Mickey Mouse e a condição humana gamer

Nerd-O-Matic quinta-feira, 19 de março de 2009

E agora… para algo completamente diferente.

O inesperado, pimpolhos. Coloquem o inesperado em suas vidas. Suas vidas feitas de mentiras e ilusões. Um Castelo de Ilusões. Castle of Illusion starring Mickey Mouse.

É um jogo espetacular. E isso já se anuncia na primeira fase, quando você percebe que as bundadas utilizadas pra matar os inimigos podem ser sincronizadas, de forma a você atravessar a fase toda BUNDEANDO os inimigos cogumélicos, que na verdade parecem pênis gigantes. Sim, formem essa imagem nas suas mentes: Mickey, the mouse, caindo de bunda em cogumelos-pênis gigantes e assim progredindo de forma homoerótica até o fim do estágio. Sexy. É assim que TODOS NÓS fomos formados no mundo gamer. Por isso que hoje em dia cês são tudo viado e a Bel é mais macho que todos vocês juntos.

Mas e o Mickey? O Mickey recolhe o quê durante o jogo todo? Maçãs, eu vos digo. Ele colhe maçãs. Pulos e quedas infindáveis ao longo do jogo, sempre atrás das maçãs. A MAÇÃ, esse algoz da humanidade, o representante do pecado original, o presente da cobra para Eva, essa traíra da humanidade. A busca incessante de Mickey pelo pecado. Vocês não entendem porque são obtusos, mas é uma metáfora da condição humana, onde nós estamos sempre atrás da satisfação imediata e, portanto, pecaminosa. Castle of Illusion é um jogo muito humano, é uma fábula moderna que conta a história contemporânea dos pequenos seres que somos. É uma alegoria dos tempos atuais, onde a juventude gamer está em busca apenas do prazer instantâneo, nenhum jogador tem mais a capacidade de adiar seu prazer. Porque se já na primeira fase você não tem alegria e satisfação, você desliga o console e passa pro outro jogo. Você não insiste, você não persiste, você não procura ver o que os desenvolvedores prepararam pra você nas outras fases. Hedonistas imediatistas, vocês são a espinha dorsal da praga chamada casual gamer. Seu ídolo é o Wii, sua religião é o Cooking Mama. Vocês me envergonham.

Saímos dos pênizes gigantes e caímos na fase das teias e das aranhas. Minha cobra vai comer sua aranha. A aranha peluda, o representante universal da vagina, essa devoradora de pênizes. A busca metafórica pelo pecado toma forma numa fase completamente povoada por representações de vaginas peludas e teias que nos prendem ao jogo. Não há maneira de escapar, você está inapelavelmente preso ao pecado, grudado na teia, sem possibilidade de fuga. Porque essa é SUA condição, seu pecador.

E em seguida, OH, em seguida, um interlúdio com ÁRVORES GIGANTES, como enormes PÊNIZES, grandes troncos roliços por onde Mickey passa dando bundadas. OH, troncos de CARVALHO, que para CARALHO apenas lhe sobra um “V”. Esse representante do pênis onipresente, de um mundo que era masculino e dominado pelo pau, mas que atualmente se encontra em desalinho, perdido em sua masculinidade. WII EU TE CONDENO. Você nos traz jogos gays e condena os gamers a uma existência povoada por jogos bichas. Mas pra quê culpar o Wii, se ele é apenas um representante da demanda moderna? Essa demanda muito humana do prazer imediato, esta demanda que deixa de lado as sutilezas, o jogo da sedução, o approach, o flerte, a lentidão, o setting, a construção do cenário, a expectativa, o tesão? Sim, vamos ao finalmentes, vamos às aranhas e aos carvalhos, vamos pular de um para o outro, o resto é perda de tempo. Vamos, rápido, que eu não tenho tempo a perder.

E a próxima fase? CERTAMENTE a putaria deve acabar. Não, eu vos digo. A putaria não tem fim no castelo das ilusões. Pois a putaria é feita de ilusões, de promessas não cumpridas, de momentos enganosos. Vamos à CAVERNA. O que existe de mais vaginal do que uma caverna? Um luga escuro e apertado (com exceção da sua mãe) onde você entra e não sabe bem o que vai encontrar. Um buraco úmido, por onde Mickey se esgueira, um buraco povoado por… novos tipos de penizes, é claro. Os penizes povoam a caverna, se movimentam muito à vontade lá dentro, é seu habitat natural.

E então chegamos ao primeiro chefe. O não-respeitável primeiro chefe. Todos os primeiros chefes de jogos precisam ser fáceis, pois senão os jogadores noobs desistem de jogar, isso sempre foi assim e sempre será. A humanidade foge das dificuldades, a humanidade precisa de uma canja. A humanidade é café-com-leite. A humanidade é noob. A humanidade só sabe jogar Cooking Mama. Pois o primeiro chefe é um… pau que rola. RÔLA. Uma RÔLA que RÓLA. Uma rôla rolante que bate no carvalho e derruba… nuts. “Nuts” é a palavra inglesa pra denominar as BOLAS DO SACO. Então, nós temos um Mickey dando bundadas numa rôla e tentando escapar das bolas. Eu não consigo pensar em algo mais homoçecsual, cês me desculpem.

E isso é só a primeira fase. O resto também é ilusão. E vocês continuam acreditando.

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