O louco e o psicopata

Sit.Com quarta-feira, 08 de agosto de 2018

Recentemente voltei a acompanhar séries como antigamente. Na última semana assisti as temporadas completas de Justiceiro e Happy, além dos novos episódios de Preacher e Wynonna Earp. Pois é, estamos na época em que a maiorias das grandes séries estão em hiato, a gente tem que se virar com o que tem. E apesar de Preacher e Wynonna Earp estarem me agradando muito (Não no mesmo nível, afinal, Preacher é Preacher, né pai?), é sobre Happy e Justiceiro que eu gostaria de dar destaque aqui.

Happy é uma série baseada no quadrinho de mesmo nome escrito por Grant Morrison. Só isso já deveria significar alguma coisa, mas caso você não frague nada mesmo de quadrinhos, basta saber que o cara é um puta gênio e que Happy é algo parecido com um Toy Story dirigido por Quentin Tarantino. Isso comparando mal, porque em anos eu não via algo tão original e corajoso como Happy.

A história segue a vida de Nick Sax, ex-policial condecorado que um dia não aguentou mais o tranco de ser policial em Nova York e quebrou. Perdendo o distintivo, a esposa e a sanidade, Nick afunda-se em drogas e passa a trabalhar com assassino de aluguel. A vida vai bem, se é que você considera matar psicopatas vestidos de animais como bem, até que Nick, após se envolver numa treta com um dos chefões do tráfico de Nova York, conhece Happy, o amigo imaginário de uma garotinha que foi sequestrada por um Papai Noel do mal. A série tem oito episódios, cada um é mais perturbador que o anterior, e foi renovada pra segunda temporada que deve estrear em 2019 e iluminar um pouco quem ficou desgraçado da cabeça com o final da temporada.

Após andar bastante chateado com as séries da Marvel, principalmente as da Netflix, eu resolvi dar uma nova chance e ver aquilo que faltava. Terminei a segunda temporada de Jessica Jones, e achei meio caído esse papo da mãe dela estar viva e também ter super poderes. Depois assisti a segunda temporada de Luke Cage e gostei bastante. E então tomei coragem pra ver aquela que eu fingia não existir, a série do Justiceiro. Mas pra minha surpresa, foi a melhor série Marvel que a Netflix já fez desde a primeira temporada de Demolidor.

Frank Castle está longe de ser um dos meus personagens favoritos dos quadrinhos, mas a série, além de ter a já comum violência extrema do personagem que agrada qualquer um que goste de… Bem, violência extrema, explora muito bem os dramas do personagem e faz até com que entendamos sua psicopatia. Ele perdeu quase tudo o que era importante pra ele e o pouco que restou vive em constante perigo por causa dele. Ele sabe muito bem que o mundo seria um lugar melhor sem ele. Resumindo, Frank Castle é um homem que quer morrer mas não sabe desistir. E é justamente ver o personagem ganhar algo pelo que viver é que faz da série uma das melhores da Marvel na Netflix. Se não for a melhor. Apesar de toda raiva e descontrole, vemos o Justiceiro criar novas amizades, com Microchip e sua família, e até desenrolar seu “romance” com Karen Page (Abre esse teu olho, Murdock). A série me fez ver um Frank Castle humano que nenhum quadrinho ou filme jamais conseguiu.

A única coisa que realmente me incomodou em Justiceiro foi o discurso pró armamento meio disfarçado. E não só por discordar do assunto, mas pela forma tímida que ele foi apresentado. Parecia mais uma mensagem subliminar do que a vontade de levantar a discussão de fato e isso ficou bem estranho, principalmente quando a série deixa claro, mesmo que indiretamente, que o porte de armas tem mais contras do que prós. É como se dos cinco roteiristas, três fossem contra e dois a favor do armamento. O que cês querem afinal? É pra existir um Justiceiro ou não? Enfim, aguardemos próximas temporadas.

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