Escrevendo sobre HQs – Parte II

Nona Arte quarta-feira, 15 de julho de 2009

Semana passada, dei uma pincelada nas origens das HQs e o tratamento recebido destas pela sociedade. Agora, vamos dar uma analisada em um âmbito mais reservado: editoras e roteiros.

Já havia dito isto algum tempo atrás e volto a repetir: eu não leio HQs mensais sob hipótese alguma. Motivo? Preservar minha sanidade. Se vocês relerem meus textos (ou simplesmente lembrarem deles de modo geral), notarão que, de dezenas de HQs, eu só costumo citar meia dúzia delas (Preacher, Lobo, Sandman, Transmetropolitan e mais umas). Eu não sou um grande leitor de HQs, muitas vezes prefiro comprar dois ou três livros a um volume de alguma HQ, por questão de preço, preferência e conveniência. Eu escolho a dedo algumas HQs, leio alguns scans e daí compro, se me agradar.

Um dos motivos que me faz preferir as HQs fechadas é o fato de elas não poderem ser mudadas. Até um tempo atrás, os fóruns de Batman efervesciam com a morte de Bruce Wayne e quem seria seu sucessor como o Batman. Resolveu-se que seria Dick Grayson, o primeiro Robin e até então Asa Noturna (ou alguma coisa assim). Mas eu aposto um salame que ano que vem o Bruce tá de volta ao lugar dele, pois fingiu a morte para aprender a treinar chow-chows no Congo ou alguma coisa parecida.

Na DC, isso até que não é tão comum. Claro que o Superman já morreu mais que o Goku, mas, ao menos, isso acontece vez ou outra. Do outro lado do ringue, temos a Marvel: a Rainha Suprema das Realidades Alternativas e Clonagem. Todo personagem da Marvel tem pelo menos uns dois clones num isopor no sótão de casa. Dia desses, o Capitão América original, Steve Rogers, tinha morrido. Agora, ele está voltando porque quem morreu foi um clone dele. Toda vez que a Marvel faz uma cagada e irrita os leitores, a primeira coisa que faz é colocar um clone no lugar do herói morto e/ou transformar todo o ocorrido em um evento ocorrido numa realidade alternativa e/ou simplesmente ignorar os eventos anteriores e começar tudo do zero.

O último arco do Aranha não agradou os leitores? Simples, faça com que Mephisto surja do nada por porra nenhuma e mande Parker de volta a um passado qualquer.

Essa inconstância faz com que seja impossível acompanhar com detalhes a história de qualquer personagem. O criador define uma origem do herói, habilidades, cronologia etc. Chegam os roteiristas subsequentes e bagunçam isso, matando o personagem, ressuscitando, mudando a história e mandando tudo pra puta que pariu.

Uma outra coisa que dificulta a roteirização é a mídia em si: o roteiro de uma HQ é praticamente a mesma coisa que um roteiro de um filme. Como a imagem é parte essencial da história, ela tem que ser descrita em seus mínimos detalhes, desde os objetos que a compõem ao modo com que os personagens interagem com o cenário e os elementos que fazem parte deste, chegando, em alguns, casos, a “quebrar a quarta parede” (interagir com o leitor/espectador).

Semana que vem, continuaremos discutindo essa bagaça. Que São Lobo poupe suas vidas até lá.

Leia mais em: ,

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • V

    Concordo contigo, é muito difícil acompanhar as revistas mensais de quadrinhos. Faltou vc falar de um fator que está muito em alta agora: os crossovers gigantes envolvendo 1543 personagens e uns 30 títulos. Pra vc entender 100%, vc deve conhecer todos personagens (história, poder e tal) e acompanhar todos títulos envolvidos. É foda, cara.
    O último crossover gigante que eu li foi mesmo a Civil War, que apesar de não conhecer uma caralhada de personagens envolvidos (alguém conhece o Jaqueta Amarela?) até que a história é boa.

    Mais uma coisa, errar dizendo que o Dick Grayson é o segundo Robin (na realidade é o primeiro) tudo bem, mas chamar nosso querido Brose Wayne de Brose Banner (o Hulk) já foi demais.

  • Guten

    Sobre o Robin: como eu já disse, não acompanho HQs mensais e essas informações não foram, não são e nunca serão estocadas em meu HD orgânico.

    Mas o erro no nome do Bruce foi épico, é o que dá escrever essas merdas com sono. Bom, já foi corrigido.

  • @V EU CONHEÇ O JAQUETA AMARELA! \o. E você TB, mas com outros nomes, como por exemplo Homem-Formiga ou Gigante. Quer dizer, você pelo menos CONHECIA, agora o nome passou de mãos e você não sabe mais quem é afinal o JA, mas fod*-se pelo menos isso na Marvel é foda, o universo (pelo menos nos ultimos anos) se modifica como no mundo real. Não é como na DC que a vida do Super é a mesma faz um tempão e países de verdade nunca entram em guerra e o único título que passa adianta mal mal é o Robin, aquele bucha. Na Marvel pelo menos eles tentam aproximar as coisas da realidade, e não é de hoje: basta lembrar que a Maruel foi a primeira a abordar o problema das drogas na década de setenta nas páginas do Homem Aranha (EU TENHO ESSA EDIÇÃO *-*) Acho que isso tem lá seu valor.

    @Guten você ignora que na Marvel tem pessoas que morrem e morrem mesmo, como a Gwen Stacy (aliás, SÓ ELA, o que foi uma puta decisão editorial FODA que revelou MUITO culhão do povo setentista… aliás QUE SAUDADE do HA da década de setenta =~~) Claro que ela tinha um clone de isopor mas adivinha, quem tava viva era O CLONE, não a Gwen! Essa morreu MEEEEEESMO! Isso é foda. Na DC ninguém morre, só as pessoas que não fazem diferença ALGUMA como os zilhões de heróis na primeira Crise. Quando muito Supermoça e Flash morrem, mas a primeira volta como um Alien Whatever e o outro voltou recentemente (não foi?) anulando uma morte gloriosa na derrota do Anti-Monitor… ou seja, DC SUCKS. Por essas e outras DC pra mim é Vertigo e Maruel comanda. (Deixo claro também que consigo ler numa boa Super&Seus Amigos, simplesmente prefiro as outras coisas que disse..)

  • dervecna

    Sabe que eu, por um tempo, até quis acompanhar as histórias do Batman, que é meu herói preferido desses “regulares”, mas desisti por conta dessas palhaçadas?
    I mean… devem ter uns 80 gibis só sobre a origem dele. Aí tem os mundos alternativos, realidades paralelelas, capítulos “importantes” da história do personagem que ocorreram num crossover na revista da turma da mônica [e que depois será desconsiderado porque aquilo foi um clone dele, num universo alternativo, no ano de 3000ac. E tudo foi revertido com o Superman viajando na velocidade da luz ao redor da terra por três dias e três noites.]

    Aí fiz que nem você. =P Só pego edições “fechadas” e memoráveis.
    Guerra Civil acompanhei em Scan.
    Mas tenho aqui “Origens” do Wolverine, Cavaleiro das Trevas 1 e 2, “Sol Negro” dos X-Man só porque tem a Magia, a edição especial do Homem Aranha de 11 de setembro e coisas do tipo. =P

busca

confira

quem?

baconfrito