZ no Ipad. Ou seja, o período entre 1993 e 2000, mais ou menos.

 ÓUNTCHI MODEUSO!

Começando pelo Debut, de 1993. Praticamente o álbum de estreia, pelo menos no mercado mundial. E o melhor dos quatro álbuns do período, diga-se de passagem. É o trabalho mais clássico, mais tradicional e melhor produzido. Acredito que sua superioridade se deva principalmente ao foco. A Björk aqui se concentrou em um só tipo de produção e mandou ver. Não que seja um CD comum, longe disso.

Depois vem o Post, uns dois anos mais tarde. Esse aqui segue a mesma linha do antecessor, e, inclusive, a própria Björk pensa nos dois como uma sequência. A diferença tá na mistura que começa a aparecer. É aqui que as típicas batidas eletrônicas, marca registrada, começaram.

Ou seja: Tradição e inovação. Pizza doce. Pipoca com chocolate. Enfim, divago. O que quis dizer é: A mulher conseguiu pôr junto tanto It’s Oh So Quiet quanto Army Of Me num mesmo álbum. E sem prejudicar o resultado.

Homogenic é o álbum com a capa mais comentada. Sabe aquela foto mais estranha que tem da Björk? Quimono japonês e argolas de alongar pescoço? Pra simbolizar que as influências vieram tanto da África quanto da Ásia e, logo, do mundo todo? Então. Tem de tudo: De xilofone a sintetizador.

Talvez seja o álbum mais marcante, que trouxe ao mundo a mensagem de estranheza e bizarrice. Qualquer música que você ouça é reconhecível como Björk. Sério, sem exceção. Ouvir Play Dead ou There’s More To Life Than This te deixam em dúvida de quem tá cantando. Mas All Is Full Of Love e Joga com certeza não.

E o último álbum antes da parada descambar de vez: Vespertine. É o que eu menos gosto por ser o mais chatinho dos quatro. Mesmo assim, dá um banho de diversão de tudo que veio depois do Medulla. Quem não lembra do clipe polêmico de Pagan Poetry, que foi censurado em uma caralhada de lugares?

Essa porra é polêmica até hoje. Precisa fazer login no Youtube e tudo pra poder ouvir.

Enfim, resumindo: A Björk é uma puta artista. É completa. Canta, cria e produz. Já disse uma vez, e repito: A mulher tanto revolta quanto encanta. E é preciso bolas pra fazer isso sem acabar sendo uma Lady Gaga que por sinal é só uma wannabe genérica. O problema é ela esquecer o que tá sendo paga pra fazer e começar com a besteira de produzir pensando em aplicativos e remixes caseiros.

Nessa época, o principal foco era a música. Sabe, a ponto de estúdios, produtores e instrumentos de verdade, e mais aquilo que todo mundo acha ser essencial pra se gravar um álbum, serem requisitados. As maiores pérolas da mulher tão nessa fase.

E claro, existe a questão da criatividade inegável da cantora, dos seus “instrumentos” construídos a partir de objetos do dia-a-dia e tal, mas hoje em dia a Björk é muito mais conceitual do que musical. Por um lado, tudo bem, precisamos mesmo de uma lufada de ar na indústria de arte. Por outro, os álbuns dela vêm funcionando cada vez menos como álbuns e mais como projetos grandiosos.

E por funcionar menos como álbum e mais como projetos grandiosos, eu quis dizer que tão chatos pra caralho.

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