O Fenômeno Hotel California

Música sexta-feira, 12 de abril de 2013

Recente, minhas idéias para textos ficaram um pouco… Digamos, científicas. Identifiquei dois fenômenos de amplo entendimento, que todos compreendem, mas que talvez ninguém antes tenha sintetizado em textos (Ou pelo menos eu quero me sentir pioneiro, leave me alone). Eles se referem à música e ao cinema/televisão, respectivamente. São o Fenômeno Hotel California, que eu mesmo batizei, e a Síndrome de Spock. Hoje falaremos do primeiro. Pessoas perguntarão: Por que Hotel California? De onde o Kirk tira essas coisas? Como eu vim parar nesse site depois de escrever “pink dildo” no Google? Para compreender estas e outras questões metafísicas, vem comigo.

Hotel California, como os mais espertos devem saber, é o nome de uma música da banda The Eagles. Era a faixa principal do álbum de mesmo nome lançado em dezembro de 1976. O single da música ganhou o disco de ouro por um milhão de cópias vendidas e rendeu à banda o Grammy de 1977. Hotel California também foi listada a 49ª melhor música de todos os tempos pela Rolling Stone, o 8° melhor solo de todos tempos pela Guitar Magazine e votado o melhor de todos os tempos pelos leitores da revista Guitarrist (fonte: Wikipedia). Tá, certo, cês já sabem que é uma puta música boa. Tão, mas tão boa, tão pica das galáxias, tão reconhecida, que os Eagles nunca conseguiram e nunca conseguirão superar isso. Tudo que eles fizeram foi, é e continuará sendo comparado com Hotel California. E vai perder feio, por que os Eagles criaram um monstro. Sim, já deu muito dinheiro pra eles, mas mesmo assim um monstro. Eles sempre serão apenas e tão somente essa música. Outra música dos Eagles? Jamais. Não existe esse bicho. Não foi catalogado.

 Bem vindo ao Hotel California…

Agora, óbvio que eu estou exagerando. Há muito mais músicas deles. O álbum Hotel California mesmo tem mais oito delas. O problema é que quase NINGUÉM as conhece e pior ainda, quem conhece não se importa, por que sinceramente, elas são inexpressivas. Talvez a menos desinteressante, pra mim, seja a segunda faixa – e mesmo assim eu estou forçando a barra um tanto. Depois disso é só descendo o morrinho até fazer o ouvinte corajoso preferir ler um livro. Claro, quando eu disse que ninguém conhece confesso que tem um pouco de analfabetismo musical nisso, de falta de vontade. Aliás, eu mesmo já falei disso nesse texto. O que fode o coreto é que mesmo depois que cê tem o trabalho de ir atrás e baixar o disco, cê descobre que enquanto Hotel California é nota 10, as outras são nota cinco, no máximo. Parece que os Eagles jogaram a criatividade da vida toda nessa única música.

E como seria, então, esse fenômeno aplicado a outras banda e canções? Bom, quase sempre um misto de falta de informação do público e falta de criatividade (Ou de sorte mesmo) das bandas. A diferença aqui em relação ao que falei no texto do link acima é que o problema está mais nas bandas do que nos infelizes que não sabem pesquisar e conhecer o trabalhos dos artistas. Pra vocês entenderem, vejamos o Creedence: Muito bom, mas muita gente só conhece Have You Ever Seen The Rain. E não é culpa da banda. Eles tem uma pá de música legal, é só ir atrás. Nos Eagles não. Nenhuma que eu ouvi até hoje rivaliza com Hotel California. É como se eles tivessem feito um pacto com o capeta pra ter esse puta sucesso, mas só ele. Um caso similar: Dust In The Wind. Junto com Carry On My Wayward Son, são as músicas mais conhecidas do Kansas (A primeira principalmente). Aí lá foi o Kirk baixar três álbuns da banda pra ouvir, na esperança de encontrar mais pérolas geniais. Frustração. Me faltou até paciência pra ouvir. É tipo, uma pilha de inexpressividade intercalada por Dust In The Wind. Confesso, entretanto, que alguma são quase legais, dá pra ouvir, mas nada chama atenção. Percebam, o absurdo do Eagles e do Kansas é o abismo que tem entre as músicas mais famosas deles e as que estão entranhadas nos álbuns; as primeiras são criativas, emocionantes, e as últimas são apagadas, com poucos atrativos. Não me atrevo a falar do que não conheço, mas suspeito que coisas assim sejam muito comuns na indústria musical. De repente, metade daquelas bandas e artistas dos anos 80 com apenas uma música famosa são assim por que o resto é uma porcaria (Quem tiver exemplos, favor mencionar nos comentários).

Mas me ocorreu agora que a culpa disso às vezes pode ser fortemente atribuída à fodalidade da música mais famosa, ao seu sucesso, que como uma luz forte apaga tudo que tem em volta. Vejam o caso recente do sul-coreano Psy. Tenho a suspeita de que ele vai ser definido por Gangam Style por toda a eternidade. Sério, esse cara nunca vai fazer nada melhor do que um bilhão de visualizações no YouTube e tudo o mais. Ele vai ser refém do passinho do cavalo até morrer. Mas… Será que ele tem outras músicas? Será que elas são boas? A pergunta fica no ar. Talvez ele seja a manifestação mais recente do Fenômeno Hotel California.

Vida longa e próspera.

Leia mais em: , , , ,

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Suzi

    O Psy tá lançando música nova hoje… mas a prévia que circula por aí já diz que sim, ele engrossa essa fileira de um sucesso só.

  • Olha, eu não gosto de Eagles, nem de Hotel California, mas pelo que eu sei eles fizeram bastante sucesso, não apenas pela famigerada música. Principalmente os primeiros discos, eles são considerados no mínimo bons.

    Quando se atinge o ápice só o que resta é a decadência? Acho que não, bandas conseguiram lidar com exuberantes sucessos por muitos anos. Pode ser que não repitam mais o topo, mas pelo menos que fiquem próximo. Não há por que despencar.

  • TRÓU

    Só gostaria de avisar que todos os resultados para “pink dildo” pareciam muito mais interessantes que esse artigo, mas vamo que vamo.

    Desperado é decentezinha. Música pra dormir, mas mesmo assim.

    E acho que hoje em dia “artistas” pouco se importam com a questão da arte. Ter feito um sucesso como Gangnam Style deu ao Psy uma quantidade de dinheiro que ele levaria décadas pra conseguir com músicas de relativo sucesso. Ou seja, menos trabalho por mais dinheiro. E com certeza ele conseguiu muito mais notoriedade do que ele conseguiria com uma vida de músicas de relativo sucesso.

    Até onde música e fama vão (e arte não vai), bom pra ele.

  • Julio Kirk

    Sim, deu uma quantidade enorme de dinheiro e esse nem de longe é o problema. Aliás, os Eagles ganharam (e ainda ganham) uma quantidade imensa de grana. Só que Hotel California é uma coisa que não tem igual na carreira deles. E eu citei o Creedence pra comparar por que eles têm pelo menos uns dez hits que fizeram muito sucesso. A pergunta é: Por que só uma música? Ou mais, por que tudo que eles fizeram nem chega a arranhar o pedestal onde Hotel California está? Me parece pobre, sempre pareceu, de um ponto de vista artístico.

  • Julio Kirk

    De novo, como eu deixo claro no texto, ganhar dinheiro não é o problema. Até o Naldo, o novo cantor brasileiro de música pop com cara de pedreiro, ganha dinheiro com os sucessos dele. A discussão que o texto abre é de ordem artística. Trocando a minha resposta pro outro sujeito ali, essa e o texto em miúdos: Quando se atinge um ápice estrondoso e repentino, um problema se cria. Como superar isso? Por que acontece? Como ser outra coisa se não aquela única música (ou únicas)? Todo trabalho que você lançar vai ser fatalmente comparado com seu sucesso e se não for outra Mona Lisa musical, a crítica vai te triturar. E mesmo que isso não aconteça, as pessoas vão ouvir seus trabalhos novos e dizer “não são que nem aquela música”. É preciso força pra superar seu próprio monstro de sucesso. É preciso um esforço enorme pra continuar produzindo coisas nesse novo nível que você mesmo criou. Uma banda que fez e ainda faz isso é o Red Hot Chilli Peppers (lembrei agora). Depois de Californication, eles podiam ter sentado a bunda nos seus sofás de ouro e vivido daquele álbum. Mas eles foram e lançaram mais uma pá de músicas ótimas. Enfim.

  • Ou, onde eu falei de dinheiro cara?

  • Julio Kirk

    “mas pelo que eu sei eles fizeram bastante sucesso” = dinheiro aos montes

  • Não, isso é licença poética sua.

  • Enfim, é um artigo de opinião, é redundante eu falar que isso é subjetivo. Mas por exemplo, eu acho essas tais grandes músicas que você colocou um porre. Dust in The Wind, Have you never seen the rain, e todas. O que elas fizeram foi sucesso. Não quer dizer que elas são boas. Hotel California é a música mais chata da história, pra mim.

  • luizbarret

    Faltou citar The Final Countdown do Europe.

  • Pedro

    Eagles é a banda que mais vendeu, na história, discos nos estados unidos. Duvido muito que seja só por hotel california. Ela pode ser bem acima da média mas o resto das músicas deles tem um “tchan” específico deles, talvez vc simplesmente não curta. Eu por exemplo não vejo graça em velvet underground e sonic youth mas eu não falo nada pra n causar discordia.

  • Não. Eagles é a banda AMERICANA que mais vendeu discos na história dos EUA.

  • Julio Kirk

    Não, ela é UMA DAS que mais vendeu discos. Nos anos 70 é que era a banda americana que mais vendeu. E sim, eles tem outras músicas de sucesso. Aliás, tem outras que são legais, que venderam, claro. Mas o ponto, o centro do texto todo e que você não deve ter entendido é que nada na carreira deles parece ter sido maior ou igual a Hotel California. Dentre os 20 discos mais vendidos no século XX, dois são do Eagles: Um de Greatest Hits e… Advinha, Hotel California. E também que no referido álbum, a música não só dá nome pra ele mas o carrega sozinha, já que as outras são inexpressivas. É só isso. Eu não escrevi física quântica aí em cima não, brother.

  • Pedro

    Talvez vc que não tenha entendido meu comentário. Não estou discutindo nada que vc falou, só estou dando uma informaçãozinha semi-relevante que talvez vc não soubesse pra aumentar o texto. Tente ler o comentário imaginando um outro tom de voz ;D

  • Pedro

    sabe de nada vc em cara. Diz ai o que vc gosta só pra dar contexto. Lady Gaga ou black/death metal?

  • É, tipo isso um pouco. Rihanna e Brujeria, Lady Gaga e Carcass. Dobradinhas para meu dia sair perfeito.

  • Ah! Esqueci de te parabenizar cara, você deveria trabalhar com RH traçando perfis para contratação dos funcionários de grandes empresas, já que você descobriu tanto de mim com tão pouco, imagino o que você faria com um questionário completo. Genial.

  • Pedro

    Observem galera: sarcasmo realmente é para poucos!

  • Marina Oliveira

    Ah, você botou em palavras algo que eu já pensava . Pra mim são as bandas uma música só. Eagles com hotel Califórnia, A-ha com take on me, rammstain com amerika. Essas bandas tem várias outras músicas ótimas, mas nunca mais conseguiram “explodir” como explodiam com essas respectivas músicas. São músicas que marcaram tanto, que tudo que veio depois foi subestimado.

  • Julio Kirk

    Rammstein eu conheço, eu posso dizer que já é um caso mais de falta de conhecimento por parte da galera mesmo.

  • Pedro

    cofcof “du hast” cof

  • Aline

    Concordo com essa de ‘bandas de um sucesso só’, mas também tem o lado que muita gente só ouve os singles e pronto, não corre atrás. Tem banda como o Creedence, que como vc disse, é conhecida por Have You Ever, mas que quem curte e vai atrás tem álbuns fantásticos. Já cacei coisas do Kansas tbm, e odiei tudo que ouvi. Acho que no fim é mesmo uma questão da banda não conseguir criar coisas tão boas quanto o primeiro single lançado.

busca

confira

quem?

baconfrito