Deve Ser Difícil

New Emo quinta-feira, 20 de maio de 2010

Hoje eu estou um pouco demasiadamente extensamente reduzido para fazer um post planejado. Então aguentem o dilúvio de besteiras, e se não gostarem do meu gosto que quem só gosta é o dono do gosto, enfim, sabem onde fica o inferno.

Vou contar uma coisa que fiquei pensando nesses últimos, hmm, um dia. Nem isso, foi ontem à noite, enquanto eu escutava algo que nem lembro mais o que era. Já pensou se alguém bem próximo de você, tipo próximo mesmo, tão próximo a ponto de estabelecer relações copuleiras, tivesse um gosto bem diferente do seu? Não digo como muitas vezes é na realidade, umas simples coisas análogas, mas digo do tipo hardcore mesmo, coisas bem diferentes. Como por exemplo o Brinquedo Assassino e os bonecos do Comandos em Ação. Não, pior que isso. Algo como sua vizinha véia e a S t o y a.

Eu gosto de muitas coisas, como qualquer humano (Minha mãe ao menos disse que assim eu sou). Filme, games, livros, o diabo todo. Mas minha coluna aqui é sobre o quê mesmo? Ahh, música. Valeu, Joãozin. E sendo sincero, dá até pra aturar quando alguém não curte os mesmos filmes que você. A pessoa talvez não tenha tantas referências, né. Com o livro é um pouco mais complicado, mas dá pra deixar passar, já que é uma coisa mais densa, que exige tempo. Mas música, pow? Não precisa saber as escalas pentatônicas decoradas, ou entender alemão do Punk OI OI OI! ou nada disso. Claro que para cada um é uma viagem diferente, mas cá entre nós, tem coisa que instiga mais que música? Saber que aquela pessoa que está ali contigo, seja na cama, em casa, fazendo compras, alugando uma mesa de sinuca pra tomar café da manhã contigo ou cortando tuas unhas, não curte o mesmo som que você, deve ser MUITO DIFÍCIL.

Porra, eu morreria de desgosto se minha muié não curtisse um blues. Ou um punk. Tá certo, ainda deixo passar sendo um eletro, um dub, ska, sei lá, rock mermo. Não digo pra curtir necessariamente aquela coisa, mas eu me sentiria isolado, não poderia conversar sobre (O que seria terrível) e tudo o mais.

Ainda bem que não passo por isso.

Mas e quem sofre nesse aspecto? Well, esse caboclo com certeza tem um selo .ISO 53105 de insatisfação. Claro que o cara não iria deixar de gostar tanto da guria, mas com certeza, não teria aquele mesmo feeling em comentar o solo do Eric Clapton enquanto ela procura o álbum do Strike (Isso ainda existe?) pra baixar.

A começar que o começo que começa em si já seria difícil, sacou? Vê só:

Joãozin (Aquele mesmo que me avisou sobre de quê era a coluna) avistou de sua bonita luneta uma vizinha gostosa. Saia rosa, blusinha combinando, pronta pra uma festa. Que por sinal ele também iria. Lá na festa, estabelece contato com todos os requisitos: copo na mão, encostado na parede, bafo de cana, cueca aparecendo, e claro, o gel escorrendo.

– E ae, muié, quié que manda? Hic hic!
– Oiiiiiiiii! Festa legal, neeeah?
– Aham. Qual teu nome? boratrepa?
– É Mariínha, sou virgem e não tenho namolado. E o teu?
– blá blá blá…
– blá blá blá…
– Eu curto Manolo’s Reguetom.
– Ahh, legal. Eu gosto de Xaikóvisk, ópera.

Explicitamente tosco pra mostrar o grau de perigo. Acho que, descontando a beleza do alvo em questão ou a seca do cara pra comer alguém, a maioria das pessoas que procuram alguém interessante já ficaria com um pé atrás.

 Complicado…

Mas eis que Joãozin consegue superar a desconfiança de Mariínha. Começam a sair, se apaixonam como Eduardo e Mônica deveria ser, e viram namorados. Tempo vai, tempo vem, a intimidade vai chegando e compartilhando mais coisas. Só que aos poucos, Mariínha vai se sentindo sozinha, sem ter com quem compartilhar aquela coisa legal que ela ouviu, já que seu homi só gosta de um único estilo e é cabeça fechada para o resto. Ou no pior dos casos, não combina mesmo com ela.

E então, surge o Paul-lo. E ele gosta das coisas de Mariínha. E então, já imaginam. Não, deixa pra lá, exagerei demais.

Pois bem, não digo que relacionamentos se sustentam pelos gostos semelhantes. Mas fica bem mais fácil quando assim o é. É praticamente um certificado de curso intensivo de entrosamento e conversa. Aliás, tem coisa pior que faltar assunto? Tae um ótimo indicador que mostra que aquela pessoa não é lá muito boa pra ti.

Então, minha dica atual, enquanto escuto um Taj Mahal aqui, é para você, exímio rapaz mantenedor de saudáveis relacionamentos, ou você, bela garota poledancer apaixonada, é para prestarem um pouco mais de atenção no que seu marid@/noiv@/amante/namorad@/ficante/lanchinho/alvo gosta de ouvir. Se interessar por coisas que interessam a pessoa te faz ser mais interessante, vá por mim.

Post Scriptum¹: Mas deve ser pior ainda não-crente sair com evangélico.
Post Scriptum²: Não deixem de conferir o álbum novo do Slash. Sério. E lembrem, Dogão é mau. Dogão é mau au au.

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Antes de comentar, tenha em mente que...

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  • Meu pai vive isso. Ele curte vários tipos de rock e tal. E minha mãe curte alguns rocks mais populares, sertanejo, axé, forró…

  • K

    Rapaz, esse foi o melhor texto do ANO. Sim, fodam-se os textos que estão por vir.

  • Cara, ainda bem que curto algumas das coisas que o meu namorado curte.
    É legal gostar de algumas mesmas coisas, e quando não se tem algumas afinidades, o jeito é não ofender o gosto da outra pessoa, e tentar ser compreensivo.

    Ótimo texto.

  • @K, B.Cristina:
    Obrigado, de verdade.

    @B. Cristina:
    E também, com o passar do tempo, se existir intimidade, os gostos vão se assemelhando lentamente. É bem interessante notar isso. É como se seu colega falasse pra você ouvir tal banda, mas você não presta muita atenção. Quando é seu namorado quem indica, aquela pessoa especial pra quem você se dedica, a indicação surte efeito bem maior.

  • Garotas de plantão, curtir Trance é metade do caminho para ganhar meu coração.

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