Bon Jovi e a volta aos anos 80/90

Música sexta-feira, 08 de outubro de 2010

Foram 15 anos desde a última visita do Bon Jovi ao Brasil. Neste tempo, caíram as torres gêmeas, o Brasil ganhou mais um título no futebol, a Dercy morreu, o Lula foi eleito duas vezes, o Bush ferrou com o mundo, a internet se popularizou e surgiram as pragas e-mails com correntes, spams, o Orkut, o Facebook, Twitter, Ato ou Efeito e este site, também conhecido como baconfrito.

Fiz esse primeiro parágrafo clichezento para simplesmente falar que Jon Bon Jovi, Richie Sambora, Tico Torres e David Bryan ainda arrebentam em cima de um palco, como se fossem garotos começando uma turnê. Foram as melhores três horas que já passei dentro de um estádio de futebol!

Bon Jovi é um caso interessante de banda famosa dos anos 80 que até hoje faz sucesso e atrai a mulherada ensandecida pelo velho Jon, que parece não envelhecer, o FDP.

Tem gente que fala que a banda de Nova Jersey é o emo de ontem, tanto que falaram que Frezno abrindo o show fez todo sentido. Pura bobagem, apesar das músicas de rock farota oitentista, bem mela cueca mesmo, Bon Jovi mantém a pegada rock ‘n’ roll de raiz, com os acordes nervosos e ao mesmo tempo melódicos de Sambora, típico do hard rock, que é a verdadeira ‘classificação’ da banda.

Show

Acompanhado, cheguei ao show e pude ver uma verdadeira salada de gerações, do tiozão roqueiro que também curte Iron Maiden, AC/DC, Rolling Stones, Led Zepellin e outros clássicos do rock mundial, ao boyzinho geração Guitar Hero, que provavelmente conhece a banda do videogame.

Após o Frezno sair sob vaias, a expectativa tomou conta do Cícero Pompeu de Toledo, e quando os acordes de Blood On Blood tomaram conta do ambiente, a galera veio abaixo, com a voz meio rouca do bom Jon.

A seguinte, We Weren’t Born To Follow, do álbum Circle, do ano passado, acabou dando uma esfriada na galera. Numa geração que o jabá das rádios praticamente foi extinto, talvez seja complicado lançar um novo disco sem uma boa ação de marketing original. Talvez por isso, esperto que só, tenha emendado You Give Love a Bad Name, para tirar a turma do chão mais uma vez.

Alternando hits clássicos com novos singles, ora a plateia agitava, ora reagia timidamente por não conhecer as músicas mais atuais. Na primeira hora, deu para notar que a banda não “toca” as músicas, mas também as “interpreta”. Jon não possui fama de poser à toa. Cada música, fala, close no telão eram minimamente calculados para instigar o público e provocar a plateia. Caras, bocas, feições, rebolados, tudo era bem calculado.

Nesse tempo, Sambora trocou de guitarra quatro vezes, mostrando porque é considerado um dos melhores guitarristas em atividade do mundo.

Na segunda hora do show, It’s My Life fez o Morumbi vir abaixo novamente, sendo cantada a plenos pulmões. O telão principal montado atrás da banda, e os dois menores nas laterais, ressoavam em conjunto com a música e a plateia. A execução de Bad Medicine (com Pretty Woman, de Roy Orbison, e Shout, de Isley Brothers) em seguida, serviu para trocar uma ideia com a platéia, e se perguntar porque ficou tanto tempo longe do Brasil. Como ninguém sabia a resposta, mudou de assunto ali mesmo e voltou ao show.

A segunda hora serviu para tocar todos os grandes clássicos da banda: Always, Blaze Of Glory, I’ll Be There For You, Have A Nice Day, entre outras, fizeram o Morumbi retornar às décadas de 80 e 90, enquanto eu via minha infância passar diante dos meus olhos com cada música, com a vantagem que não estava morrendo naquele momento. Keep The Faith fez a turma sair do chão novamente.

A banda se despediu e, obviamente, ninguém saiu do lugar esperando o primeiro bis da noite. Quando a banda voltou com These Days, a platéia empolgada se mostrou já meio cansada. Wanted Dead Or Alive e Someday I’ll Be Saturday Night mostraram que Jon realmente precisava de uma música para dar uma boa sacudida na galera naquele momento.

Livin’ On A Prayer com vários vídeos atrás da banda com pessoas interpretando o clássico supremo da banda deu um plus a mais a uma apresentação histórica e emocionante.

Agradecendo a galera, Jon se despediu com a mesma cara e calça apertada que possui desde que lançou Bon Jovi em 1984.

Relutante, a platéia fingiu que ia, esperando alguma coisa, uns pediam Bed of Roses, outros Never Say Goodbye – que este escriba esperava, pois achou apropriado para a ocasião – após reunião “de mentira” no palco, o holofote iluminou as mãos de Bryan e os acordes de Bed of Roses, junto com os gritinhos femininos (E alguns masculinos), invadiram o Morumbi.

Isqueiros e celulares ao alto e cantando com o ídolo de muitas gerações, a banda se despediu deixando muitas fãs sonhando com a Cama de Rosas da música.

Três horas depois, um final perfeito, para um show perfeito, com rock da melhor qualidade.

Que a turma do Bon Jovi não demore outros 15 anos para voltar.

Ps: Se alguém quiser ver o show por outro ponto de vista, digamos, mais romântico, dá um pulo aqui.

Set List

Blood On Blood

We Weren’t Born To Follow

You Give Love a Bad Name

Born To Be My Baby

Lost Highway

Superman Tonight

In These Arms

Captain Crash & The Beauty Queen From Mars

When We Were Beautiful

Runaway

We Got It Going On

It’s My Life

Bad Medicine (Com Pretty Woman, de Roy Orbison, e Shout, de Isley Brothers)

Lay Your Hands On Me

Always

Blaze Of Glory

I’ll Be There For You

Have A Nice Day

I’ll Sleep When I’m Dead

Work For The Working Man

Who Says You Can’t Go Home

Keep The Faith

Bis:

These Days

Wanted Dead Or Alive

Someday I’ll Be Saturday Night

Livin On A Prayer

Bis 2:

Bed Of Roses

Fotos: Uol

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  • Matheus

    Curti o post, acho Bon Jovi ducaraio.
    Mas só trocar de guitarra várias vezes não mostra que o cara é um ótimo guitarrista.

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