Do Inferno (Alan Moore)

Antípodas da Mente quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Muito se fala de V de Vingança. Muito se fala (agora principalmente com o filme) de Watchmen.
Inegavelmente, são as duas obras mais conhecidas de Alan Moore e aquelas que o tornaram mundialmente consagrado no mundo dos quadrinhos e, por que não, na literatura.

Alguns fãs admiram seu trabalho mais recente em Lost Girls e relembram a genialidade de A Piada Mortal.
Mas poucos falam de Do Inferno. Por quê?
Por conta da péssima adaptação hollywoodiana?
Por ser um tema menos popular aqui no Brasil?

Eu não tenho a menor vergonha em afirmar, com toda a convicção, que Do Inferno é a Obra Prima de Alan Moore.
Foi, de longe, sua obra mais trabalhosa de ser montada e, com certeza, aquela com maior profundidade.
Sim. Esqueçam os monótonos discursos do Dr. Manhattan. Ignorem por alguns segundos todos os valores libertários de V. Eu falo de pessoas normais, como você e eu, colocadas em situações não-convencionais, e as consequências dessas situações em suas vidas.

Do Inferno tem o objetivo de contar uma das possíveis histórias para o caso de Jack, O Estripador, o misterioso assassino inglês que matou 5 prostitutas em 1888 e nunca foi preso, ou até mesmo descoberto.
Mais do que isso, é um roteiro de intrigas da coroa britânica e um excelente retrato do fim da era Vitoriana.
Mais do que isso ainda, Do Inferno possui, no final de cada um de seus quatro volumes, um apêndice com Todas as referências bibliográficas e pesquisas necessárias na composição do “romance”.
Sim. Apesar de ser uma história em quadrinhos, Do Inferno possui uma fortíssima, quase total, base na realidade histórica dos fatos que assombraram Whitechapel.
Alan Moore é tão criterioso em suas referências que os apêndices citam Página por Página do volume!
Mesmo os fatos não provados são conectados com outros livros de outros historiadores que tornam possível, palpável e crível a cena descrita (desenhada).

Mais ainda do que isso! O “personagem principal”, Sir William Gull, em sua tentativa de colocar lógica nos brutais assassinatos, traça um panorama completo sobre a Arquitetura das igrejas da Inglaterra, sua relação com as artes, a maçonaria e até mesmo com as antigas religiões pagãs que existiam na Grã-Bretanha antiga, indo tão longe a ponto de encontrar, na essência de tudo, o eterno embate entre Masculino e Feminino; Racionalidade e Misticismo; Ciência e Poesia.

E não, ele não está realmente “viajando” em nenhuma de suas explicações.

Obviamente, não vou revelar a trama central do “romance”, mas quem já viu a adaptação para o cinema (com Johnny Depp, inclusive) já tem uma noção do motivo por trás dos assassinatos.

Do Inferno (quatro volumes)


From Hell
Ano de Edição: 2000
Autor: Moore, Alan
Número de Páginas: 192, 136, 160 e 120, respectivamente para cada volume
Editora:Via Lettera

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  • dervecna

    Ainda não li os quadrinhos, mas tenho interesse desde que vi o filme.
    E apesar de provavelmente não ser tão bom quanto os quadrinhos, o filme merece elogios. É um filme bom, até.

  • thiago

    O filme só se salva pela atuação do johnny depp.
    quando você ler os quadrinhos, vai descobrir que o filme praticamente pegou toda a história e mastigou e simplificou de forma completamente estúpida.
    inclusive, foi graças a essa adaptação, que o Alan Moore começou a sentir raiva das versões em filme dos seus quadrinhos.
    e eu não tiro a razão dele não: ele deve ter levado um Puta tempo pra fazer toda a pesquisa histórica pro Do Inferno. TODOS os personagens do quadrinho realmente existiram. E aí, no filme…bah…

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