Crenças Literárias

Nona Arte quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Como provavelmente alguns entre a minha dúzia de leitores, eu estudo em uma universidade pública. E, como se sabe, há um problema recorrente nessas instituições: Má infraestrutura Falta de recursos Professores mal pagos que, vez ou outra, faltam sem motivo algum. Isso é causa de alegria, ira ou indiferença, dependendo do professor. Pois bem. Dia desses, um professor, não muito estimado, faltou. Aproveitando o fato de que não havia quase ninguém na sala, soltei minha mente de quaisquer amarras, o que no meu caso se traduz por “divagar desenfreadamente”.

Depois de meia hora passeando no domínio da caçula dos Perpétuos, minha cabeça já havia simulado um ataque zumbi completo, e se preparava para o início de algo igualmente insano quando, do nada, apareceu um tópico que merecia um pouco de atenção: A descoberta de um elo entre HQs, religião e o mito da vida real (que tanto contam para nós, nerds), e como isso influenciaria minha vida.

A resposta (ou parte dela) surgiu semana passada, na qual eu me referi ao vendedor de best-sellers instantâneos, Dan Brown. Enquanto dava os últimos retoques no texto para facilitar a vida do revisor, a resposta apareceu, personificada no meu mau humor: “Conspirações, sociedades secretas (Ou não. Tenho certeza que sábado, fuçando um sebo, vi uns manuais maçônicos numa prateleira quando tava saindo), monges albinos masoquistas, Tom Hanks de galã… como é que alguém leva esse absurdo a sério?”.

Então, me lembrei da época em que eu ainda frequentava fóruns, uma discussão que tive com um fanático religioso que havia definido Sandman de heresia e trabalho do demônio. Por que? Pelo fato de a obra de Gaiman transformar o deus dos católicos, protestantes, judeus, muçulmanos e o que mais tiver em uma simples entidade que vagava pelos jardins do Oniromante, podendo ser destruído facilmente durante um acesso de raiva deste. Ah, e o fato de os Perpétuos estarem acima dos deuses também não ajudou muito.

Enfim, depois de juntar tudo isso, me dei conta de que o maldito crente me considerava um hipócrita. O motivo? Ser ateu, mas (na mente distorcida dele) acreditar que os Perpétuos realmente existiam. Afinal, se eu lia, gostava, divulgava e discutia, obviamente eu acreditava que Desespero gargalhava da minha cara toda vez que eu procurava, infrutiferamente, aqueles famosos três volumes de Sandman nas interwebnets.

Como alguém consegue ser tão bitolado ao ponto de confundir ficção intencional com ficção que quer se afirmar como verdade absoluta? (Bíblia: o livro de ficção não-intencional mais vendido no mundo) Minhas “crenças”, ao menos, nunca causaram mortes desnecessárias, não ajudam na propagação de DSTs, não mutilam crianças, não roubam e/ou enganam seus “fiéis”.

Touché.

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  • D

    Toda pessoa com uma mente pequena tem dificuldade em imaginar aqueles com todo um mundo criativo dentro das suas.

    Se tem dificuldade de imaginar, que o diga de aceitarem !

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