Do atleta ao nerd

Televisão terça-feira, 28 de agosto de 2012

Devido ao ócio e a inatividade acadêmica provocada pela greve, tenho sentido muita falta do ambiente “escolar”. Não sei se vocês leitores, que estejam ou no ensino médio, ou graduação, ou pós, sentem um vazio extremo longe do ambiente de aulas. Não estou insinuando que estou com saudade das aulas, mas sim daquele lugarzinho onde você fica exposto a todo momento à várias intempéries da vida.

Devido a esse sentimento nostálgico, decidir assistir uns filmes, desses bem leves, relacionado com o tema. De uma vez só assisti Clube dos Cafajestes, Picardias Estudantis e Curtindo a Vida Adoidado. Para quem não conhece, são filmes clássicos da década de setenta e oitenta sobre o ambiente “estudantil” americano. Lógico que o contraste com o Brasil é óbvio, mas não é isso que eu quero tratar no texto. Vendo um pouco de filmes e seriados que tratam deste ambiente, eu fico me perguntando sobre as óbvias mudanças que aconteceram.

Fenômenos de audiência como Glee e The Big Bang Theory deixam bem claro para onde o foco passou. Os tais losers ganharam um espaço antes inexistente e o nerd é o novo atleta. Não que isso seja importante demais, os valores mudam, assim como as classes privilegiadas. Porém, é impressionante a capacidade das produções americanas, principalmente as voltadas para um público mais jovem, de estereotipar e mostrar a moeda como se tivesse um lado só. Nesta brincadeira, sabe qual personagem fica de fora na maioria das vezes? Um Ferris Bueller da vida.

Não sei o que aconteceu, porém tenho minhas desconfianças sobre o assunto. A terra do Tio Sam tem óbvios problemas com o tal do bullying, vide loucos que a cada ano metralham seus coleguinhas por causa disso. Vendo bem por fora, mas com a sabedoria que os anos me proporcionaram uahauhauhauhauhauh, parece que estes programas e filmes e tudo mais valorizando o lado loser da força é parte de uma “campanha” no sentido de mudar um pouco a cabeça dos americanos, passando a valorizar um pouco mais os cidadãos outsiders.

Louvável iniciativa, se esse for o caso, mas como eu estou abstraindo vamos fingir que é. Porém, existem dois fatores que devem ser levados em consideração: 1º) Estereotipar ainda mais os menos favorecidos não me parece ser uma alternativa muito inteligente para acabar com um estigma carregado por gerações; 2º) Não precisamos ter nossos cérebros arrancados por programas de qualidade duvidosa para que a sociedade americana se sinta bem consigo mesmo.

Você pode me dizer: “Tio, você não é nem americano e nem é obrigado a ver os programas que eles fazem.” Bom, por outro lado eu respondo: “Moleque, deixe de ser besta, tudo que é feito pelos yankees reverbera na nossa terra também e a porra da Fox insiste em colocar Glee na grade, por mais que eu possa mudar de canal, é um tempo precioso em que eu poderia estar assistindo Simpsons.”

Não sei se vocês tem noção do debate, mas essa questão do bullying começou a ser veiculada com força exatamente na época do surgimento de Glee e da popularização de The Big Bang Theory. Acho que é coincidência demais para mim.

[Nota do editor: Bullshit, essa discussão já existia muito antes de tal popularização.]

De todo modo, se for esse mesmo o objetivo (Além de ganhar dinheiro, muito dinheiro com isso), ele está sendo cumprido bem. Vide a popularização da cultura nerd e sua subsequente valorização. Não sei no caso do coral, porque com a graça do senhor não temos isso por aqui. Mas de todo modo, como já disse, o tiro pode sair pela culatra, já que estereotipar pode ter efeitos maléficos em longo prazo.

Para terminar, sinceramente, isso tudo é um saco. Eu sinto falta de personagens que são pessoas normais, e não essas fabricadas, que também são mais falsas que uma nota de 25 reais. De todo modo um Ferris Bueller da vida é mais fácil de encontrar na rua do que um Sheldon Cooper. E pense bem ai: Qual é mais interessante?

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  • ClaytonSlayer

    Comparar Sheldon com o Bueller é covardia. Qualquer moleque gostaria de ser o cara bacana com namorada gata, cheio de granas e amigos, ao invés do gênio que age como um retardado. É uma boa referência para se pensar qual é mais legal.

  • Arthur

    Não é apenas isso. O Bueller é um cara normal, a namorada gata é apenas um detalhe. O cara basicamente popular porque trata todo mundo bem e igual. O Sheldon além de ser um retardado, como você bem colocou, se coloca acima da humanidade, menosprezando os outros sempre que possível.

  • Marina Oliveira

    E essa estereotipagem(?) de seres humanos o tempo todo na TV faz com que muita gente sinta a necessidade de se enquadrar em algum “tipo de ser humano”. Acho que esse tema tem gás pra uma boa discussão.

  • Cara, a juventude é tão rebelde que se rebela contra a própria rebeldia, saca?
    Tipo, antigamente a moda era ser porra louca, hoje em dia todo mundo “escolheu esperar” e os nerds subiram ao poder.

    WTF?

  • Arthur

    Ri alto aqui, mas vc tem razão!

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