Ceremonials (Florence + The Machine)

Música segunda-feira, 02 de julho de 2012

Florence + The Machine acabou sendo uma bela surpresa. Apesar da cara de alternativa, ela acabou caindo no gosto do povão e ai da bicha indie que negar. E a maior prova do sucesso são os milhares de prêmios e de participações em trilhas sonoras de filmes. Final do ano passado, lançaram o Ceremonials, um disco com a responsabilidade de sustentar o sucesso.

E não é que parece que eu finalmente vou elogiar alguma coisa? Aperta o leia mais aí:

 E só vou falar bem por que ela é ruiva.

O álbum já abre com uma das minhas favoritas: Only If For A Night. Baladinha gostosa e nostálgica, falando sobre o passado, sobre o amor e blá blá blá, me passa a vodka. Não tem muito o que falar dela, só escute. É sério, passa uma ideia de relaxamento, de conformação que acalma. Estranhamente, mas acalma. O instrumental é todo eletrônico, com um ou outro instrumento tradicional, e um riff no teclado que tá presente o tempo todo.

Depois vem o single oficial, e o mais famoso, Shake It Out. Outra música nostálgica, só que, dessa vez, tem superação como tema. Sabe, deixa isso pra lá, é passado, e tal. A batida chega a ser dançante. É uma música incrivelmente feliz. Ótima trilha sonora pra formaturas e despedidas, além de ser um apanhado de tudo de bom que a banda possa fazer. E, puts, o vocal é maravilhoso. Nem dá pra acreditar que a Florence nunca fez aula de canto.

What The Water Gave Me é uma das faixas mais pesadas. Mesmo sem aquela típica barulheira na guitarra, ou aquele arranjo esperto numa orquestra que muita banda usa pra ficar mais dark, o clima da música é sombrio. Ela dá um pouco de agonia por que vai adensando e crescendo pra depois parar. Você fica com aquela impressão de que o último refrão vai ser uma porrada e NOPE, Chuck Testa, tudo praticamente acapella. Mas, opa, passa um tempinho e a bagaça estoura de verdade. Puta merda, me sinto ludibriada. Fui enganada DUAS vezes na mesma música. Enfim, também é single espero que flope, só de raiva.

Never Let Me Go e Breaking Down são duas baladas clichês. São praticamente acústicas e previsíveis. Não que isso torne-as ruins, mas não é exatamente o que se esperava da banda. Bonitinhas, mas enjoam.

Não se desesperem, a coisa volta ao “normal” em Lover To Lover, uma faixa com clima vintage me batam que tô virando hipster de anos 60. Aliás, sou só eu ou Florence tem naturalmente certo climinha de anos 60? Digo, até a mixagem do CD leva a isso: Produção não é “limpa” e clara, mas também não é crua. Tem cara de LP antigo, deixado no armário. Ah, enfim, divago, vamos pra próxima.

No Lights não é lá grande coisa. Saiu meio que um review de tudo que já fizeram no álbum. É bem dispensável, apesar de não ser ruim.

Mas tudo se recupera com Seven Devils. Foi trilha sonora de Guerra dos Tronos e é bem conhecida, apesar de não ter sido exatamente single. Aqui, há tudo que a banda oferece: A atmosfera, o alcance da vocalista, o instrumental meio eletrônico, meio orgânico e afins. Diria que é uma boa síntese da obra, assim como a segunda faixa, Shake It Out.

Heartlines e Say My Name são perfeitas pra bateção de cabelo na boate. Sério, façam remix que cês vão ganhar dinheiro. Enfim, voltando ao assunto, são faixas animadinhas, mesmo sendo compostas praticamente de sintetizadores e efeitos eletrônicos. E tá aí, uma das melhores características da banda: Esse clima reconfortante e animadinho. Sério, Florence + The Machine passa longe de ser eminho triste. Pelo menos eu me sinto mais animada ao ouvir, quase como se alguém tivesse dando uns tapinhas nas minhas costas e falando calma cara, tá tudo bem agora.

A penúltima faixa é All This Heaven Too. Ela é estranha e sai do padrão de qualidade do álbum. É repetitiva, enjoativa e sem graça. Não vale muito, pode pular com fé pra última, Leave My Body, o completo oposto da antecedente. Essa aqui também sintetiza bem todo o objetivo do álbum, mas, ao contrário de, por exemplo, Shake It Out, All This Heaven é sombria e pesada. Explora pouco o vocal e se baseia no instrumental e no arranjo vocal do refrão. A pouca explosão da Florence acontece só lá no fim. Boa maneira de encerrar um CD.

Somando tudo isso, temos um puta álbum. Apesar de algumas faixas soarem parecidas às vezes, cada música consegue ter seu próprio espaço e personalidade. E, ainda assim, conservar aquela pegada característica do grupo. Sabe, aquela atmosfera, aquela batida que te faz ouvir e reconhecer na hora como Florence. Tão de parabéns. Provaram que, mesmo que só façam sucesso por pouco tempo, têm competência e talento pra se manter a qualidade, sem apelar.

Sem falar na voz da Florence, que foge de ambos os padrões de voz que vêm dominando o mercado. Ela não é nem gorda a diva tradicional nem a menina doce do pop.

Ceremonials – Florence + The Machine


Lançamento: 2011
Gênero musical: Indie
Faixas:
1. Only If for a Night
2. Shake It Out
3. What the Water Gave Me
4. Never Let Me Go
5. Breaking Down
6. Lover to Lover
7. No Light, No Light
8. Seven Devils
9. Heartlines
10. Spectrum
11. All This and Heaven Too
12. Leave My Body

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...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Só curto Dog Days Are Over.. e olha lá

  • Não existe aula de canto, ou você tem uma voz bacana, ou você não tem e vai ser blogueiro

  • Bona

    LOL eu tava ouvindo isso agora pouco no youtoba, e dai POW ta no bacon o.O

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