MC Maromba

Música segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Não, você não está louco, o mundo não está acabando e eu não estou sob a mira de uma arma. Este é um texto sobre funk. É isso mesmo. Ou você achou que depois do Bacon Frito se render ao BBB, à Fazenda e ao UFC, nós não iríamos escrever um texto elogioso sobre um cantor de funk? Ah, quanta inocência.

MC Maromba, ou Mano Maromba é, segundo a mim mesmo, o maior cantor de funk da história deste país desde o mítico MC Serginho. Sua música transformou toda a estrutura do estilo, conseguindo fazer com que eu, amante das artes eruditas, me rendesse ao charme da música carioca.

Brincadeiras a parte, assim como o dito Serginho, Maromba se destaca pelo o humor das suas músicas. Seus três hits, Lindo de bonito, Quem é o teu homem e Beija, sarra, abraça, aperta estão definitivamente entre as três maiores pérolas do humor nacional contemporâneo, e todos com mais de 1 milhão de visualizações no Youtube.

Por mais que una música e humor acredito que, chute meu, Maromba não faça funk apenas pela facilidade de escrachar típica do estilo. Apesar de Quem é o seu homem ser obviamente uma sátira ao funk ostentação, MC leva a música a sério, e provavelmente encontra no gênero campo mais fértil para desenvolver sua criatividade. Sem contar que a produção dos clipes é muito boa. Segundo li por aí nas internets, Maromba é estudante de cinema, nativo da Baixada Fluminense.

Uma das coisas que chama mais atenção no figura é seu estilo meio hipster que destoa completamente do funkeiro padrão. O funk é um ambiente marcado por uma estética específica vinculada ao modo de ser do negro, com influências americanas mas tipicamente brasileira. Este rompimento é bastante interessante, principalmente pelo fato dele ser o único do seu staff a não fazer o gênero. A quebra do paradigma sem dúvidas é proposital e a oposição do seu estilo com seus contrapartes é milimetricamente planejada, passa uma mensagem de que o funk não é apenas música de negro e favelado, mas que é um estilo brasileiro universal. Não acho que ele o faz pejorativamente. O negro, o morro, elementos típicos ainda estão ali, pois o mérito da criação é deles e ninguém jamais vai lhes tirar a coroa. A mensagem não é que a música agora é do branco, portanto válida, mas sim de que o branco não deve estranhá-la.

Ultimamente eu tenho refletido bastante sobre a oposição entre bom e ruim na indústria cultural, sobre o que pode ser considerado como válido culturalmente e o que é lixo. Assim como outros estilos negros, o funk é uma música marginal, vinculada à mediocridade e a depravação. O blues, o jazz, o samba e o rap carregavam o mesmo estigma e o funk vem passando pelo mesmo processo de aceitação social que estes outros. MC Maromba foi o cara que abriu meus olhos, e me fez refletir. E pode ter certeza, as coisas não possuem valor em si, o valor é sempre atribuído socialmente.

Não posso deixar passar, entretanto, que o conteúdo das músicas é por vezes machista, levemente opressor. Por mais que entenda o humor por trás, não é algo que eu vá apoiar. Feita a ressalva, assista os clipes e tenha bons minutos de diversão:

Lindo de Bonito

Música que fala da hipocrisia existente no relacionamento. Segundo o filósofo, o namoro é uma troca de favores, intitulado de “O bonde do joga sujo”.

Quem é o teu homem

Sátira ao estilo ostentação, este clipe é extremamente engraçado. Todos os elementos estão ali: Mulheres de biquíni, bebidas e carros, entretanto tudo escrachado. As mulheres não estão no padrão de beleza (Apesar de belas) do funk ostentação, o carro é um Gol dos anos noventa e a bebida é Dolly, aquele do Dollynho, seu amiguinho, com direito a estouro no final.

Beija, sarra, abraça, aperta

Esta canção é um conto sobre um cara que ainda pega a ex, mesmo ela possuindo um namorado, que no popular, serve de microondas. Para mim é a música mais engraçada. O clipe é impagável.

Fica a promessa aqui de que tentarei entrar em contato com o MC para uma entrevista para o Bacon Frito, vai que cola, né?

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