A Piada Mortal (DC Comics)

Bíblia Nerd quarta-feira, 18 de março de 2009

Você passou a noite quase toda acordado. O pouco que você conseguiu dormir foi agitado por pesadelos. Faltou energia, e o banho teve que ser frio, mesmo sendo pleno inverno. Não há comida na geladeira, nos armários ou mesmo restos de pizza da noite passada na mesa de cabeceira da sala. No caminho para seu escritório, um engarrafamento de 20 parsecs com vários moleques remelentos vendendo chicletes velhos e/ou tentando limpar seu pára-brisas. Ao chegar no serviço, duas horas atrasado, há uma pilha de meio metro de trabalho lhe esperando. Você passa toda a manhã e a maior parte da tarde se matando de trabalhar pra dar conta do serviço. Meia hora antes do fim do expediente, o chefe te chama na sala dele e anuncia que você está demitido. Chegando em casa mais cedo, sua mulher está na cama com o seu melhor amigo. E então você enlouquece. Agora, o que você faz depois de enlouquecer?

Esse é a essência por trás de A Piada Mortal. O roteiro gira ao redor de uma batalha psicológica entre Batman e o Coringa, que escapou do Asilo Arkham pela… sei lá quantas vezes ele fugiu de lá. O Coringa pretende enlouquecer o Comissário Gordon para provar que o cidadão mais equilibrado é capaz de pirar depois de ter um “dia ruim”. No decorrer da história, o Coringa tem flashbacks de sua vida anterior, explicando gradualmente sua vida anterior.

O infeliz que vai se tornar o vilão mais amado e insano de todos os tempos é um típico loser. Largou o emprego numa companhia química para fazer stand-up comedy e falhou miseravelmente. Desesperado para ajudar sua esposa Jeannie, que está grávida, ele se envolve com dois criminosos que pretendem assaltar uma fábrica de baralhos que ficava ao lado do antigo local de trabalho dele. Durante o planejamento do roubo, a polícia aparece no boteco infecto que eles estão e informa ao futuro psicopata que a mulher dele morreu enquanto testava um aquecedor de mamadeiras. Angustiado, o cara tenta desistir do crime mas os comparsas o convencem do contrário.

Durante o roubo, os bandidos e o futuro Coringa, fantasiado de Capuz Vermelho, são perseguidos pelos guardas do local e pelo Homem-Morcego. Os criminosos são presos. O comediante fracassado, para se livrar, pula num rio infectado de lixo químico e, ao sair, seus cabelos estão verdes, sua pele branca como giz. Em um dia fodido e do lixo tóxico, eis que nasce o Coringa.

Vários anos depois disso, o nosso maníaco desfigurado predileto sequestra o comissário Gordon e o leva para um parque de diversões desativado, mas não sem antes atirar em e deixar paralítica sua filha, Bárbara (também conhecida por Batgirl).

No parque, Gordon é despido e preso na seção de aberrações. Acorrentado, é levado para o Trem Fantasma e forçado a ver fotos de sua filha machucada e em vários estágios de nudez (no decorrer disso, também abre-se a possibilidade de um estupro). Depois dessa loucura, o Coringa o ridiculariza como exemplo de “homem comum”: uma pessoa fraca, ingênua, condenada à insanidade.

Batman chega para para salvar Gordon, e o Coringa, para se salvar, foge para a Casa dos Espelhos (Nota: estou usando Casa dos Espelhos por não ter encontrado um substituto em português para “Funhouse/House of Fun”). Gordon, apesar da provação que acabou de passar, não enlouqueceu e insiste que Batman capture o Coringa “pela lei”, para mostrar ao palhaço sanguinário que ele está errado. Ao entrar na casa dos espelhos, Batman lida com várias armadilhas deixadas pelo Coringa, enquanto este tenta persuadir seu arquiinimigo que o a loucura é algo inerente ao mundo, e que não vale a pena lutar por ele. No decorrer disso, Batman localiza o Coringa e o subjuga. Batman, então, tenta fazer o Coringa desistir do crime, acabando com aquela guerra que já se extendia por anos. Do contrário, ambos estariam eternamente presos num caminho que levaria à morte dos dois. O Coringa recusa, alegando que já é tarde demais. Então, o Coringa conta ao Batman uma piada, engraçada o bastante para fazer o (normalmente sisudo) Batman rir. Os dois continuam rindo juntos até a chegada da polícia. E aqui a história termina, deixando que o destino do Coringa seja determinado pela imaginação do leitor.

Ah, sim, a piada:
Wenn ist das nunstuck geht und slotermeyer?Ja!Ba yehund das oder die flipperwaldt gespuhrt!
Tinha dois caras no hospício. Uma noite, eles decidiram que não queriam mais viver lá, e resolveram escapar para nunca mais voltar. Aí eles foram até a cobertura do lugar e viram, ao lado, o telhado de um outro prédio apontando para a lua. Apontando para a liberdade. Então, um dos sujeitos saltou sem problemas pro outro telhado, mas o amigo dele se acovardou. É… ele tinha medo de cair. Aí, o primeiro cara teve uma idéia. Ele disse: “Ei! Eu estou com a minha lanterna aqui, vou acendê-la sobre o vão dos dois prédios e você atravessa pelo facho de luz!”. Mas o outro sacudiu a cabeça e disse: “E se você apagar a luz quando eu estiver no meio do caminho?”

A Piada Mortal


The Killing Joke
Lançamento:1988
Arte: John Higgins
Roteiro: Alan Moore
Número de Páginas: 49
Editora:DC Comics

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