O Gângster (American Gangster)

Cinema quarta-feira, 06 de fevereiro de 2008

Não sei bem ao certo o que ocorre com O GÂNGSTER, talvez seja o universo explorado por Scott e Zaillian que esteja tão associado ao diretor Martin Scorsese e Francis Ford Coppola, pois são inevitáveis as comparações e, neste quesito, falta um roteiro melhor arranjado ao filme de Scott, o que não prejudica sua exibição, mas acaba gerando outro filme “mais do mesmo”.

americangangster_1.jpg

Como sempre acontece nas produções de Scott, o diretor capricha nos quesitos técnicos, aqui no caso, a reconstituição de época, anos 70, é excelente e a trilha igual. A dupla de protagonistas, Denzel Washington e Russell Crowe, dão conta do recado, e até mesmo, coadjuvantes como Cuba Gooding Jr. e Ruby Dee (exageradamente indicada ao Oscar, somente tem ums 3 ou 4 cenas) auxiliam a contar a história de Frank Lucas, traficante negro do Harlem que trazia heroína do sudeste asiático em caixões de soldados americanos durante a Guerra do Vietnã.

rubyedenzel.JPGProvável cena que gerou a indicação de Ruby

A história por si só já é um roteiro de filme, no entanto, o roteiro de Zaillian (mesmo de A Lista de Schindler) parece ser seduzido pelo “lado negro da Força” do traficante família com ética de Lucas, poupando de um visão mais forte e chegando a glamourizá-lo, frente á figuras, ditas, piores como os policiais corruptos.

gangue.JPGgangue família

A trama separa os protagonistas e cria subtramas para cada um, obviamente, a trama de Lucas é muito melhor explorada e instigante do que a ética caxias e os problemas no casamento do detetive Richie Roberts (Crowe), o que, inclusive, cria um final extremamente forçado, levando os personagens a uma suposta “amizade”. Do universo apresentado pelo roteiro acharia muito mais interessante abordar a corrupção policial (apenas sugerida no bom personagem de Josh Brolin) e o esquema de transporte das drogas que deveria envolver, dizem, o alto escalão da CIA e do exército. Assim como se apresenta, O GÂNGSTER é um bom filme, embora, apenas correto e já datado.

confronto.JPGo confronto poderia ocorrer mais cedo no filme

Indicações de O Gângster ao Oscar 2008

*Melhor Atriz Coadjuvante – Ruby Dee
*Melhor Direção de Arte

O Gângster

American Gangster (157 minutos – Drama)
Lançamento: EUA, 2007
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Steven Zaillian
Elenco: Denzel Washington, Russell Crowe, Chiwetel Ejjiofor, Josh Brolin, Ruby Dee, Cuba Gooding Jr., Carla Gugino, Ted Levine.

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • O fim não é forçado com uma “suposta” amizade. Ele é baseado em fatos reais, e Richie e Frank são amigos até hoje.

  • Ta aí um filme que eu recomendo com força.

  • Segundo o “Gangster Americano e outras histórias de Nova York”, livro do Mark Jakobson que deu origem ao livro, Lucas e Richie conversam até hoje e são amigos.

    O grande mote da história de Lucas, narrada no livro e explorada muito bem no filme por sinal, é o fato de um negro, em época de Direitos Civis e o escambau todo, comandar um esquema de tráfico que nem a Máfia Italiana conseguiu. Sem contar que o lance que é dito no filme, do gangster família e low profile, é quase que um dogma religioso para Frank Lucas até hoje. Não é uma “glamourização”, Lucas apenas usava isso a seu favor, pois sabia que o “ramo” no qual ele “trabalhava” não era o mesmo que, sei lá, ser presidente da GM. Até Don Vito Corleone era um cara low profile.

  • paulo jr

    @Eric
    A questão da suposta amizade que comentei é que no filme ela é apresentada de maneira apressada, sendo que o filme tem mais de duas horas e meia de projeção, tornando-a superficial.
    @Kirp
    Concordo contigo é um filme acima da média.
    @Julio
    A força do filme está mesmo no personagem de Lucas, principalmente por seu papel nos anos 70, tanto que joga a trama do detetive Roberts pra escanteio, e, no caso, da glamourização, digo isto pois mesmo tendo ética e sendo um personagem família, Lucas é o chefe do tráfico, logo, o roteiro parece “amenizar” os crimes de Lucas em virtude de sua pessoa (mérito de Denzel criar um personagem tão carismático ao público).

  • Mas Paulo, o diretor ou mesmo Denzel não quiseram glamourizar o gângster. A história do Frank Lucas é justamente essa, de uma pessoa “amável” que, em seus rompantes, matava o Tango um uma movimentada esquina de Nova York.

    Eu já vi outra coisa no filme, que inclusive nem aparece no livro, que é o caso de dois outsiders (o policial honesto e o trafica nada fanfarrão) que tem seus caminhos cruzados justamente por serem de um mesmo “grupo”. Mas nefim, se todos vissemos o mesmo filme, o cinema seria tão legal quanto Brasil e Irlanda em Dublin.

  • E nefim = enfim, porque a porra do meu teclado é gago.

    *bate ele na cabeça de um dos irmãos, tal qual Frank Lucas*

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