Encerrando o assunto sobre os desenhos da década de 80

Televisão quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Finalmente vou concluir o histórico da década de 80, encerrando com produções que faziam a alegria de vocês nas manhãs do SBT e da Globo e nas tardes da Band e da Manchete (embora nestes últimos só passassem desenhos antigos da Hanna-Barbera).

Vou falar das febres que se destacavam como sucesso único de estúdios desconhecidos ou conhecidos, mas por outras áreas, como a Marvel e a Hasbro.

Sucesso, mas sem final

Um dos maiores sucessos da época foi a historinha de um grupo de adolescentes que, do nada, era transportado de um parque de diversões para uma era medieval, onde conhecem um velhinho metido a Mestre dos Magos (não, não era o Gandalf) que dá um artefato mágico para cada um ir se virando no lugar e tentando buscar uma maneira de retornarem para casa.

 Eric, Bobby, Diana, Hank, Théo e Sheila, ao fundo Vingador

Se você ainda não entendeu do que se trata, ou é tanga ou esteve sendo sodomizado por alienígenas nos últimos tempos.

O desenho em questão é Caverna do Dragão (Dungeons & Dragons no original). Um desenho baseado no famoso jogo de RPG, que estava se popularizando na época e contou com a ajuda do desenho para ficar mais conhecido, sendo inclusive produzido por Gary Gygax, um dos criadores do jogo.

Produzida pela Marvel Comics em parceria com a Dungeons & Dragons Corporation, Caverna do Dragão foi sucesso absoluto em todo o mundo, sendo bem elaborado e explorando bem o universo mágico-medieval idealizado por J.R.R. Tolkien (o pai de LoTR e O Hobbit) em suas histórias.

Mesmo com o sucesso estrondoso, o desenho foi cancelado do nada sem ter ao menos um final publicado, criando várias teorias quanto o destino dos garotos.

Já tenho em mente um texto somente sobre Caverna do Dragão, mas isso fica para depois de terminar essa série sobre a história das animações.

Ah sim, é desse desenho o personagem que mais odeio em animações, a maldita Uni, unicórnia órfã que faz o pessoal se ferrar em 90% dos episódios (junto com as mágicas do Presto – que também lembra o Théo).

Sucesso nipo-americano

Para variar mais um desenho feito para vender brinquedos que nem cerveja no deserto, e esse é um dos meus favoritos na época: Transformers!

A história já é manjada por causa do filme que foi lançado no ano passado, mas vale a pena resumir novamente já que vocês esquecem das coisas fácil.

Transformers conta a história de duas raças de robôs alienígenas – os militares Decepticons e os operários Autobots – que já se pegam na porrada no planeta Cybertron há milhares de anos. Claro que uma hora o planeta não agüenta e começa a pedir penico faltando energia para abastecer os habitantes do planeta. Os Autobots, então, sob liderança de Optimus Prime, resolvem fugir de lá e buscar novas fontes de energia em outro canto da galáxia. Claro que os Decepticons não iam ficar com um planeta-bagaceira e resolvem ir atrás de seus inimigos, sob a liderança do malvadão Megatron.

No meio do caminho Megatron ataca a nave dos Autobots e, durante esse ataque, uma chuva de meteoros atinge as naves derrubando as duas num planetinha azul sem muita importância.

Passados 4 milhões de anos, os robôs despertam no planeta Terra, com os Decepticons – empolgados com o tanto de fontes energia disponível no planeta – querendo escravizar os humanos e dominar tudo, enquanto os Autobots, maravilhados com os humanos e fazendo de tudo para defendê-los da corja de Megatrom, querem a paz e a coexistência pacífica (lindo isso).

Por conta disso, a batalha de Cybertron é trazida para a Terra, empolgando milhões de fãs no mundo inteiro.

 Parece tosco, mas ainda é o melhor da época

Transformers também foi produzido pela Marvel, em parceria com a Hasbro, Sunbow, Toei Doga, Akom Production Company e Tokyo Movie Shinsha, sendo um desenho feito à mil mãos, ora produzido nos Estados Unidos, ora produzido no Japão, sendo os japoneses melhores que os americanos na concepção da história e da animação propriamente dita.

Também tenho em mente uma coluna apenas para os Transformers, mas por conta do tamanho da série, talvez guarde para o lançamento do segundo filme no ano que vem.

E agora, os outros

Por incrível que pareça, a década de 80 teve outros desenhos que, se não fizeram tanto sucesso lá fora, aqui no Brasil eram unanimidades, mas, por conta do humor do titio Silvio do SBT, ou do ibope da Globo iam e voltavam na grade de programação ou repetiam à exaustão nas manhãs da telinha.

Entre esses há Cavalo de Fogo, que contava a história de Sara, uma garotinha filha de um fazendeiro e amiga de uma índia apache que vivia sua vida normal até descobrir, por conta de um corcel falante, que era princesa de um reino em uma dimensão paralela.

Alguém sabe de quem é essa voz?

Na real, o desenho não era lá grande coisa, mas como o SBT sempre faz questão de fazer – e merece aplausos por isso – passava as aberturas dos desenhos inteiras, com uma dublagem e canção bem feitas, sendo que a do Cavalo de Fogo era de um grude só. Só não sendo mais grudenta que a…

… da Nossa Turma que tinha uma música que, se bobear, é assobiada nas ruas sem que ninguém perceba de onde veio. Aliás, o nome da música – A Get Along Gang – é o nome original do desenho, que até fez sucesso em alguma rádios na época e que contava a história de alguns amigos, em forma de animais, arrumando [modo sessão da tarde on] altas confusões [modo sessão da tarde off] e passando bons valores à criançada.

Odeio esse desenho e tudo que faz lembrar dele, inclusive a música

Odiava esse desenho, mas como ele passava num vácuo da programação (lembro bem disso, pois se não fosse por isso nem assistia) acabava tendo que aturar as frescuras do alce Montgomery, da cadela Dotty, do castor Bingo, do gato Zipper, da ovelha Vilma, da porca-espinha que nem lembro nome e dos vilões – se é que tomar um vagão de trem fajuto pode ser coisa de vilão – crocodilo Cathum e lagarto Leni.

Sério, odiava esse desenho.

Enfim, é só. Ficou faltando citar vários outros, como DuckTales, Ursinho Pooh (ou Puff, como o SBT enfiou goela abaixo por aqui), Ursinhos Gummy, Pimentinha, Dinosaucers, Inspetor Bugiganga, Os Snorks, Os Smurfs, Os Exterminadores de Fantasmas, Rambo, Os Caça Fantasmas, Comandos em Ação, Punky e Glomer, Muppet Babies, entre outros que não lembro agora.

Menção honrosa, embora Capitão Planeta não seja dessa época

Fica uma menção honrosa a esses aí.

Semana que vem começo a retratar a década de 90, que mistura o politicamente correto (argh!), com a questão ambiental, o humor negro (oba) e as aventuras que não ofendem a inteligência das crianças.

Hasta.

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Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Opa!

    Não tinha me dado conta, mas o Capitão Planeta menciona a União Soviética quanto nem mais esta existia :)

    Baita série de posts!

    Att

    Igor

  • Norsk

    Parabéns pelo post!
    Como fiz parte dessa época, logicamente me identifiquei com muita coisa neste seu texto!
    Não sei se já viu, mas tem no iutubíl uma coletânea de aberturas dos desenhos desta época! Tá que alguns já são anos 90, mas isso é detalhe!
    Deixo aqui a parte 1, mas são inúmeras partes…
    http://www.youtube.com/watch?v=AOeCMThysIQ
    Até!

  • Francesco

    Eu sinto falta do desenho das tartarugas ninjas!
    :(

    Obs: Cara, eu também odiava aquele desenho!
    Odiava com todas as forças do meu coração! >(

  • Ches

    Caraca!
    Caverna do Dragão do é Tolkien ?
    Sério mesmo ?

  • Ches

    Caraca!
    Caverna do Dragão é do Tolkien????

  • wiliam

    Aew, tinha um anime foda da época, Zillion(é assim que se escreve???). Ah, A get along gang era simplesmente uma bosta mesmo!

  • Lucas

    Ainda acho tdos esses desenhos antigos, melhores q os q passam atualmente.

    A juventude d hje ta perdida =/

  • marcosbonilha

    @igor
    O Capitão Planeta foi criado em 90, quando os comunistas nem sabiam o que seriam deles ainda, tanto que em 92, nas olimpíadas de Barcelona, os países do leste europeu competiram sob a bandeira da CEI – Comunidade dos Estados Independentes, só definindo depois a independência de cada um.
    Também podemos acreditar em mais um caso de analfabetismo histórico-geográfico americano, mas, dessa vez, acredito na primeira opção.

    @Norsk
    Vou começar a falar da década de 90 semana que vem, mesmo assim valeu pelo link.

    @Francesco
    Tartarugas Ninjas estourou por aqui nos anos 90 mesmo, por isso deixei para depois.

    @Ches
    Caverna do Dragão não é do Tolkien. Como disse no texto, o universo do desenho foi baseado no jogo D&D de RPG, que foi criado inspirado nos livros do Tolkien.
    Simples assim.

    @wiliam
    Zillion e Robotech fizeram muito sucesso, mas como são animes, talvez o Black ou o Paulo falem sobre isso.

    @Lucas
    Também concordo.

    Aliás, já disse que odeio Nossa Turma?

  • Ches

    Haha viajei…
    comentar no serviço da nisso!
    Sai duplicado.
    ¬¬’

  • Zeugmar Zeugma

    hmm…

    Fiquei só na dúvida de algo que vc mencionou, o Caverna do Dragão foi sucesso no mundo todo? Tem certeza? Acho que deve ter feito sucesso só aqui no Brasil mesmo. Em todos estes anos (+ de 10) frequentando lojas de comics e de RPGs vi pouquíssimo material (Brinquedo, bonecos, DVDs) disponível do Caverna do Dragão. Ou existe outra explicação para isto?

  • Red

    porra só desenho de mulézinha…

    só salva transformers

  • Val

    O nome da porca-espinho era Marcie.

    Tb tinha vontade de chutar a TV.

  • Erick

    Li num site confiável que existe um roteiro sim para o episódio final, embora este nunca tenha sido produzido. Ai vai parte dele:

    “Entretanto, Karl Geurs, um dos produtores de D&D chegou a encomendar na época um episódio final, que foi entregue em 1985 para o estúdio por Michael Reaves, um dos roteiristas da série. Infelizmente, esse capítulo derradeiro das aventuras dos seis amigos jamais foi produzido e não saiu do papel.

    Na aventura final, disponibilizada uma década mais tarde pelo escritor, o Mestre dos Magos e o Vingador chegam a um entendimento. Para colocarem um fim nas homéricas batalhas, empreenderão um último – e grandioso – teste aos seis aventureiros. Se vencerem, eles poderão voltar para casa, sem surpresas. Se falharem, além das armas também perderão as vidas.”

    Para nao parecer perua, envio a fonte dessa informacao:
    http://www.omelete.com.br/teve/100002113/Lembra_desse___i_Caverna_do_Dragao__i_.aspx

    Lá se encontram detalhes sobre o desenho e o roteiro completo.

    Abracos,
    Erick

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