Luzes, câmeras, Beatles

Primeira Fila sexta-feira, 05 de junho de 2009

Sabe desses filmes que você procura a vida toda, mas cê não consegue encontrar em nenhum lugar? Os filmes dos Beatles eram desses pra mim. Mas eis que há algumas semanas encontrei TRÊS de uma vez e me endividei pelo resto da vida que minha mãe não leia isso ao compra-los. Depois de enrolar por motivos aleatórios, assisti os dois que não tinha visto ainda hoje. Apesar de me ter me decepcionado com um deles, valeu a compra porque sou fanática e não ia conseguir dormir se não tivesse levado meus bebês pra casa pra cheirar a capinha são itens de colecionador.

 Em português: iê, iê, iê.

A Hard Day’s Night foi o primeiro filme do Fab Four. Lançado em 1964, 1 ano depois do lançamento dos dois primeiros albuns de estúdios, o filme começa com os rapazes correndo tresloucados das famosas fãs da época da Beatlemania. Aquela cena é real, dizem, apesar de eu achar bem estranho os caras sorrirem pra câmera no meio duma perseguição. Me engana que eu gosto que eles já não andavam com guarda-costas até os dentes desde aquela época. Histórias de bastidores a parte, o filme viaja sobre um dia corrido na vida dos Beatles. Eles tem que viajar até nãoseionde pra gravar uma apresentação pra TV e tudo correria bem se não fosse o avô limpinho do Paul, um véio que não consegue ficar quieto nem amarrado. Fora que os Beatles fogem, e muito, daquela imagem de bons meninos que insistem em divulgar até hoje. Como se um cabelinho bem cortado fosse sinal de angelicalidade…

O filme é todo em preto e branco, apesar de já terem inserido as cores no cinema décadas antes do lançamento do A Hard Day’s Night. De qualquer forma, funcionou bem. O quarteto de Liverpool faz exatamente o que é proposto pela sinopse: (re)viver a Beatlemania. O filme não foi feito com o intuito de ganhar um Oscar ou entrar nos anais da dramaturgia, mas sim pra agradar os fãs da banda. E assim são passados 88 minutos de humor e tiradinhas dos rapazes, que são bem mais assanhados do que as mamães da época gostavam de pensar, de zoações ao pobre do Ringo e, claro, de músicas do album homônimo. Pra um não fã de Beatles é um filme light sobre uns caras que dão aquela enrolada num dia de trabalho. E veja bem, eu disse NÃO FÃ, e não ODIADOR. Até porque odiar os Beatles e ver A Hard Day’s Night é como… sei lá, odiar carne e ler o Bacon Frito.

 Cês sabiam ques esses gestos não tem nada a ver com a palavra “Help”? Noobs…

Help! foi lançado no ano seguinte ao A Hard Day’s Night. Ou 1965, suas bestas desmemoriadas. De chapinha no cabelo, os rapazes enfrentam o primeiro filme com alguma historinha de fato, ainda que seja ligeiramente nonsense. Ei-la: Umas aventura surreal, filmada em Londres, Bahamas e nos Alpes Suíços. No filme, os Beatles são perseguidos por membros de um culto indiano que querem o anel que Ringo está usando.

Nessa época os Beatles já eram mais famosos que Jesus, então o estúdio nem se importou em pagar o dobro do que haviam gasto com o primeiro só pra produzir uma obra colorida e em locações no mínimo exóticas. Não que fizessem alguma diferença no roteiro. As cenas das Bahamas e dos Alpes foram escritas expressamente pra satisfazer a demanda dos rapazes por um cantinho ao sol e um outro pra tirar férias esquiando. Absolutamente compreensível. Eu ainda armaria um piti porque nem tava quente nas Bahamas, como dá pra ver nas cenas que geral tá de blusa de manga cumprida (exceto pelo guerreiro Paul). As músicas são sensacionais e, tirando o George, os caras atuam até bem, em especial o Ringo. No mais, só os fãs mais cegos deixam passar despercebidos os buracos no roteiro e os momentos que o diretor perde um pouco a mão no endeusamento dos deuses dos meninos. Sendo uma pessoa bem humorada como eu, você também vai rir de algumas cenas que são tão trash que passam a ser engraçadas.

O que torna esse filme ainda mais divertido depois da entrega aos momentos pastelão são as cenas que os caras estão claramente chapados, de acordo com o Ringo, de maconha. Cê nem precisa conhecer muito do assunto pra ver os olhinhos apertados as risadas meio fora de hora e os claros brancos no texto. Não sei vocês, mas ver um ator segurando pra não rir em cena é MUITO engraçado pra mim. Quando o ator é na verdade um cantor, então…

O terceiro filme que comprei não tem a participação física dos meninos por se tratar de um desenho, mas é oficialmente um dos filmes do Beatles. Sendo assim: Era uma vez… ou quem sabe duas, existia um distante paraíso chamado Pepperland – um lugar onde a felicidade e a música reinavam totalmente. Mas tudo isso ficou ameaçado quando os terríveis Blue Meanies declararam guerra e enviaram um exército liderado pela ameaçadora Luva Voadora para destruir tudo o que era bom, Mas John, Paul, George e Ringo apareceram pra salvar o dia!

 Nós vivemos num submarino amarelo. Só…

Apesar da sinopse besta que vem no DVD, Yellow Submarine é sensacional. Dos três, foi o que passei mais tempo procurando tanto que cheguei a baixar a bagaça e só achava em sites gringos (inclusive quando eu estava na Gringolândia) por preços só pagáveis se eu desse um rim e dois corações. Já tinha assistido ele há tempos e nunca me esqueço de pensar “Véi, quem precisa de LSD com esse filme?”. O desenho é muito, mas MUITO viagem. Não só pela escolha das cores e tal, mas pelos diálogos afiados e irônicos até o talo.

Foi lançado em 1969, 2 anos depois do album “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, onde claramente os caras comiam maconha com farinha e já tinham passado pra otras cositas. Lucy in the Sky with Diamonds não me deixa mentir, por mais que Lennon revire no túmulo até hoje dizendo que o nome da música foi só uma coinscidência. Tá, John… De qualquer forma, a imagem de good lads dos caras já tinha ido pro espaço há séculos e nada mais justo que as músicas transparecessem isso e, junto, que os filmes acompanhassem o chute no pau da barraca. Se bem que os caras já não eram os genros que as mamães queriam desde A Hard Day’s Night, só faltava assumir mesmo.

Considerações não dignas de uma crítica de filmes: 1) Por que implicam tanto com o pobre do Ringo? Algum fã fanático me explica? Os outros 3 membros da banda vivem enchendo a paciência dele só porque ele é tampinha e narigudo mesmo? Pelo menos ele atua melhor que todo mundo. 2) Para fangirls do Macca da época que ele não era enrugado: ele aparece pelado no Help! 3) Os vilões do Yellow Submarine são os melhores… A Glove merecia um Oscar. 4) Eu ia em qualquer um dos quatro no A Hard Day’s Night. Até no Ringo.

 Ahh se 1964 pudesse voltar…

Independente de ser fã ou não, A Hard Day’s Night (ou como sua mãe conhece: Os Reis do iê iê iê Quem diabos traduziu o título desse filme??) e Help! são marcos na história do cinema e da música, em especial pela produção das primeiras noções de videoclipe. Os Beatles ainda tem outros filmes no currículo, como o Magical Mistery Tour, que foi produzido pra TV, e Let it Be, que mostra o começo do fim da banda e foi lançado em forma de documentário depois da separação. E não me venham falar dos filmes COM MÚSICAS dos caras. Quis falar aqui só dos que eles aparecem.

Não esperem por resposta nos comentários porque estarei numa mini-tiny férias. Isso se eu não for despedida por escrever sobre algo tão… polêmico no site. Próximo texto será uma ode aos vegetais.

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  • Porra, o Ringo é o meu Beatle favorito. Não entendo o preconceito com o cara, ele moldou o jeito atual de se tocar bateria.

  • Ju

    pqp…tb sempre me fiz essa pergunta: quem diabos traduziu o título de A Hard Day’s Night? Não tinha outra coisa melhor q “Os Reis do iê iê iê”?

  • suelen

    o ringo é meio complexado c o fato d o diretor do peimeiro cd deles n o ter deixado tocar no single ” love me do”. pelo menos em ” A Hard Day’s Night” ele é mt zuado por isso…

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