Frescurinhas necessárias

New Emo sexta-feira, 08 de fevereiro de 2013

Eu consigo ver TV e folhear uma revista ao mesmo tempo. Conversar enquanto janto. Estudar em lugares barulhentos. Falar com meia dúzia de amigos via sms, chat do Facebook e afins, simultaneamente. Consigo comentar, numa mesma comunidade, em tópicos diferentes sobre assuntos tão parecidos quanto decoração do banheiro e quem vai pegar quem dentre os amigos. Bom, tudo bem normal e, aposto que a menos que algum de vocês seja um babuíno, vocês também conseguem.

Mas tem uma coisinha que me dá no sério: Fazer alguma coisa enquanto escuto música. Quer me fazer ter um aneurisma? Esse é o jeito.

Ok, talvez eu tenha exagerado um muitinho, até por que isso me impediria de coisas simples como ver um filme, e me faria mais dodói da cabeça do que já sou – coisa que ninguém quer que aconteça, espero. Não chego ao ponto de tentar matar um indivíduo que puxe assunto no meio de uma música.

A menos que eu esteja com fones de ouvido. Isso dá direito a esquartejamento em praça pública.

O que incomoda mesmo são coisas como estudar, conversar ou mexer no PC quando tô tentando me concentrar no som. E não é só isso: Andar por aí sem música seria tortuoso. Sinto como se estivesse desperdiçando tempo precioso quando esqueço os fones em casa. Tempo que poderia gastar em algum álbum legal. Bom, é meio perigoso, já que minha habilidade de construir barreiras sonoras é bem desenvolvida e um dia serei certamente atropelada por um caminhão impiedoso.

 A foto mais falsa da internet.

Acima de qualquer outra coisa, música dá um barato diferente na minha cabeça. Sacumé, cada maconheiro com a sua viagem, sem julgamentos. Na minha cabecinha confusa, cada nota tem uma cor, um aroma, uma sensação diferente. Eu não gosto de músicas monocromáticas nem de arco-íris. Também não curto álbuns que mudem do preto pro verde-fluorescente, salvo quando a intenção original é fazer bagunça na cabeça de quem tá escutando. Não estou reclamando, vejam bem, ouvir essse principiozinho de sinestesia é mega legal e o mundo seria um lugar melhor se todo mundo tentasse fazer o mesmo.

E eu acabo de perceber que seria muito chata se usasse drogas. Puta que pariu.

O que eu quis dizer é: Todo mundo tem suas frescurinhas e confortos na hora de fazer o que gosta. Tem gente que não consegue ler em movimento, tipo no carro, passando os olhos por algum panfleto aleatório catado na rua ou fazendo abdominal com as nádegas. Tem quem não consiga ir acompanhado ao cinema, assistir filmes comendo ou coisas assim. Tem quem não consiga abrir a HQ até estar confortável em casa, de banho tomado, bem alimentado e de dente escovado.

O fato é que nós precisamos de enfeites na hora de fazer o que gostamos de verdade, meio que valorizar ao máximo o momento. Sem distrações que possam estragá-lo. Se ainda não deu pra perceber, o mundo é formado, majoritariamente, de gente doida.

E quer saber? All the best people are.

Agora com licença, vou socar paredes pra reganhar minha masculinidade. Ando muito boazinha com vocês, hein.

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