As cinco melhores músicas do Lynyrd Skynyrd (Que você provavelmente ainda não ouviu)

Música segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Um top das melhores músicas de uma banda é provavelmente a coisa mais batida da esfera do entretenimento, só perdendo talvez pra xingar otakus. Então, pra ter sentido hoje, um texto como esse precisa de um diferencial. E a diferença é o que nós aqui do Bacon temos pra oferecer, mesmo que seja só a diferença da nossa opinião sendo lançada agressivamente contra a sua tela, caro leitor. Por isso, começa aqui a série cinco melhores músicas, de várias bandas. Na verdade, das bandas que os ilustríssimos redatores deste glorioso site gostam. E dentre essas, das que eles tiverem saco pra escrever. Enfim, vem comigo.

Claro, nossas listas são a representação da opinião de quem escreveu. Como isso aqui é (Supostamente) uma democracia, vocês estão livres para chorar nos contestar nos comentários ou até mandar um texto provavelmente tosco bem escrito e de bom gosto para cá, e demonstrar por que estamos errados. Boa sorte. Cê vai precisar.

Abrindo a série com chave de ouro (E este clichê maldito) temos Lynyrd Skynyrd, a banda setentista de southern rock do Alabama, Estados Unidos. É o que mais tenho ouvido ultimamente e, apesar de conhecer bastante, eles são pra mim uma banda de poucas músicas. Não por que poucas sejam boas – pelo contrário, é qualidade pra todo lado -, mas por que poucas realmente acharam o caminho dos meus ouvidos para o meu coração confederado. E essas poucas e boas são as que virão aí abaixo. Ah, e uma coisa: Free Bird e Sweet Home Alabama não estão nessa lista. Nem precisam, todo mundo sabe que são duas das melhores músicas dessa banda. Mas justamente por todo mundo saber é que resolvi ceder o lugar delas pras seguintes…

5 – Mississippi Kid

De todas as músicas nessa lista, Mississippi Kid é provavelmente a mais “country”. É a sexta faixa do primeiro álbum da banda, homônimo, de 1973. Perto das outras canções do mesmo disco e até dentre todas as outras, ela se sobressai bastante. A culpa é da presença e da batida do bom e velho violão de cordas de aço, invocando a visão de um sujeito mal-encarado. No Alabama. Durante a Guerra Civil Americana. Armado até os dentes. Aliás, a música meio que fala sobre isso, o que se vê já nas primeiras frases (Traduzidas livremente para o português moderno):

Eu tenho as minhas pistolas no bolso por que eu, eu tô indo pro Alabama / Eu tenho as minhas pistolas no bolso por que eu tô indo pro Alabama / Eu não tô procurando nenhum problema / Mas ninguém vai mexer comigo

Certo, cara. Tranquilo. A gente acredita.

Depois da metade da música, quando entra a gaita, você já está automaticamente fumando um cigarro de palha que você enrolou sem nem notar. Cê não sabe de onde o tabaco apareceu, mas provavelmente tem algo à ver com o solo da guitarra – onde nenhuma nota saiu sem slide – que tocou faz um minuto.

Pode fumar. Mas vá pro Alabama por sua conta e risco.

4 – I Got the Same Old Blues

Falando em armas, Gimme Back My Bullets é o disco lançado pelo Lynyrd Skynyrd em 1976. É um trabalho não tão bom quantos os anteriores, mas ainda assim é melhor do que aquilo que qualquer otaku ouve em uma vida. E sim, eu estou pegando no pé de vocês, meninas. Mas enfim, o ponto é que a quarta faixa desse álbum é I Got The Same Old Blues, uma legítima e certificada música de corno do Alabama. Sintam a vibe:

Você já ouviu o boato que tá correndo por aí / De que a minha garota tem um homem, senhor / Um homem lá do outro lado da cidade / É a mesma velha história / Me diz aonde isso vai acabar

Conhecendo a fama e o lugar, vai provavelmente acabar com o Ricardão e a vadia no cemitério, mas esse não é o ponto principal da música. I Got The Same Old Blues marca por conta da sua melodia funky, como se diria lá fora. Aqui, é o gingado mesmo. Sério, a malemolência dessa música é contagiante. Nem parece com as músicas de dor-de-cotovelo aqui da terrinha. Com southern rock você pode chorar as pitangas e ainda posar de fodão. Mas, quando é hora de ser sentimental…

3 – Simple Man

Sim, manter a pose é essencial para o homem-cabra-macho-do-sertão-do-Alabama, mas volta e meia todo mundo mostra o lado da emoção. E, para o homem-cabra-macho, o momento de fazer isso é quando fala na família. Simple Man é um marco, uma maravilha, que veio ao mundo como a quarta faixa do primeiro disco do Lynyrd. Começam os dedilhados, a bateria marca o ritmo, e vem a história:

Mamãe me disse, quando eu era jovem / Vem sentar do meu lado, meu único filho / Escuta bem de perto o que eu vou dizer / E se você fizer, isso vai te ajudar algum dia

As guitarras dão o tom, e ela continua:

Faça as coisas no seu tempo, não viva com pressa / Os problemas vão vir e eles vão passar / Ache uma mulher, baby, e você vai achar o amor / E não se esqueça que tem alguém lá em cima

E seja um homem simples / Seja algo que você ama e entende

Agora, sério. Não importa quem você aí é, se você é um hater ateu que não gostou da referência religiosa na estrofe, se você não gosta da banda – aliás, o que caralhos você tá fazendo aqui? – ou sei lá o quê. A música é uma mensagem. É das boas. É a conversa de uma mãe com um filho. E uma conversa da música conosco.

2 – Was I Right or Wrong

Originalmente, Was I Right or Wrong não fazia parte do segundo disco da banda, Second Helping, lançado em 1974. Na reedição de 1997 a música foi incluída como uma das três faixas bônus e listada como demo. De todas as músicas do Lynyrd Skynyrd, essa é provavelmente a mais trágica: Conta a história de um excluído, um sujeito que nunca ligou muito pra escola, não se importava com regras, nunca pareceu servir pra alguma coisa e viva sonhando, pensando que em quando o dia dele iria chegar de se tornar alguém. Seu pai costumava dizer que ele era um inútil. Daí, um dia, esse sujeito saiu de casa. E o dia dele chegou, na música. Conseguiu tudo que queria, “Dinheiro, mulheres, carros e grandes e longos cigarros”. Com sucesso e a vida ganha, pegou “o primeiro avião pra casa” pra esfregar na cara da família, principalmente do pai, o próprio sucesso. Mas, no refrão:

Mas quando eu cheguei em casa pra mostrar que eles tavam errados / Tudo o que eu achei, deus, foram duas lápides / Alguém me diz, por favor, eu estava certo ou errado?

Oh, mas que música triste / Primeiro eu me perdi, depois me achei / Mas aqueles que eu amo estão debaixo da terra / Papai, eu só queria que você pudesse me ver agora

Sem comentários.

E pra completar, antes de começar o solo, ele diz “Ouve só, pai”, e depois, durante os bends ele continua a frase: “Eu aprendi a tocar a guitarra”.

Psicólogos que curtem rock, façam já suas teses.

1 – The Ballad of Curtis Loew

Como todas as outras, a eleita por mim como melhor música do Lynyrd Skynyrd conta uma história. Ela saiu oficialmente como a quinta faixa do Second Helping e diferente da anterior, é uma música saudável até. É também uma canção calma, com os tradicionais slides na guitarra, um solo forte e letra muito bonita. Aliás, queria até que o que ela conta tivesse acontecido comigo:

Eu costumava acorda de manhã / Antes do galo cantar / Procurando por garrafas de refrigerante / Pra conseguir alguma grana
Levava elas até a esquina / Pra loja local / Tirava o dinheiro e dava ele pra um cara chamado Curtis Loew

E sobre esse que dá nome pra música:

O velho Curtis era um negro, com cabelo branco e enrolado / Quando ele tomava um pouco de vinho, não ligava mais pra nada / Ele tinha um velho violão, que ele tocava em cima dos joelhos / Eu dava todo meu dinheiro pra ele e ele tocava música pra mim o dia inteiro

O narrador tinha “talvez uns dez anos” e o velho negro “parecia ter uns 60”. Todo mundo dizia que o velho era um vagabundo, um inútil, e apesar da mãe do garoto proibir ele de pagar pra ouvir o blues de Curtis, ele continuava indo. Mas, “no dia em que Curtis morreu ninguém veio pra rezar; o velho pastor disse umas palavras e puseram [Curtis] debaixo do barro”.

Curtis Loew “viveu uma vida inteira tocando o blues do negro; e no dia em que perdeu a vida, era tudo que ele tinha pra fazer”.

Curtis foi o melhor tocador de blues que já existiu.

E eu acredito. Nada mais a declarar.

Vida longa e próspera.

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...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Nagual

    Simple Man é até bem conhecida. Não tanto quanto Sweet Home Alabama ou Free Bird.

    Foi insano demais ver esses caras ao vivo. Além dessas que você falou eu colocaria That Smell, Mean Streets, I never Dreamed (a letra dessa é muito boa).

  • caue

    sonzera mesmo, só acho (na minha humilde opinião) que faltou call me the breeze, que pra mim é a mais foda dos caras (que não é deles, mas enfim)…

  • DANIEL SILVA

    nunca da pra dizer qual a melhor musica nos rockeiros temos em cada um de nos um senso de prazer ao ouvir uma musica no meu casso e simple man , pra mim e a melhor musica do mundo

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