Jogos Vorazes (Suzanne Collins)

Livros terça-feira, 24 de julho de 2012

Jogos Vorazes provavelmente foi a série que mais fez barulho depois de Queprúsculo. Apesar do público alvo ser adolescente, acredito que gente de qualquer idade consegue gostar dos livros. E, seguindo a nova geração de leitores, é um livro rápido, mastigável, daqueles que se consome em poucas horas. Não que isso o faça ruim. Ou superficial. Só não é daqueles que te faz passar dias analisando, por ser tão direto.

Em alguma época do futuro, o mundo como a gente conhece desapareceu. Sacumé, fome, esgotamento dos recursos ambientais, guerras por água e comida, enfim. A América se transformou em Panem – sim, aquela mesma do pão e circo -, uma nação dividida em doze (Antes treze) distritos, cada um responsável por suprir a Capital de alguma forma. Por exemplo, o distrito quatro fornece frutos do mar e, o dois, artigos eletrônicos. Todos vivem numa ditadura horrível. Chega ao absurdo de os cidadãos ricos utilizarem um remédio provocador de võmito em festas pra poder comer quanto quiserem enquanto a maior parte das pessoas passa fome nos outros lugares.

Cada ano, como um tapa na cara da população pra lembrar que eles são menos que chiclete no sapato da Capital, duas crianças de cada distrito são escolhidas pra lutar até a morte nos Jogos Vorazes.

Nisso o livro se desenrola. Como eu disse, ele é rápido e dinâmico. Não há momento de descanso. A escrita, apesar não ser muito agradável, te dá brecha pra praticamente ler duas páginas ao mesmo tempo, uma com cada olho. E, ao contrário do que se espera de um livro que faça sucesso com adolescente, é uma obra bem profunda, se comparado com o que tem sido escrito. Pode soar forçado, mas acredito que a autora tenha se inspirado muito em 1984, pois ele segue a mesma linha, sendo uma analogia mais adequada a crianças e…

Que cara de ódio é essa? É verdade. Sério, não me batam. Tô só dizendo que segue pela mesma linha. Que tem influência. Cruzes. Já abaixaram as tochas? Obrigada, vamos continuar.

Enfim, como ia dizendo, é mais profundo e menos clichê do que deveria ser. Katniss, a protagonista, é bem mais frágil do que aparenta e vai ser vista como símbolo de uma revolução gigante. É óbvio que ela não vai sair 100% disso. O que surpreende é o fato de que tudo aquilo é real. É plausível. Nada é censurado ou amenizado, nenhum dos dois lados do conflito é honrado. Ambos jogam sujo e se equiparam de alguma forma. A diferença é que a Capital só beneficia meia dúzia de pessoas e os distritos formam a grande massa populacional de Panem.

O melhor foi o momento de reflexão que o livro proporcionou. O conceito dos Jogos Vorazes, da competição onde pessoas sofrem apenas pra divertir os outros, existe sim na nossa sociedade. Vai dizer que cê não conhece ninguém que a-m-a aquelas provas escrotas de resistência do Big Brother Brasil? Vai negar a onda de reality shows onde pessoas passam por provações físicas extensas? Peitinhos na televisão e piadas de humor negro são proibidos por moralistas, mas programas onde pessoas saltam por fileiras de carros e acabam com traumatismo craniano são válidos e ninguém levanta um dedo.

Jogos Vorazes


The Hunger Games
Ano de Edição: 2008
Autor: Suzanne Collins
Número de Páginas: 400
Editora: Rocco

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  • Loney

    hmmmm… nhé

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