Happy Birthday Mr. Cash

Música quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Este texto é só para marcar o aniversário de uma das maiores vozes de todos os tempos. Sim, eu sei que estou enchendo a bola do cara, mas ele merece. Ele é o Johnny Cash.

Nota do editor: O aniversário foi ontem, dia 26/02, mas o Kirk mora na selva amazônica, ai o texto demorou a chegar.

Cash morreu em 2003, mas como sempre fazemos com os grandes talentos, ainda comemoramos seus aniversários. E por “nós”, quero dizer os fãs, os admiradores; sei que deve haver alguns aí na platéia. Logo, esse texto não será em vão.

Mas vejam só, nesse dia 26 de fevereiro, Cash estaria fazendo 81 anos. O que mais chateia é que essa é uma idade perfeitamente plausível. Digo, não é como o centenário de Nelson Rodrigues ou bicentenário de Abraham Lincoln. Cem anos parece improvável, duzentos nem se fala. Não sobrava um fio daquele sentimento esquisito de que a pessoa podia estar viva. Mas 81 não. 81 é o novo… Sei lá, 70. Ou 71, a idade em que Johnny Cash morreu. Imaginem só, ele poderia estar aqui. Sete décadas não são tanto para alguém que nem ele. Esse cara foi embora devendo à música mais uns dez, quinze anos. Esse papo de que morrer antes do tempo faz a lenda? Besteira, besteira.

Talvez esses anos tenham sido tirados como pagamento pelo que ele pôde fazer: Foi amigo de Elvis, conheceu meia dúzia de presidentes, cantou com Louis Armstrong, entrou pra história da música. Não sei bem como essas coisas funcionam (Se existem “essas coisas”), mas deve ser alguma troca mesmo. Ninguém pode ser desse jeito sem dar algo em troca. Ele deu vida, o tempo que poderia ter. Ou eu estou divagando, não sei. Talvez, vejam só, talvez, tenha sido tudo culpa do amor. Afinal, Cash amou June Carter. Quando ela se foi, meses antes dele próprio, simplesmente não quis mais viver. Aliás, me lembrei disso, sua última entrevista:

Mas enfim. É aniversário dele e eu passei duzentas palavras falando de morte. Talvez (De novo) o nascimento implique que existe a outra ponta da história. Mas o que importa, e no caso de Cash, faz toda a diferença, é o que acontece no intervalo. Um guri com cara de quem apronta que nasceu em um fim de mundo no Arkansas se tornou o sujeito por quem eu, em um fim do mundo do Brasil, escrevo um texto de aniversário. E o que fez tamanha mudança? É, isso, o que aconteceu nesse intervalo, que chamamos vida (Lágrimas, aplausos, queria agradecer à minha famíliTÁ, tá bom, deixa pra lá).

Johnny Cash teve praticamente 50 anos de carreira. Nesse tempo, lançou 96 álbuns e 153 singles; trabalhou com Bob Dylan, Jerry Lee Lewis, Willie Nelson, Kris Kristofferson, The Statler Brothers, Carl Perkins, Waylon Jennings e outros, além de ser amigo pessoal da maioria deles. Ele já apresentou um programa na televisão, tocou no rádio, cantou pra milhares, cantou no Vietnã e esteve estacionado com o exército dos EUA na Alemanha nos anos 50, onde compôs sua primeira música. Ele tomou anfetaminas, foi preso, casou, viu o fantasma do irmão morto em uma caverna no Tennessee, viveu feliz (Parte da vida), ficou viúvo, morreu triste. É assim o tempo passou, e passa.

Mas Johnny Cash está aí. Feliz aniversário atrasado.

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  • N4gu4l

    Girl of the north country é linda demais, assim como os álbuns do Nashville Sessions. Esse cara faz falta demais, e recomendo demais Highwayman, que ele gravou com três dos que aparecem no texto.

  • Julio Kirk

    The Highwayman é ótimo mesmo. Pro pessoal que gosta do Dylan eu recomendo o Nashville Sessions sim, foi uma parceria um tanto quanto… diferente. Mas legal. Os álbuns da coleção American (os últimos da carreira dele) são ótimos também. Mostram um Cash diferente.

  • Achei que você ia gostar disso:
    http://www.youtube.com/watch?v=3tfKXvISM3c

    Aproveite

  • Paulo Penante

    Confesso que não conheço muitas músicas do Cash, conheço apenas as mais famosas como Walk In The Line, Solitary Man e algumas outras. E sim, queria conhecer mais o trabalho dele, mas meu caro Kirk, se você mora na Amazônia, eu moro muito ainda no fim do mundo, talvez num dos fins da Amazônia, no Amapá, e claro, minha internet não colabora muito.

  • CARAIO MANO

  • Julio Kirk

    GREAT SCOTT! Eu também moro no Amapá cara. Meus pêsames. HUAHUAHHUA

  • N4gu4l

    O que eu achei mais foda no Nashville Sessions é a diferença gritante
    entre as vozes. O Dylan é o Dylan, a voz dele parece um pato, mas o cara
    se entrega àquilo e escreve letras lindas. Enquanto a voz do Johnny
    Cash é sombria e tem uma presença enorme. É interessante ouvir duas
    pessoas com identidades fortes cantando a mesma coisa.

    Sobre essas parcerias, vale a pena procurar um vídeo com o Johnny Cash cantando com Louis Armstrong. Recomendo demais.

    E,
    além desses que aparecem no texto, ele gravou The Devil Come Back to
    Georgia, com Charlie Daniels Band e uns outros que eu esqueci o nome.
    Fizeram até uma versão Heay Metal from hell dessa música, que ficou foda
    demais kkkkkkkkkk

    E Highwayman ao meu ver foi uma coisa tipo
    Travelling Wilburys. Os caras de bobeira se juntaram pra fazer um som
    por que deu na telha, e saiu aquela coisa foda.

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