Eu Odeio Herói Bonzinho

Nona Arte quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Não sei se sou o único, mas, como é dito no título, eu odeio heróis bonzinhos. Pronto, falei. “Mas, como assim, todo herói não é bom? Mimimimi”. Sim, todo herói, em sua essência, é bom. Afinal, o objetivo dele é sempre o cumprimento da justiça/lei/whatever. O que eu critico são os meios utilizados para se chegar lá.

Heróis cheios de ideais, de senso de honra, etc. me incomodam. Eles são irritantes demais, cara. Por exemplo, vamos ver o Superman: invulnerável, muito forte, pode voar, possui visão de raios X, etc. Ele pode até mesmo quebrar as leis da física einsteiniana pra salvar a Lois Lane! Com isso, ele poderia colocar qualquer um no chinelo rapidinho, na maior facilidade. Mas, alguém já viu ele fazendo isso? Claro que não. Uma luta desse infeliz dura horas e horas. Por que? Porque, ao invés de colocar o inimigo logo a nocaute com um peteleco na orelha, o ET lazarento fica batendo papo, querendo fazer o adversário ser bonzinho e tal. Quando resolve lutar, fica só dando tapinha de moleque pra se defender, porque não quer ferir seriamente/matar o adversário, afinal, isso vai contra os ideais dele. E, enquanto isso, apanha que nem mala velha. Tudo bem o cara ter ideais, mas tudo tem seu limite!

Isso também é mais ou menos válido para Capitão América. Apesar de ser ainda mais cheio de ideais de patriotismo, justiça etc. que o Azulão, pelo menos desce a lenha bonito em quem merece, sem hesitar (muito). Mas, também, ele foi criado pra isso.

Já ouço os malditos fanboys reclamando que os dois foram criados no contexto da Guerra Fria para enaltecer o espírito patriótico americano e, por isso, agem desse jeito: para transmitir o american way of life blá, blá, blá. Sim, certo, isso É verdade, não nego. Mas, pequeno pseudo-historiador, se você não notou, a Guerra Fria acabou há quase vinte anos.


E, por isso, uma reciclagem nas atitudes dele não seria uma má idéia. Se os quadrinhos seguem as tendências de pensamento da época (também conhecido por Zeitgeist), um “fim da guerra fria” não é má idéia. Orra, o Muro de Berlim caiu há quase 20 anos! Mas não estou sugerindo que ele se torne um badass tal qual o Lobo, que chega nos cantos chutando a porta, passando a mão na bunda da tua irmã e mijando com a porta aberta. Mas, caramba, custa tanto assim fazer um personagem com menos tanguice?

Quando moleque, apesar de também gostar das HQs do babaca com a cueca por cima da calça, meu personagem de HQ predileto era o Batman. Por que? Bom, ele era uma pessoa normal. Teve os pais assassinados, ficou órfão, sendo cuidado pelo mordomo. Até aí, tudo bem. O cara podia até virar emo, a história dele era fudida o suficiente pra permitir que o cara se tornasse qualquer tipo de aberração psico-social. Mas, o que ele fez? Resolveu se vingar. Treinou a mente e o corpo à exaustão, tornou-se o maior investigador ficcional depois de Sherlock Holmes, arranjou equipamentos decentes, estabeleceu um objetivo e foi pra porrada. Cara, isso poderia acontecer com qualquer um! Além do mais, ele não tinha as frescuras do Superman de evitar maltratar os outros: ele chegava na porrada e fazia gato e sapato de quem quer que fosse para conseguir o que queria.

Outro que também é assaz interessante é o Justiceiro. A história é bem parecida com o Batman (talvez um pouco menos profunda), só que a ação é mais sangrenta, mais violenta.

Não que eu esteja fazendo apologias à violência gratuita (eu estou, mas, sabe aquela história de politicamente correto? É um saco). O que eu defendo é o ideal de heróis menos tangas. Vocês não concordam que, se os heróis dessem cabo dos vilões de uma vez só, o mundo seria um lugar melhor?

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