Cinema Nacional 2008 – Alguém Viu?

Primeira Fila sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ainda fazendo um balanço deste 1º semestre de 2008, dêem uma observada na listagem de filmes brazucas lançados nestes primeiros seis meses e suas respectivas bilheterias. Os números são de um boletim da Filme B – não um boletim final do semestre, vale dizer, porque foi divulgado no final de junho, antes do semestre de fato terminar. É de chorar…

Meu Nome Não é Johnny – 2.115.000 espectadores;
Chega de Saudade – 164.770 espectadores;
Polaróides Urbanas – 85.000 espectadores;
Estômago – 69.418 espectadores;
O Banheiro do Papa – 28.139 espectadores (co-produção Uruguai, Brasil e França);
Garoto Cósmico – 26.000 espectadores;
Maré, Nossa História de Amor – 21.662 espectadores;
Juízo – 12.000 espectadores;
Bodas de Papel – 10.899 espectadores;
Falsa Loura – 6.310 espectadores;
Condor – 4.664 espectadores;
Cinco Frações de uma Quase História – 4.315 espectadores;
Cleópatra – 3.830 espectadores;
Valsa para Bruno Stein – 3.010 espectadores;
Longo Amanhecer – Cinebiografia de Furtado – 2.958 espectadores;
Serras da Desordem – 2.744 espectadores;
Fim de Linha – 1.811 espectadores;
Corpo – 1.764 espectadores;
O Tempo e o Lugar – 1.434 espectadores;
O Romance do Vaqueiro Voador – 600 espectadores;
1958 – Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil – 588 espectadores;
Otávio e as Letras – 513 espectadores;
Atabaques Nzinga – 141 espectadores;

Alguns comentários…

>>> Vale lembrar que boa parte desses filmes ainda está sendo exibida nos cinemas, ou seja, seus números devem aumentar nos próximos dias, ou semanas, ou meses;

>>> Uma grande parcela destes lançamentos acima são de documentários, gênero que por si próprio fica restrito a um pequeno circuito (quando é lançado nos cinemas);

>>> O abismo de público entre o 1º colocado – Meu Nome Não é Johnny – e os demais;

>>> Qual seria a receita para um filme com apelo popular e boa história?

>>> De vez em quando acredito que o cinema brasileiro vive de fenômenos (filmes que gerem grande bilheteria), nunca será uma indústria auto-sustentável. Não esqueçam que a maioria dos filmes possui verba pública na sua realização;

>>> No entanto, se eles conseguem verba pública, como o governo ainda não conseguiu criar uma politíca de exibição dos mesmos? Apesar que isto cheira a lei que obrigaria os cinemas a exibirem os filmes, e não ao público mudar de atitude e assitir a mais filmes nacionais (polêmica esta questão!);

>>> E por último, vocês não têm a impressão que a grande maioria dos filmes parece ser feito somente para ser um tipo de “filme cabeça” ou cult? Não vejo uma atitude pró-público de criar interesse em assistí-lo, isto desde a divulgação de notícias pré-produção, filmagens e pôsters, não se trabalha com expectativa de lançamento do filme, assim fica difícil criar um elo entre o público e o filme antes mesmo da estréia (olha o exemplo de Tropa de Elite, mesmo com toda pirataria – e foi grande – o filme criou antes mesmo de sua estréia uma expectativa positiva, sendo que um grande público esperou pela seu lançamento nos cinemas para conferí-lo).

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...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Naga Riddle

    A ocupação do mercado nacional por filmes brasileiros, nos cinemas, está reduzida a apenas 10%. Na TV aberta, é menos ainda: 5,6%. E 0,5% na TV por assinatura. Os monopólios que controlam a distribuição e a exibição para favorecer o cinema americano estão impedindo o público de tomar conhecimento do que é produzido no país. O governo financia a produção, que cresce a cada ano, mas a política neoliberal do Minc e da Ancine conspira para manter essa produção longe das telas…

    Mas isso é só o que penso a respeito!

  • .Leorick.

    o_o
    Eu acho que filme nacional é ruim e ponto o_o

    Mas a culpa é da Ancine! (que diabos é isso?)

  • Entravix

    Eu vi quase todos os filmes dessalista ai, pessoalmente recomendo Juízo.
    Alguns filmes dai foram bem trabalhados para o público, Meu nome não é Johnny foi muito bem trabalhado e divulgado e conseguiu uma grande bilheteria, já o filme Maré, nossa história de amor também achei muito bem trabalhado, vi trailers e posters do filme por grande parte da cidade(Rio de Janeiro)e ele não conseguiu uma bilheteria tão grande, acho que seria um problema do público, que tem um grande preconceito com os filmes nacionais. Leorick logo acima é um grande exemplo, diz que os filmes nacionais são ruins, mas TALVEZ não tenha visto muitos e julga precipitadamente graças a um preconceito criado depois da pornochanchada.

  • LucasMR

    @.Leorick.

    Seu argumento é fantástico , até chorei quando li!

    São pessoas assim que moldam o carater cultural e intelectual do país!

  • LucasMR

    @Entravix

    Gente como o Leorick nem sabe o signficado de pornochanchada , porque olha só : o cara nem sabe o que é Ancine!

    O problema é que devido os meios de comunicação desde muito tempo predominarem em seus produtos o “american way of life” poucos tentaram arriscar na arte dramática nacional que fica muito restrita a novelas e sitcoms deveras plagiadas (mas com um toque brazuca bem fraquinho),poucos vão a teatros porque é mais facil ir no show de uma banda do exterior que eu pago pau, poucos vêem filmes nacionais porque é dificil de se entender um enredo quando se acha que Keanu Reeves é o mais gato e expressivo dos atores.

    Tem muito filme bom mas ninguém dá bola!

  • CHUPA, NOME PRóPRIO!

  • Quero colocar duas afirmações para completar o comentário:
    1. Falta BOA propaganda. Não apenas propaganda. Precisa-se investir em marketing. Dos filmes da lista, muitos eu nem ouvi falar
    2. Brasileiro gosta de ver tragédia, crime, sexo… Se não tiver mulher gostosa, explosão, correria e morte, não vai pra frente. Não, eu não acho que os bons filmes precisem ter tudo isso que citei. Mas eu sozinho não faço 2 milhões de espectadores para um filme.

  • O grande problema são os icones máximos do cinema nacional: Xuxa e Didi

  • O grande problema é os filmes com os atores da globo que,praticamente TODOS,são uma merda!
    óbvio,que aqui tem filme bom,mas os melhores filmes nem tem divulgação,agora um filme como “Guerreiro DiDi e a Ninja LiLi”,tem uma propaganda a cada 5 minutos em horário nobre.
    Porra,O DIDI É O QUE,PEDóFILO?ELE JÍ FEZ 154 FILMES COM A TAL NETA DELA,E TODOS SÃO HORRÍVEIS!

    Por isso aposto mais nas produções independentes,eles têm muuuuuito mais criatividade,e não são essas merdas da globo.Esses filmes,por serem divulgados,dão a má fama ao cinema brasileiro.

  • Red

    Faltou uma breve descrição sobre o tema central dos filmes

    Meu Nome Não é Johnny – Trafico de drogas.
    Chega de Saudade – Bossa nova.
    Polaróides Urbanas – Tecnicas de fotografia.
    Estômago – fome no brasil
    O Banheiro do Papa – politicos
    Garoto Cósmico – drogas
    Maré, Nossa História de Amor – pescaria
    Juízo – sistema judiciario
    Bodas de Papel – relacionamentos na atualidade
    Falsa Loura – pessoas que querem ser burras
    Condor – filme do livro
    Cinco Frações de uma Quase História – calendoscopio
    Cleópatra – a historia de um travesti
    Valsa para Bruno Stein – socialites do rio
    Longo Amanhecer – Cinebiografia de Furtado – autoexplicativo
    Serras da Desordem – garimpo
    Fim de Linha – trens
    Corpo – documentario biologico
    O Tempo e o Lugar – fisica quantica
    O Romance do Vaqueiro Voador – esquisofrenia
    1958 – Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil – futebol
    Otávio e as Letras – analfabetismo
    Atabaques Nzinga – ataques nazista durante a 2ª guerra

  • Dezinhorox

    eu acho que tem propaganda demais de filme porcaria e isso gera um preconceito geral dos brasileiros

    veja bem até alguns meses atras eu tinha um enorme preconceito contra produções brasileiras dado que tinha sido obrigado a ver tainá 1 e 2 em um cinema cheio de pirralhos gritando.
    agora estou me abrindo mais mas enquanto não acabarem essas produções do didi e da xuxa não vai acabar esse preconceito

  • Transeunte

    A explicação é simples: o povo não é bobo – filmes nacionais são ruins, chatos e são apenas para fazer propaganda do marxismo – o rico é malvado, o marginal é fruto do seu meio, blá, blá, blá… Tinha era que parar com esse sustento de filme nacional pela viúva para que estes ditos cineastas tomem vergonha na cara, porque não tem mais dinheiro fácil, e façam filmes decentes.

  • Mau

    O que falta é marketing agressivo como esse que temos visto do Batman, que é uma porcaria de filme, mas foi tão alardeado, tão blogado que é impossível que as mentes fiquem alheias.

    Por falar nisso, assisti essa porra e não vi nada de mais: coringa mais sem graça que o normal, voz ridícula do cavaleiro das trevas, uma pataquada tola que só interessa aos adolescentes que não sabem o que é cinema.

  • @Mau
    RÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍ, EU NÃO ESTOU SOZINHO!

  • CofinJoeJr

    Li o comentário de todos por aqui.
    E pelo que vi o preconceito esta na mente de todos.Tanto na cabeças de pessoas como o “Mau” quanto do na cabeças de pessoas como o”Transeunte”.
    O problema do cinema brasileiro é bem maior do que monopólio americano na distribuição de filmes ou a falta de propaganda ou o preconceito do publico. E vale a pena lembrar que o cinema brasileiro não conquista publico local, e muito menos o publico estrangeiro. E não venham dizer que é por causa da diferença de linguagem ou cultural, pois o cinema asiatico vem crescendo a passos largos e conquistando publico do mundo inteiro e contradiz este argumento.
    O grande problema do cinema brasileiro é estrutural, ou seja, no Brasil é muito dificil para não dizer quase impossivel produzir um bom filme, e por que?
    Por que, primeiramente não temos profissionais qualificados nas diversas áreas tecnicas necessárias para produzir um filme,pois não temos escolas de cinema que formem estes profissionais, todas as escolas de cinemas que existem no Brasil tem curriculos mediucres e não tem equipamento para instrução dos alunos, e eu sei disso por experiência propria. E filmes bem produzidos exigem milhares de profissionais, aqui no Brasil em geral uma grande produção não envolve mais do que umas 100 pessoas.
    A falta de investimento é outro problema, mas isso esta relacionado a descofiança do mercado e dos setores privados no cinema brasileiro como produto, pois eles sabem que nosso cinema tem um publico bem restrito, como disse no começo do comentário.
    Quanto a falta de publicidades, eu concordo até certo ponto. É claro que sem publicidade fica dificil do publico saber da existência do filme. Nas no “BOOM” do cinema novo brasileiro, praticamente todas as produções brasileiras eram amplamente divulgadas, com propagandas frequentes e divulgações de programas de tv, e isso aumentou o publico por um certo tempo, mas não resolveu o problema.
    Tem outro problema que eu acho extremamente sério, e que a maioria dos defensores do cinema nacional não levam em consideração. Que é o fato do cinema brasileiro ser muito limitado no aspecto criativo. Isso é importante quanto ao aspecto do publico, pois as pessoas tem gostos diferentes, tem gente que gosta de filme de ação, outros de terror, outros dramas, etc…, e neste aspecto é fato e notório que o Brasil não tem condições de produzir ou co-produzir filmes de qualquer genero. Por isso, em geral filmes brasileiros tem aspecto de novelas produzidas para serem exibidas no cinema.(Se não concordam comigo, vide o Making-off do filme “Aeon Flux”, e você vai saber porque Brasilia não foi escolhida para ser o cenário do filme).
    Então, antes de botar a culpa nos outros, ou seja falar que é culpa de Hollywood, ou que o povo brasileiro é ignorante. Nos devemos olhar primeiro para o que tem de errado no nosso cinema, que não pouca coisa, eu apenas enumerei alguns problemas, e fazer um grande esforço para corrigi-los.
    Para mim o dinheiro que o governo gasta nas produções seria melhor gasto melhorando os cursos de cinema (e tem que melhorar muito, em cursos tecnicos relacionados com cinema e construir estudios de cinema, pois nos estudios os cineastas e tecnicos teriam o suporte necessário para fazer produções mais elaboradas e de qualquer gênero.
    E para os defensores do cinema nacional, eu sinto muito, mas não apenas “bons roteiros” e “bons atores” que se faz bom cinema. Pois o cinema é praticamente a união de todas as artes.

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