Música é para pensar?

Música quarta-feira, 25 de abril de 2012

Música é a única forma de arte que aos meus olhos pode ser considerada universal. Todo mundo, independente da idade, nacionalidade, time do coração, banhos tomados na semana, escuta música. Claro, existem as pessoas que são realmente apaixonadas por ela e existem aqueles que a usam como pano de fundo para seu dia a dia. Mas o importante é: TODO MUNDO gosta, sem exceções, e quem não gosta tem um parafuso a menos.

Olhe as festas que frequentamos, por exemplo: Nós escolhemos qual frequentar, ao meu ver, influenciados por três fatores: Música, companhia e se vai ser ou não open bar. Você vai numa festa que tem música que não gosta se for open bar, ou se a companhia for boa, mas nunca se um desses fatores não operar junto, agora você iria facilmente em uma festa que toca música boa mesmo que não tenha companhia ou bebida liberada, eu sei que iria. Então posso afirmar sem sombra de dúvidas que a música é o principal meio de diversão da maioria das pessoas. Claro, para dar mais credibilidade a isso eu deveria fazer uma pesquisa e tudo mais, porém como eu sou mais apto do que você para falar sobre seus próprios gostos você acreditará em mim.

A grande diferença entre as pessoas está naquilo que elas ouvem. Há gente que gosta de rock, há gente que gosta de ópera, há gente que gosta de pop ou sertanejo. E infelizmente ai existe uma diferença qualitativa. Os bons defensores do comportamento politicamente correto irão discordar, os sociólogos e antropólogos irão discordar (E olha que eu serei desse clubinho em breve), o papa irá discordar, mas existe sim uma diferença qualitativa na arte. Não estou falando que arte erudita é superior a arte popular, ou o que o valha, mas existe sim música boa e música ruim e isso não é apenas subjetivo.

Primeiramente, vou assumir aqui uma coisa: Cultura de massa não faz muito bem, porém tenho total consciência que sou consumidor deste tipo de cultura. E você menino bobo também é. Não precisa se achar o fino da bagaça porque conhece todos os discos do Pink Floyd de frente e de trás, ou porque você nunca escutou um funk na vida. Floyd é tão massificado quanto Luan Santanna (Na verdade, muito mais). E isso não tem como escapar. Você escuta música que faz mal pra sua vida de um jeito ou de outro. Eu digo isso pelo seguinte fato: Toda produção artística feita na lógica da massificação tende a homogeneizar grandes parcelas da população, perdendo-se assim um pouco da riqueza proporcionada pela diversidade cultural, e de maneira geral, fazendo com que se perca a capacidade reflexiva decorrente da apreciação artistica. “Como assim?”, você se pergunta. Simples: Quanto mais pessoas escutam aquilo, mais elas agem de acordo, mais elas vivem daquele modo e a música tem um poder enorme de homogeneização, meu caro. Ou seja, você não vê diversas pessoas indo para uma micareta sertaneja usando camisa xadrez apenas porque está “na moda”, o xadrez tem a ver com o modo de vida daquelas pessoas, pois tem relação com o modo de vida do artista que lançou aquela moda.

Dito isto, seremos capazes de dar o pulo do gato. A música homogeneíza as pessoas, faz com que elas ajam e pensem igual, certo? Certo. Porém você prefere que elas achem que a balada é o lugar mais importante do mundo ou que elas pensem o quanto é ruim estar sozinho num mundo cheio de pessoas? Você prefere que as pessoas sejam da cultura do “novinha você tem direito de sentar” ou possam refletir sobre, por exemplo, a atuação da polícia? E isto não tem relação nenhuma com o estilo propriamente dito. Não é porque é funk que sempre tem de ser vulgar e não é porque é samba que é o fino da crítica social. Porém, acontece que na maioria das vezes o estereótipo de certos estilos se confirmam. E ai que está a diferença qualitativa entre eles. Quando a parcela hegemônica de um estilo massificado é pelo menos sensivelmente mais reflexivo do que o dos outros, ele serve melhor a nossa capacidade de ler o mundo. Dito isso, é possível estabelecer um valor social maior ou menor a diversos tipos de música que inevitavelmente irão nos influenciar. A massificação se torna um problema quando as pessoas se deixam levar por fenômenos alienantes, que não contribuem para nada para sua emancipação como sujeito.

Claro, não que as pessoas sejam obrigadas a serem reflexivas, afinal, ignorância é uma bênção.

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  • ótimo texto.

  • Arthur Arantes Souza

    Valeu cara!

  • Allyne

    Parabéns pelo texto, muito bom. Realmente, existe sim música ruim e música boa e determinados estilos te levam a pensar, e outros a ser um idiota. E não, não existe essa porcaria de que ‘tudo é relativo’, depende do meio em que a pessoa viva, como foi criada ou o diabo que for…

  • Arthur Arantes Souza

    Eu concordo. Na verdade eu até me considero um relativista cultural, mas apenas com relação a outras culturas, por exemplo, indígena, ou da França, mas dentro da cultura nacional eu me sinto no direito de poder criticar e hierarquizar o que é bom e o que é ruim.

  • Allyne

    Pois é, a gente vive num país que Kuduro e Ai Se Eu Te Pego é cultura. E o povo vem dizer que a gente é que não aceita diversidade na música. Meu, isso não pode ser considerado música, não há nada relativo! É ruim e ponto.

  • Clayton Slayer

    Genial. Um dos melhores textos do Bacon nos últimos tempos. Na minha opinião, as músicas que ouvimos geram comportamentos, ou pelo menos os modificam. E acho muito difícil quem OUVE música se debandar para estilos inferiores (Ouve de verdade, não usa como BG).
    Quem se acostuma com filé não vai mais querer muxiba. A maioria dos fãs de estilos populares não prestam atenção nas músicas que escutam. São aquelas pessoas que dizem que “gostam de tudo”. Quando escuto isso, ouço: não gosto de nada. 

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