A nova televisão

Televisão terça-feira, 11 de outubro de 2011

Então pessoas, chegamos àquela época do ano. Tempo de reestreia de séries, quando passamos de “não ter porra nenhuma pra assistir” pra “não ter tempo suficiente pra baixar ver tudo que sai por aí”. E foi nesse esquema de tentar em vão acompanhar tudo ao vivo que eu acabei percebendo algo deveras interessante. Ou não, mas eu vou escrever isso aqui mesmo, antes que eu esqueça. E essa epifania veio com o primeiro episódio da atual temporada de Dexter, mais especificamente.

O negócio é comer cu e buceta o seguinte: Nos últimos tempos, dá pra contar nos dedos os filmes que valem alguma coisa. Livros, (Quase) a mesma coisa. Enfim, dá pra dizer isso de quase tudo. Menos música, música sempre vai ser superior a tudo. Mas e a televisão kd?? Precisamente, caro leitor impaciente. A televisão segue justamente o caminho contrário.

Sério, eu fico cada vez mais surpreso com a quantidade de séries boas que eu encontro por aí. E não só divertidas e tal, mas boas memo. Com status de obra de arte, até. Claro que eu não vejo isso na televisão propriamente dita, mas vocês entenderam. Coisas destinadas a TV. Séries, pra quem é meio lerdo.

E esse fenômeno é muito mais relevante do que aparenta. Pensem só, no cinema, de novo. Principalmente você, companheiro de cidade pequena. Tudo o que chega nos cinemas daqui é lixo. E olha que isso pode ser interpretado como um elogio. As exceções geralmente são obras de diretores já consagrados, produtos de tempos mais felizes. Mas e aí, quando essa galera toda morrer, comofas? O abismo entre as merdas que lotam os cinemas e os bons filmes independentes que a gente tem que catar na internet só tende a aumentar. Mas isso dá assunto pra outro post. O que importa é que essa nova geração de diretores não vai segurar a onda sozinha. A maioria cai logo logo no ostracismo ou se mete a fazer blockbuster, certeza.

E pra onde vai todo esse pessoal criativo que poderia estar reinando em Hollywood se nascesse na época certa? Pra televisão, oras. Sério, olhem ao redor. A revolução tardia iniciada lá nos anos 90 pelo David Lynch e seu Twin Peaks finalmente começou a engrenar. Com um cinema mais infantil, o público em busca de algo mais maduro, digamos, migrou pra TV. Canais pagos, que se especializaram em séries justamente pra preencher esse vazio. Tá duvidando? Olha só pra HBO, cara. Porra, eu ainda me pergunto como algo tão genial quanto Família Soprano sobreviveu por seis temporadas. Nem anti-herói o troço tinha. E Carnivale então? Até hoje eu não sei como uma coisa que funciona em tantos níveis sequer chegou a TV.

 Se cês não conhecem Carnivale, vão baixar essa porra agora. Sério.

Mas mais importante que isso é que se até a pouco tempo HBO reinava absoluta, agora outros canais entraram na jogada. Tipo a AMC. E até a Fox, acertando de vez em quando. E isso possibilita que a gente acompanhe duas coisas tão diferentes (E igualmente excelentes) como Boardwalk Empire e Breaking Bad, simultaneamente. Ao mesmo tempo, temos as séries de humor. O formato falido do sitcom demorou, mas finalmente tá perdendo a hegemonia. O The Office tá aí pra mostrar isso, com aquele estilo documental. E se a série não anda lá essas coisas, Modern Family segue firme e forte com o mesmo formato.

Mas falando de AMC, voltamos ao Dexter. Nesse começo de sexta temporada eu me decepcionei um pouco com a previsibilidade da coisa, e o quão didática foi a reapresentação dos personagens. Mas até aí, beleza, é um programa de TV, não dá pra fugir muito disso. E toda a indústria cultural enfrenta essas limitações. Mas nada disso importou quando a trilha sonora sensacional entrou em cena, trazendo junto com todo aquele velho clima do seriado, denunciando toda sua qualidade. E estamos falando de Dexter, que não é exatamente um exemplo de profundidade.

Claro, essa transformação ainda tá engatinhando, boa parte das coisas boas ainda são canceladas logo depois que estreiam, enquanto coisas terríveis perduram por anos e anos. Mas o que importa é que elas estão sendo feitas. Com cada vez mas frequência e em maior quantidade. E mesmo as que não vingaram tão sendo reconhecidas em tempo de retornar. Tipo Arrested Development, que vai voltar com mais 12 episódios e um filme UHUULLL!!1. Tá, talvez, apenas talvez, eu esteja exagerando. Mas não dá pra negar, a TV é o futuro. E quem diria, no bom sentido.

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