O fenômeno Paulo Coelho

Analfabetismo Funcional terça-feira, 06 de abril de 2010
 Paulo Coelho: O Rei da Literatura Pop

De uns tempos pra cá, um dos esportes preferidos dos brasileiros é meter o pau no Paulo Coelho. Sim, estou generalizando e incluindo-o na bagaça! Mas, não é verdade? Eu não me recordo de ter ouvido alguém elogiar o escritor porra-louca ex-maluco beleza. Eu também tenho minhas críticas e restrições, mas, diferentemente da maioria, tenho argumentos relevantes (Pretensioso, eu?).

A contradição, o paradoxo, a parada que ninguém entende, é o fato de ele ser tão mal-falado e, ao mesmo tempo, tão lido, traduzido, vendido e idolatrado em todo mundo. No Brasil ele também figura frequente nos topos das listas de best-sellers. Será que é a esposa dele que tá comprando tudo nas livrarias? Ou ele tem um esquema fuderoso que forja essas informações em todo nosso modesto 3º planeta do Sistema Solar?

O que posso dizer é que li 3 livros do “Mago” (O Alquimista, A bruxa de Portobello e Brida) e não achei nenhum lixo literário como se fala por aí. Gosto muito de ler tudo que aparece pela frente e não tenho muitas frescuras. Meu parâmetro para considerar um livro como bom é simples, basicamente são esses os, digamos, requisitos:
(a) o livro tem que no mínimo me deixar curioso para continuar lendo-o;
(b) tem que proporcionar algum aprendizado, nem que seja uma culturazinha inútil (Que, convenhamos, todo mundo gosta).

Então, não posso dizer que os livros de Paulo Coelho são ruins. Definitivamente não são os melhores que li. Ainda assim, eles são no mínimo interessantes e não estou falando isso “pra fazer caridade”, não. Em suma, são histórias com enredos simples onde o autor introduz sem cuspe, nem piedade de forma nem um pouco sutil algum conteúdo místico. Dá pra extrair alguns pensamentos legais e até umas reflexões profundas sobre “A Vida e o Universo e tudo mais…” (Salve Douglas Adams!) Mas tem quem não goste disso, às vezes realmente parecem livros auto-ajuda. Resumindo, o cara nem fede nem cheira. É o típico exemplo de ame-o, ignore-o, ou deixe-o. Por isso, da mesma forma que tem muita gente nesse mundão de Deus que acha super legal suas histórias recheadas de citações ocultistas, tem muita gente que acha isso uma buesta. Mas não é só isso.

A maior parcela das críticas é fundada por puro preconceito. Preconceito ao pop.

Se é ruim porque é pop, então será todo Best-seller ruim? É bom lembrar que grandes escritores como José Saramago, Gabriel García Marquéz e Rubem Fonseca sempre estão entre os mais vendidos.

Trocando em miúdos, minha explicação para o aparente paradoxo é a seguinte: muita gente lê Paulo Coelho, muitos gostam e poucos ficam indiferentes ou odeiam, mas esses últimos são uma pequena parte dos que realmente criticam, pois a maioria dos críticos nunca leu e mete o pau por puro preconceito. Repito: Preconceito porque é pop. Claro que, de vez em quando, é bom sair metendo o pau na galera (No bom sentido, digo, no sentido menos doloroso para a maioria) pra pagar de intelectual, mas também é bom argumentar com alguma base, né?

 Raul Seixas e Paulo Coelho

Por último, se ainda houver alguém lendo, reconheço que linguagem utilizada pelo criticado-mor não é das mais cultas e respeitadoras na nossa língua portuguesa tão cheia de frescuras rica, mas a defesa do réu é simples e eficaz: Ele diz que quem o aconselhou a escrever de forma simples e direta para o povo foi o seu amigo, o grande mestre Raul Seixas. Aí tá valendo, né? Ou né não? E só pra não perder o costume… TOCA RAUL!

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  • Állan

    Cara, você falou tudo, o pessoal critica dessa forma, se é pop, é ruim.

    Tenho um exemplo, antes de lançarem Crepúsculo no cinema (bem antes), eu ainda estava no ensino médio. Minha professora de literatura indicou, falou que o livro era bom por isso e por aquilo, argumentos que nem lembro mais. Bem, quase todos da sala leram, a maioria gostou, alguns deixaram quieto, acharam máomeno (meu caso). Passaram-se alguns anos, lançou no cinema, virou febre e o livro instantaneamente virou uma bosta, como um passe de mágica. A coisa se dividiu entre fãs incomensuráveis (como os de Harry Potter) e entre os que odeiam incomensuaravelmente (como os de Harry Potter). Mesmo aqueles que nunca leram o livro e talvez sequer assistiram o filme, falaram que não passava de uma bosta.

    É mais ou menos assim que funciona a coisa. Não estou defendendo, sequer criticando, eu não gostei do filme, mas o livro é ‘legível’, como você disse, ao menos deixa o leitor curioso.

    Nessas horas eu sinto falta dos grunges :(

  • Nunca tinha tido o interesse de ler Paulo Coelho justamente por todo mundo falar mal dele (alguém que usa o esoterismo para vender livros).

    Pra falar a verdade, eu só li O Alquimista, mas tenho que adimitir que achei fantástico. Realmente não é de forma alguma um texto literário, e muito menos é uma leitura dirigida para o “grande público”. Também não é auto-ajuda, prefiro enxergar como uma leitura direcionada para alguém que tenha algum conhecimento em misticismo ou esoterismo. Pode ter certeza que qualquer um desses dois último acha o P.C genial.

  • Se Raul falou, eu acredito!

  • Isabella Santos

    Admito que nunca li Paulo Coelho, mas não por ser pop (já que eu gosto de coisa pop) e, sim, pelo fato de os críticos dizerem que os livros dele tratam de esoterismo e misticismo, o que não desperta muito o meu interesse…
    Mas também acho muito preconceituoso isso de criticar algo apenas por ser algo que agrada ao “povão” quando, na verdade, o que todo autor quer é que seu livro vire best-seller!

  • Talvez seja crucificada e tal, porém, tenho que dizer: Gosto de Paulo Coelho.
    Já li vários livros dele, e tal.
    Não o considero um escritor digno da ABL, achei exagero a indicação dele a uma cadeira.
    Ele é um escritor mediano, as histórias que ele escreve são otimas para se passar o tempo e possuem um toque de misticismo muito interessante. Claro que não pode ser dito como um clássico, mas é um bom best seller.

    As criticas geralmente vêm, não de literatos, até mesmo pq se fosse assim, P. C. não seria membro da ABL. Mas sim de pessoas cult que lêem livros “dificeis” e não entendem nada, mas q fingem entender alguma coisa, e criticam pq não devem compreender a dificil linguagem de P. C., e não se conformam que pessoas normais consigam isso. ^^

  • Eu li dois livros dele que achei fantásticos: Veronika decide morrer (que virou filme mas ainda naum tive coragem de assisitir) e 11 minutos, esse eu naum achei com muita conotaçaum espiritual, mas bastante sexual. Li umas 3 vezes cada, e pra mim o melhor do PC eh q ele escreve realmente de um jeito simples, naum fica tentando ser intelectualoide usando palavras dificeis. E tenho a mesma opinião sobre Crepúsculo q o Allan, soh q diferentemente eu gosto dos livros, me viciei antes de virar modinha e irrita as pessoas t olhando com cara de OOOOOOO quando digo q gosto, jah q naum sou mais nenhuma pré-adolescente cheia de espinha…

  • PedrO Bernardo

    Tinha um rapaz na minha sala metido a intelectual.
    Ele só queria aparentar ser intelectual pros outros: Dizia gostar de Beatles, Elis Regina, Carlos Drummond e falava que Paulo Coelho era uma merda.

    Resolvi pedir emprestado a uma menina um livro do autor, ‘Veronika Decide Morrer’. É uma leitura tranquila, bem simples. A conclusão que eu tirei é que fica muito puxado pra auto-ajuda, deixando os personagens muito superficiais em função da mensagem central do livro (não se suicide, aproveite o que há de bom na vida!).

    É um bom começo pra quem não é acostumado a ler muito, assim como Harry Potter, Crespusculo e etc.
    Quem ja é um leitor maduro não achará uma obra prima, mas não necessariamente ache ruim.
    Mas essa é apenas uma opinião pessoal de quem leu apenas um livro do autor.

    Mais tarde fui saber que meu coleguinha intelectualoide nunca tinha abrido um livro sequer do Paulo Coelho.

  • Michely

    Adorei teu texto Jorge. Realmente as críticas a respeito do autor são mais que evidentes, são escancaradas.
    Quando estava entre e 5ª e a 8ª série li vários gêneros literários, desde Sidney Sheldon, a Jorge Amado, Luis F. Veríssimo, Robin Cook, Oscar wilde…
    Eu li uns quantos livros de P.C. e eles também me interessaram.
    Acho que atualmente a grande fábrica de autores e de livros tornou tão banal a literatura que tudo se curte, tudo se critica, tudo ou se odeia ou se é fã…
    Mas por que não podemos ler, comentar e simplesmente deixar o louvor para os fãs, e esquecer o ódio?!?!?!

    “É o típico exemplo de ame-o, ignore-o, ou deixe-o.”

    Infelizmente acho que muitos fazem um pré conceito não apenas dele, mas de uma variedade de coisas na vida.
    Vou continuar lendo o blog!
    Abração

  • Total… É mais ou menos isso que eu sinto com relação a ele mesmo. É bem verdade que faz muito tempo que não leio, e nem tenho muita vontade de reler, mas ainda gostaria de ler O Alquimista pra ver qual que é. Eu já li:

    Brida
    Veronika Decide Morrer
    As Valquírias
    Diário de um Mago
    Nas margens do Rio Piedra sentei e chorei…

    Acho que foram esses só…

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