Maus (Pantheon Books)

Bíblia Nerd sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Em cerca de duas semanas, o mundo comemorará o fim do maior conflito armado do séc. XX. Em 2 de setembro de 1945, a Segunda Guerra Mundial encontrou seu fim, deixando em seu caminho um saldo de aproximadamente 73 milhões de mortos, entre civis e militares. Obviamente, como o ser humano gosta mesmo é de desgraça e dinheiro, temos inúmeros subprodutos midiáticos visando lucrar em cima dessa carnificina, que variam de livros (O Diário de Anne Frank, por exemplo) a filmes (Bastardos Inglórios, O Julgamento de Nuremberg, A Lista de Schindler etc.).

Devido ao preconceito com esse tipo de mídia, os quadrinhos nunca tiveram muita atenção, ainda mais para falar de algo considerado sério como a Segunda Guerra Mundial. Até que, em algum dia remoto nos anos 70, Art Spiegelman resolveu transformar a história do pai, Vladek, em uma HQ com conteúdo semiautobiográfico. E é aqui que a história começa.

O livro/HQ não segue uma linha de tempo direta, alternando entre duas fases: as histórias contadas por Vladek sobre a vida antes e durante a guerra, e a vida de Art com a família no bairro de Rego Park, em Nova York. Vladek, um judeu polaco, também “narra”, durante o decorrer do livro (geralmente em diálogos com Art), a luta pela sobrevivência no final dos anos 30 e a sequência de eventos que o levou a se tornar o prisioneiro número 175113 no campo de concentração de Auschwitz.

Durante a HQ, o autor aborda a relação dele com o pai, complexa e, não raramente, tortuosa. Um dos exemplos mais evidentes é o preconceito de Vladek em relação a negros, apesar da experiência com o anti-semitismo. Outros mimos de personalidade são mesquinhez (Alerta de clichê) e uma tendência de fazer todos ao redor dele infelizes, incluindo a primeira esposa, Anja (mãe do autor, que suicidou-se), e a sucessora, Mala, ambas sobreviventes dos campos de concentração. A personalidade de Vladek muda drasticamente depois de sair de Auschwitz, onde ele era engenhoso e compassivo, para se tornar a versão judia do Dr. Gregory House.

A obra se divide em duas partes, “My Father Bleeds History” e “And Here My Troubles Began”, que posteriormente foram juntas num só volume. Outra coisa interessante de se observar é o modo de personificar cada nação/etnia: Judeus são retratados como ratos (Maus, em alemão), alemães como gatos, estadunidenses são cães, britânicos são peixes e os russos, como não poderia deixar de ser, são mostrados como ursos.

A arte é completamente em preto e branco, com um traço simultaneamente simples, detalhado e rico. Devido à sua crítica social, Maus já foi agraciado com uma dezena de prêmios, entre os quais o Pulitzer e Eisner (1992). Pra quem gosta de história e cultura de outros países, é um prato cheio. Quase pensei em dar 9 devido à minha implicância em geral com animais ou objetos antropomórficos. Mas, dessa vez, relevarei isso e gritarei com todas as forças de meus pulmões: VAI LER MAUS, VAGABUNDO!

Maus


Maus: A Survivor’s Tale
Lançamento: 1972
Arte: Art Spiegelman
Roteiro: Art Spiegelman
Editora: Pantheon Books

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  • Caio

    “inúmeros subprodutos midiáticos visando lucrar em cima dessa carnificina” “O Diário de Anne Frank” “Bastardos Inglórios”

    Tentando compreender…

  • Pizurk

    @Caio
    Sugiro parar de faltar às aulas de interpretação de texto. Ou explicar qual é o problema, já que eu não vejo nenhum.

  • sandrine

    “para se tornar a versão judia do Dr. Gregory House”. Bah, fantástica comparação!
    É fisicamente doloroso ler Maus, pelo menos pra mim foi. Uma história muito bem construida.
    Parabéns pela resenha, Guten :)

  • Monica Calabria

    Eu ia comentar numa coluna dessa semana para falar de Maus aqui, mas antes decidi dar uma olhada pra ver se já não tinham feito e como esperdo, já rs.Adorei esses quadrinhos, achei um tapa na cara, sem lero lero e muito bacana de ler.Amei!

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