Get Lucky (Mark Knopfler)

Música sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Get Lucky é o sexto álbum solo de Mark Knopfler, lançado em 14 de setembro de 2009 na Europa, e no dia seguinte nos Estados Unidos.

Comprei esse disco em uma viagem no meio desse ano. Comprei às cegas, confiando que o Mark faz bons trabalhos, e realmente não me arrependi. Fiquei só um pouco surpreso com a sonoridade do disco. Ela mostra talvez a maturidade musical do ex-líder do Dire Straits. É um álbum quase nostálgico, diria.

Lá vamos nós, faixa por faixa.

Border Reiver

Como eu disse, fiquei bem surpreso quando comecei a ouvir o que Knopfler fez. Logo na primeira música já se sente algo estranho. Um som de flauta aparece. Toca leve, remete ao vento, planícies; é poético até. Então, a música acelera, se anima, ouve o baixo e talvez mais um ou dois instrumentos de sopro. Dá pra reconhecer algo de folclórico. “Mas o que é isso”, você pode pensar, “nem parece o Mark Kn…” – aí o homem aparece e solta “Southern bound from Glasgow town…”. É, é ele mesmo. A música sopra no mesmo ritmo, descambando em um solo… Da flauta. Nesse momento a música já se diferenciava totalmente do que se espera de um CD com essa capa de cassino e um nome como Get Lucky.

Hard Shoulder

Música lenta. As guitarras soltam umas coisas preguiçosas. Instrumentos de sopro de novo, talvez e… Juro que eu ouvi até um som de orgão no fundo, e umas notas de piano. “Leve” é o nome do meio dessa faixa. Parece que ela emprestou a força pra próxima:

You Can’t Beat The House

“Are you ready? Chuck, take one. One, two…one two, three…”

Um blues. Um maldito blues, cara! C7, C7, C7, C7, F7… Piano e tudo. A vida desse disco parece fazer sentido com essa música, falando sobre apostas numa casa de jogos duvidosa, mulheres perigosas e trapaceiros. A capa e o encarte com letreiros de cassinos e o próprio nome, Get Lucky (Ficar sortudo, traduzindo literalmente), combinam ironicamente com isso.

Before Gas And Tv

Eis a primeira música escancaradamente nostálgica do álbum. “Antes do gás e da TV / antes das pessoas terem carros / nós sentávamos ao redor das fogueiras / Passávamos ao redor nossos violões…”. É de novo uma música lenta, mas dessa vez é como se Mark estivesse o tempo todo lembrando coisas – e está. Começamos a entender de uma vez por todas nessa faixa que realmente o som do álbum tem muito a ver com esses instrumentos de sopro folclóricos. A música anterior se mostra uma exceção já.

Monteleone

Violinos. Parece a trilha de alguma história, de algum conto. A música toda parece tentar ser a definição de poesia. Só isso. Aqui o som se distancia daquele ar folclórico de novo, mas de maneira diferente da terceira faixa. Lá era com ambiente de jogatina, de vícios. Aqui é algo bem diferente, uma espécie de sensibilidade com a vida. É uma daquelas músicas difíceis de compreender de verdade, talvez só o autor saiba o que o inspirou.

Cleaning My Gun

Faixa forte, direto do lado “cara durão” de Knopfler. Parece que tem algo meio de hard, sei lá. “É o velho treinamento do exército aparecendo / Eu não estou reclamando, é o mundo em que vivemos”.

Divagações sobre o exército, cheias de duplo sentido e expressões. “Nós contratamos o pior lava-pratos que esse lugar já viu” – provavelmente se refere ao reforço, um tanto desastroso. De novo, acho que só o Mark sabe do que ele está falando. “Enquanto isso, eu estou limpando a minha arma.” – é a frase épica da música.

The Car Was The One

Outra música nostálgica. “No verão de ’63 eu estava sobrevivendo / aparecendo em todas as corridas, esperando correr”. Não vou dizer também que é uma música lenta , mas é… Paciente. Ele só queria contar uma história mesmo. Frases de guitarra preguiçosas, enquanto Mark fala de Bobby Brown, um corredor de pavio curto e apostador. Corria por aí em um Corvette Cobra, que Mark queria, porquê segundo ele, era O carro.

Rememberance Day

O auge da nostalgia. Algo como “Dia de lembrança”, é uma das quatro músicas do álbum que têm mais de cinco minutos. Fundo simples, com as conhecidas frases de guitarra do Mark em cima, um pouco do som de órgão de novo, bem longe. Mas o interessante aqui é que a canção é uma grande e paciente recordação. Em um verso ele lembra de brincadeiras da infância, enquanto em outro faz quatro frases inteiras só com nomes daqueles que conheceu. Um solo aparece, carregado de nostalgia mesmo, não dá pra usar outra palavra. “Nós nos lembraremos então, nos lembraremos então…” começa o último verso. Enquanto Mark canta, aparece um coro de crianças no fundo. Outro solo, e aqui você quase começa a ter saudade de alguma coisa, só pra entrar no clima.

Get Lucky

A música tema do álbum, finalmente. Engraçado que, ao contrário do que sugere o título do CD, ela não é sobre sorte no jogo. “E eu posso ter sorte de vez em quando – ganhar um pouco.” É uma canção humilde. E só a história de um homem simples. Anda por aí, vive, trabalha pra pagar o aluguel e comer, esperando ter sorte de vez em quando. O ar folclórico volta, as flautas, som de violão. Essa faixa vem só pra mostrar que o disco é assim mesmo: Simples, nostálgico, mas não triste. “Agora eu ando por esses campos / Tão feliz quanto um homem pode ser / Acho que eu só vou deitar / debaixo dessa velha árvore.”

So Far From The Clyde

Outra música paciente. Soa como uma união sonora das músicas anteriores, embrulhando o que parece um conto marítimo, – a música tem uma letra enorme – mas que pode muito bem ter duplo sentido e querer dizer algo a mais. De novo, só Mark sabe.

Piper To End

Os misteriosos sons folclóricos vão mais alto aqui. Dessa vem tem até um acordeom no começo. Letra sobre guerra, mas de uma maneira tão sublime, eu diria, que é quase difícil notar. Na verdade, é mais uma letra de fim de guerra, pra embalar os escombros e os companheiros mortos em batalha. É uma música de agradecimento, de lembrança e de descanso.

Get Lucky (Mark Knopfler)


Lançamento: 2009
Gênero musical: Roots rock, blues rock, folk rock
Faixas:
1 – “Border Reiver” – 4:35
2 – “Hard Shoulder” – 4:33
3 – “You Can’t Beat the House” – 3:25
4 – “Before Gas and TV” – 5:50
5 – “Monteleone” – 3:39
6 – “Cleaning My Gun” – 4:43
7 – “The Car Was the One” – 3:55
8 – “Remembrance Day” – 5:05
9 – “Get Lucky” – 4:33
10 – “So Far from the Clyde” – 5:58
11 – “Piper to the End” – 5:47

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  • Matheus

    Já tinha ouvido falar desse álbum, Knopfler
    chuta bundas.

    Um que eu tô ouvindo muito e recomendo é o
    Sailing to Philadelphia, muuuuuito foda.

  • Eduardo

    Muito bom!!! Valeu a dica

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