As Brumas de Avalon: A Senhora da Magia (Marion Zimmer Bradley)

Livros sexta-feira, 04 de junho de 2010

Já estava pensando a muito tempo em escrever sobre essa coleção, mas não encontrava inspiração. Não exatamente inspiração, mas sim como fazê-lo, afinal escrever sobre algo que você gosta é difícil, ainda mais considerando que esses livros são mais do que especiais para mim, foram meu sonho de consumo por anos, fiquei namorando-os até que teve uma bela promoção e pude comprar os 4 de uma vez.

 Esse texto fala sobre uma bruxa que não era má, não tinha gato preto e nem voava em vassoura.

Essa coleção de maneira alguma deve ser encarada como uma reconstrução histórica fiel de um período, por mais que eu assim quisesse e esperasse. Um romance com um fundo histórico é a melhor definição. Verdadeiro? Talvez. Ninguém está realmente habilitado para dizer o que é verdade ou não nas lendas arturianas.

As Brumas de Avalon são uma visão diferente de uma história, até então contada por homens para homens sobre homens. É uma história contada por uma mulher sobre homens e mulheres, para todos. Estranho? Não sei se diria isso, no mínimo é interessante ter uma visão como essa. Toda a obra é baseada no ponto de vista de um grupo considerado “fraco” pela história da humanidade: As mulheres.

Morgana fala:

Em vida, chamaram-me de muitas coisas: Irmã, amante, sacerdotisa, maga, rainha. Na verdade, cheguei a pouco a ser maga, e poderá vir um tempo em que tais coisas devam ser conhecidas. Verdadeiramente, porém, creio que os cristãos dirão a última palavra.
Mas esta é a minha verdade: Eu, que sou Morgana, conto-vos estas coisas, Morgana que em tempos mais recentes foi chamada Morgana das Fadas.

É com essa introdução que percebemos quem realmente manda na história, e mesmo que Arthur pareça ser a personagem principal, são as mulheres que cercam sua vida, que dão as notas da música a ser dançada por ele e seus cavaleiros. E a verdade não deve ser encarada como una, ela possuem suas várias versões, umas mais conhecidas, outras menos, e talvez ai Morgana houvesse lançado uma de suas magias, a de conhecermos a história através dos olhos dela.

Tá, deixando todo o meu papo de apaixonada pelo livro e tal, vamos tentar usar o humor para que alguns leitores possam compreender a história, já que leitores que curtem Gossip Girl e outras modinhas juvenis não entenderiam a profundidade dessa obra. Na verdade, acho que nem mesmo os literatos conseguem compreender, pois devem achar a trama simples demais, preferindo perder seu tempo com o tio Saramago e seus parágrafos sem fim.

Resumidamente, (Uma vez mais), Morgana é um bruxa (E escrevo isso com muita dor no coração por classificá-la assim), que conta a história do reinado do seu irmão, Arthur. Logo no inicio da história, descobrimos que a mãe dela e suas tias pendem para o lado da feitiçaria. Pender na verdade é só um pleonasmo, já que Igraine, mãe de Morgana, Morgause e Viviane, são filhas da antiga Senhora do Lago, que é a representante da Deusa no mundo terreno, e quem governa a Sagrada Ilha de Avalon. Porém, a atual Senhora do Lago é Viviane, que numa visita a casa de Igraine, a convida a trair o seu marido, para seduzir o futuro rei da Bretanha. E nessa visita também descobre que Morgana possui a Visão, que é tipo um dom de premonição, mas sem que precise de bolas de Crystal ou coisa parecida. Depois de muito relutar, Igraine acaba na cama de Uther, que se tornou Rei da Bretanha, e tem um filho, Gwydion (Arthur para o povão). E história vai, história vem, os outros personagens são apresentados, como Merlim, Guinevere e Lancelote. Esse primeiro volume serve mais como uma introdução geral a história, mostrando os descaminhos que levaram Morgana a abandonar Avalon, Arthur se casar com Guinevere, e Lancelote ficar chupando o dedo.

O foco principal da narrativa desse primeiro volume é em Viviane e Morgana, bem como o poder de Avalon. Em um tempo de mudanças políticas e religiosas, onde o cristianismo cresce a cada dia dentro do território da Bretanha, e a antiga religião é encarada cada vez mais como coisa do demônio, Viviane tenta utilizar todo seu poder para estabelecer no trono do reino um rei que protegerá Avalon e suas crenças da ameaça do cristianismo e dos saxões. Por isso o nome “Senhora da Magia”. Mas não é fácil definir, afinal, quem é essa a senhora do titulo. Seria Morgana, que está iniciando seu treinamento para se tornar a próxima Senhora do Lago? Ou seria Viviane, atual Senhora do Lago, que manipula a todos as sua volta para fazer aquilo que diz ser a “Vontade da Deusa”?

O livro não gera muitas questões, mas é viciante. A cada capitulo, se tem a vontade de ler mais e mais, saber o que vai acontecer em seguida, o porque de algo ter acontecido daquele modo, mas principalmente, se o que está acontecendo é obra dos deuses, ou se eles são apenas uma desculpa para o jogo de bastidores que ocorre.

E para finalizar por hoje, (Porque ainda temos três livros para discutir), um último comentário sobre as mulheres desse livro: elas comandam tudo de uma forma ou de outra, tudo de importante que acontece e não está ligado ao campo de batalha é obra delas. Por isso, cuidado!

As Brumas de Avalon: A Senhora da Magia


The Mists of Avalon – Vol. 1
Ano de Edição: 2008
Autor: Marion Zimmer Bradley
Número de Páginas: 248
Editora: Imago

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  • Monica

    Muito bom! É minha série favorita com certeza. Só não entendi o porque da dor no coração ao classificá-la como bruxa.

  • Climber

    Legal!

    Ainda não li, pois tá na estante do meu irmão. Mas já li aquela trilogia do Bernard Cornwell, e é fenomenal!

  • @Monica
    É que “bruxa” tornou-se um termo tão pejorativo, que para mim, não cabe a uma personagem como Morgana.

    @Climber

    A trilogia do Bernard Cornwell não tem muito a ver com Brumas, mas também é muito interessante.

  • Promoção do submarino né? uhahuahuauhhau
    comprei lá tb. E a história é interessantíssima. Com um pouco de noções de história do cristianismo se consegue captar melhor o clima do livro!

    Tô no 3º volume, encalhado a meses por falta de tempo

  • Sou mais um fã declarado dessa série. E também aproveitei a promoção da “submarino” para comprar os meus exemplares (os que li pela primeira vez foram emprestados).

    O diferencial é, como você falou, o enfoque à figura feminina e sua ligação com a natureza. Depois que li o livro, passei a enxergar as coisas de uma forma diferente.

    Por fim, não acho que a trama do livro seja simples. Pelo contrário, é muito bem construída e coerente, ao longo dos 4 volumes.

    PS: Acho a versão cinematográfica um pé no saco.

  • Parece interessante

    Ah, uma coisa. Não é nada parecido com As Brumas de Avalon, mas se gosta de magia/sarcasmo/mulheres fodas recomendo MUITO a Trilogia de Bartimaeus (apesar da “Kitty” só aparecer no 2º livro).

    Srsly, é são uns dos melhores livros que já li. Não dê muita importância a sinopse (pode parecer com HP lá, mas acredite, é bem melhor) e leia um pouco.

  • @Pedro

    Se você tem que ler muito antes de gostar de uma coisa, a coisa é ruim, você só se acostumou com ela.

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