Fãs

Nona Arte quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Fãs são uma raça curiosa. Não só os de quadrinhos (Esses têm mais fama de bizarros, mas essa não é a questão), mas os de livros, filmes ou jogos. Eles se diferenciam dos fanboys e dos meros admiradores por algo relativamente simples: A facilidade com que mudam da admiração extremada para o ódio irracional. Uma frase, uma idéia, um virar de olhos, qualquer coisa é passível de preencher o fã verdadeiro com ódio enregelante ou admiração pulsante. E lidar com qualquer uma dessas coisas é muito, MUITO difícil.

Algumas semanas atrás, ofereceram ao eremita mais querido das HQs, Alan Moore, uma chance de ganhar uma grana fácil: Ele teria de volta todos os direitos sobre a obra Watchmen, desde que… Fizesse uma prequência/sequência para a referida obra, considerada por muitos sua obra-prima, e um marco na história das graphic novels. O que ele fez, antes que a massa insana de fãs sequer ouvisse falar nisso? Recusou a proposta (Ainda falam em produzir uma prequência com outro roteirista, mas isso são outras águas). A maioria dos fãs o colocou num pedestal, por não ter se submetido às pressões capitalistas e preferir manter a arte pela arte, ou algo assim. A outra metade o execrou e pediu à Mãe Jurema, que cura mau-olhado, pé-de-atleta, traz a pessoa amada de volta e ainda afasta encosto por um precinho camarada, que colocasse o nome dele na boca de um sapo numa encruzilhada à meia-noite de uma sexta-feira treze, por não por os miolos para criar uma nova obra-prima, ou algo do tipo. Os fanboys? Tão achando tudo ótimo, como sempre.

No momento em que escrevo estas toscas e semi-incompreensíveis linhas, a TV anuncia que, hoje à noite, a emissora do defunto Roberto Marinho anuncia a exibição de Stardust, adaptação da obra homônima de Neil Gaiman. Não sei o que dizem hoje em dia sobre o filme, mas, 3 anos atrás, em certo recanto obscuro e pouco recomendado da internet, havia uma discussão bem acirrada sobre a qualidade da adaptação da obra. Uns diziam que era ótimo, outros, que poderia ser melhor, e um último grupo discutia se Gaiman deveria ter a efígie queimada ou carregado em triunfo pelas ruas de Minnesota por permitir a adaptação.

Notaram uma semelhança nos comportamentos descritos acima? Notaram como não existe um meio-termo, um “Isso aqui tá bom, mas poderia ser melhor se acontecesse isso, isto e aquilo”. Fãs (E as pessoas em geral) só conseguem ver os extremos. Ou é a mais grandiosa obra-prima de todos os tempos da última semana, ou a maior pilha de matéria fecal fumegante de todas as eras. Pessoas desse tipo são as que impedem a paz no Oriente Médio, no País Basco e na Irlanda.

Se você conhece um fã, dê um tapa nele e diga que fui eu quem mandei. Ele não vai entender nada, mas pelo menos vai ficar confuso por tempo suficiente para você fugir antes que a bomba exploda.

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