Balanço geral do último dia do Rock in Rio

Música quinta-feira, 06 de outubro de 2011

Alguma entidade divina tentou nos avisar: Mandou chuva torrencial; mandou Tarja Turunen fazer dueto com Edu Falaschi no palco Sunset; derrubou a Cláudia Leitte do cabo de aço; enfim, fez de tudo pra evitar decepção e doses cavalares de vergonha alheia.

Mas roqueiro que é roqueiro não liga pra esses deuses desocupados tentando salvar a humanidade, e o último dia do Rock In Rio estava lotado. E lá fui eu conferir o festival.

Até a última banda do dia 02 ser confirmada, minha idéia inicial era ir ao dia 25, pra bater cabelo loucamente ao que seria o equivalente guitarrístico às sete trombetas do apocalipse. Pena que a tensão sexual entre mim e dona Amy L. é muito grande pra ser ignorada e parti, então, serelepe e feliz pro tão esperado show.

Ainda serelepe, cheguei à Cidade do Rock. Pra quem pensou que “cidade” tinha sido jogada de marketing e charminho pra parecer legal, ledo engano: O espaço é gigante. Tudo o que você quisesse fazer levaria 10 minutos no mínimo, só de ida e sem contar a fila. Quem é sedentário já ia sabendo que estava tomando no cu gostoso. Tive muita pena de uma menina que estava na fila de salto alto. Oh dó!

Mas enfim, apesar do tamanho, o local era todo bem estruturado. Destaque pros banheiros, que merecem nota dez: Eram limpos, organizados, espaçosos e em grande quantidade. Mesmo nos intervalos entre os shows, quando estavam mais cheios, esperava-se no máximo cinco minutos pra poder mijar. O álcool em gel foi um substituto inteligente pro sabão, e a falta de espelhos também ajudava a não deixar a galera amontoar na pia.

O som era ótimo, e mesmo de longe dava pra ouvir a música superbem, devido a várias torres de som espalhadas ao longo da pista. A produção do RiR, no entanto, deixou a desejar na parte técnica, já que aconteceram muitos problemas com instrumentos na hora das apresentações. Retorno quebrado, tempo estourando e som sendo cortado (Desrespeito total com o artista, aliás), pistas que simplesmente desapareciam e vocal alto demais foram alguns deles. Talvez os funcionários estivessem meio desgastados depois de mais de cem horas de show, mas mesmo assim foi sacanagem com o público e com os convidados.

Minha segunda reclamação diz respeito à desorganização das filas, o que me fez ficar três FUCKING horas parada, em pé. Existiam duas entradas: A muvuca principal e uma fila estranhamente organizada e aleatória montada ao lado. Até agora, não sei por que ela existiu e menos ainda por que eu decidi ficar por lá. Ok, eu tava com a minha irmã e minha prima e elas odeiam confusão e rock’n’roll, mas pombas! Três horas! Acho que viram o pessoal se amontoando ali do lado, ficaram com preguiça de avisar que era o local errado e simplesmente construíram um portão de acesso do nada. Só assim pra ter demorado mais que discurso de superação em novela do Manoel Carlos. Entrei depois das cinco da tarde e só pude aproveitar a combinação Marcelo Camelo + vocalista bizarro que ninguém sabe de onde saiu Brook Nielson, da banda The Growlers, no palco Sunset, ambos cantando coisas hipsters. Meu único consolo é que o show foi regado a gritos de LosHer manos, porra!, e o Marcelo Cabelo (Insira mãozinha de trocadilho aqui) entrou todo trabalhado na poker face.

A grama sintética foi uma escolha muito feliz também. O chão podia estar alagado, mas pelo menos não era lama. O foda foi pensar nos quilos litros de fluidos corpóreos que deviam estar depositados naquele chão, no último dia da suruba gigantesca que foi o festival. Se só na fila houve dois mijões capturados, imagina lá dentro?

Mas agora, entremos na música em si. As atrações do palco mundo foram, em ordem: DetonautasPittyEvanescenceSystem of a DownGuns N’ Roses.

Começando pelo Detonautas, posso falar que foi um baita showzaço, apesar da estranha sensação de déjà vu que senti – em algum momento, não posso imaginar o motivo, na minha cabeça, Detonautas vira Capital Inicial e vice-versa, sempre que eu escuto qualquer uma das duas bandas.

Costuma acontecer o mesmo com as músicas da Marisa Monte, que, pra mim, sempre terminam em Amor, I love you, e… Enfim, divago.

O Tico Santa-Cruz, high on salvia, animou a galera e tirou todo mundo do chão (“Tá vendo aquela roda gigante? Vam’ derrubar aquela porra!”), e os gritos “Ei, Sarney, vai tomar no cu!” foram épicos demais. Cortaram o som deles na última música, Smells Like Teen Spirit e o pessoal continuou cantando. Os caras levaram a platéia à loucura!

Nota 10 pra platéia, que apoiou a banda mesmo quando a produção começou de escrotice, nota 10 pra banda, que é incrivelmente carismática e fez pular até quem não é fã.

Só um PS.: Quando o vocalista falou que todos no Rock in Rio foram chamados de maconheiros, um grupo atrás de mim puxou um “Sou mesmo!“. Rendeu risadas.

Já a Pitty estava lá só pra bater ponto. Digo, ela foi carismática e tal, mas estava com uma má vontade que só. Não entendi o porquê. Foi lá, cumpriu o trabalho com certa maestria, mas não empolgou. Show bem morno. Como não sou fã, senti que era o momento perfeito pra sentar e recitar mantras pro que eu realmente estava lá pra ver.

Evanescence veio acuado, tímido, sob gritos de Cadê System?!. O principal da banda, que é justamente o carisma da Amy Lee, que canta, dança, rodopia, olha nos olhos dos fãs, estava apagado. Pra quem é fã e já viu momentos onde a vocalista simplesmente destruía no palco, achou que, na hora, a única coisa que ela ia destruir era a si mesma. Foi uma boa apresentação, mas a insegurança de vários anos sem shows grandes engoliu a banda inteira. Sem falar nos problemas técnicos, já que foi, de longe, a apresentação mais bichada de todas. Em alguns momentos, os guitarristas aproveitavam pra afinar discretamente a guitarra. O show só foi empolgar lá no final, quando começaram os hits e a Amy sentiu um feedback da plateia, que fez coro em Bring Me To Life e tudo. Ela se recompôs, e muita gente que tava do meu lado olhou embasbacado pra banda. Mesmo assim, o profissionalismo da banda tá de nota dez. Consigo pensar em alguns nomes que dariam ataque de pelanca e iriam embora no meio do show.

 Galera do Photoshop: Vocês sabem o que fazer

System of a Down foi, de longe, o melhor show da noite. Apesar de não existir um sentimento de banda muito forte, foi o momento onde a plateia esteve mais calorosa e receptiva. Até por que, num apanhado geral, se pegássemos cem pessoas: 54 seriam fãs de System, 45 eram fãs de Guns N’ Roses e eu era fã de Evanescence. O setlist foi alongado, pra tapar buraco pro Guns. Foram duas horas, praticamente, de bateção de cabelo e chifrinho na mão. Nunca pulei tanto na vida. No fim, a pista ficou vazia por que, como já foi dito, a maioria esmagadora tava lá pelo System. Claro que a chuva infernal e o atraso de quase duas horas do babaca Rose ajudou, mas o espaço ficou tranquilo. Dava até pra sentar na grama.

Fiz o Steve Wonder no show do Guns N’ Roses e nem vi. Fui embora antes. A única coisa maneira foi o figurino do Axel Rose, que era engraçadinho e tal. Mas se ele fosse mais legal e menos ele mesmo, nego ia estar simplesmente rindo da capa de chuva, e não da incompetência dele. Na hora, até pensei em ficar arrependida, mas, assistindo ao show em casa, vi que não perdi nada. Duas horas de atraso + chuva só contribuem pra acabar com a vontade de ver a bolota gorda e amarela, tentando levar pra frente uma banda que morreu há mais de dez anos.

 “Sou rico e posso demorar o quanto quiser que cês ainda vão me babar o ovo.”

Foi um puta evento, apesar de aborrecimentos e daquela vadia da mãe natureza, que resolveu menstruar bem no meu dia de ir ao festival e ajudar o clima do Recreio dos Bandeirantes a ficar ainda mais frio. Valeu a pena, pretendo voltar em 2013. A estrutura estava ótima, pena que não dava pra curtir as atrações e ver os shows no mesmo dia. Tinha fila até pra respirar. Me arrependi de não ter conhecido a Rock Street. Uns amigos me disseram que era maravilhosa. Bom, fica pro próximo.

Sou a favor do RIR ter viajado pelo mundo. Serviu pra amadurecer e muito o evento – festivais europeus costumam ser uma coisa linda de dar dó. Ou você achou mesmo que aqueles banheiros limpíssimos tinham sido ideia nossa?

Isso é só por hoje, por que estou cansada e não sinto minhas panturrilhas, e meu cabelo só foi desembaraçar por completo hoje de manhã. Viva o rock ‘n’ roll, galera!

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  • Ricardo G. Souza

    Apesar do som ser bom, eu achei o S.O.A.D tão desanimado que não curti.

  • rafa

    sou operador de áudio, já rodei muito por aí vendo shows “fodas”, mas a estrutura do RiR foi incrível, as bandas que deixaram a desejar. Principalmente nesse dia..

  • Lionheart

    Discordo plenamente. O show foi fodástico, me relembrou os bons e velhos tempos de juventude.

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