Johnny Vai à Guerra (Dalton Trumbo)

Livros segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Tô meio cansada de histórias de guerra. Pelo menos as americanas, que chegam mais facilmente até nós, já deram na porra do saco. Sempre exaltam um lado do conflito, constrói um lado coitado, metem um cachorro no meio dos soldados, enfim, cês sabem. Devem estar tão cansados quanto.

Um dia, catei um livro empoeirado na estante. Rapá, surpresa boa, viu.

 E um filme que é mais famoso que o livro de onde saiu!

Então, Johnny Vai à Guerra fala sobre… A primeira guerra mundial. Não, não é óbvio, podia falar sobre a segunda, ok? Enfim, a narrativa acompanha um carinha daqueles que ficou muito feliz de saber que ia matar uns alemões fiadaputas, achando que aquilo era o melhor programa pro fim de semana. Ele larga a família, a menina em quem dá uns malhos e espera poder se casar com ela quando voltar, a vida pacata do campo, aquilo tudo. Meio clichê, não?

A parada é que o azarado pisa numa vadia sem coração mina e tem o corpo todo explodido. Vira um peso de papel. Perde os braços, o rosto e as pernas. E essa premissa simplesmente deu origem ao melhor relato anti-guerra já escrito.

Delícia, né? Imagina quando der aquela coceira no saco. Foco, Aline, foco. O importante é: O livro fala sobre como a guerra é uma merda pra todo mundo. Uma merda bem fétida, daquelas diarreias de neném, difíceis de sair o cheiro da mão. Não tem um lado vencedor, um lado que saia sem perdas.

Quanto à narração, pode ser meio confusa de se acompanhar. Não existe narrador, apenas os pensamentos do personagem. Às vezes, por causa de toda a situação que ele está vivendo, a parada vira um novelo só. Tipo cara, tá calor, e aquela motocicleta que eu vi outro dia hein, má que fela da puta esse meu amigo. Exatamente como a nossa própria cabeça funciona. Cuidado pra não se perder. Pode ficar meio arrastado. Mas não desista, o livro é foda e vale a pena!

Johnny Vai à Guerra


Johnny Got His Gun
Ano de Edição: 1938
Autor: Dalton Trumbo
Número de Páginas: 228
Editora: Relume-Dumara

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  • K

    Pra mim é suspeito esse livro ganhar nota 8. Mas isso é preconceito de quem viu o filme e quis se matar de tão bosta que era. Se bem que o filme foi filmado, provavelmente, bem depois do lançamento do livro… E por ter sido escrito em 38, deve ter lá seus tons de macabragem., que devem fazê-lo ser mais bacana. Porém, ainda penso que 228 páginas de um cara se contorcendo em uma mesa deve ser uma merda. Fora o índice.

  • Leandro

    Se não me engano, o clipe da música One do Metallica, usa cenas do filme, mas lendo sobre o que você escreveu, a própria música deve ter sido baseada nesse livro.

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