A maldição do primeiro clipe

Música quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Toda primeira vez é estranha. Do primeiro demo ao primeiro CD, os artistas costumam passar por uma série de situações estressantes e dilemas e, não, não falo isso com nenhum toque de ironia. Me refiro, porém, somente aos artistas de verdade.
Sabe como é, já dizia Sócrates:

Novato só faz merda, hein

Imagine agora você, leitor, criando uma banda. É algo bem simples de organizar, até: Arrume uns amigos talentosos e um baterista, escreva umas músicas com arranjos legais e algum executivo morrendo de fome vai se interessar pela música ou pelos seus peitos se você for tetéia. Isso acontece com boa parte das bandas boas: Saem da merda, de uma garagem enfurnada no meio de onde Judas perdeu suas botas, e caem de pára-quedas no show biz. Só que, com membros desavisados cheios de boa vontade, mas guiados apenas pelo instinto animalesco das gravadoras de vender! vender! vender!, os coitadinhos acabam sem referência do certo e errado e, sem querer, correm o sério risco de cometer uma cagada fenomenal: O tão temido primeiro clipe. Primeiro clipe implica em primeiro single que implica em primeiro CD. Não adianta bater o pé, dizer que a banda tem suas origens e suas raízes, o primeiro trabalho profissional nunca vai ser a expressão máxima do talento de um artista. Claro, alguns grandes nomes da música fazem primeiros trabalhos maravilhosos (Oi Axl Rose, tô falando contigo mesmo), mas você jamais poderá conhecer o músico de verdade até a segunda ou terceira gravação, que é quando ele já perdeu a virgindade de estúdio e tem conhecimento de causa suficiente pra bater o pé pros produtores e ditar algumas regras. Não digo que abaixar a cabeça pra empresa seja atestado de falta de personalidade, mas a insegurança de explorar algo novo conta muito pro artista simplesmente acatar com diversas decisões absurdas. Tudo bem que esse processo de amadurecimento é necessário e blá blá blá, mas o período antes desse estágio rende boas risadas, principalmente no quesito produção visual. Sabe aqueles photoshoots ridículos, do vocalista todo de preto, na beira da praia, fazendo cara de quem come criancinha no café da manhã? Então. A vida não valeria tão a pena sem eles.

Começando com Sleeping Sun, primeiro single da banda Nightwish. Aqui temos Tarja Turunen em toda sua cavalice antes de ficar gostosa de vez.

Atentem à paisagem, à expressão de boca colada com super bonder da cantora permitindo somente movimentação vertical e à produção digna de um videoclipe de festa de debutante. Eu poderia falar mais e seria como chutar cachorro morto. Bandas de metal sinfônico têm certo apreço por clipes ruins (Sim, Simone Simons, agora é contigo) e, se a minha experiência de vida me ensinou alguma coisa, é que quanto mais europeia for a música e mais gostosa for a vocalista, maior a chance de a produção final do vídeo ser bizarra. Tem banda que só amadurece musicalmente às vezes nem isso.

E já que estamos falando de europa e bizarrice, que tal um pulo na casa da Björk? A cantora, símbolo supremo da estranheza e da criança que sofre bullying, que cria ornitorrincos de estimação e almoça arroz empapado com ketchup, resolveu nos brindar com Human Behavior.

É claro que, como estamos falando dela, os clipes só degringolaram. Mas, hoje em dia pelo menos, eles têm significado, profundidade largura e altura ó só é em 3D. Não reclamem da resenha, o vídeo realmente faz sentido apenas durante os primeiros cinco segundos, que se resumem a dar créditos ao diretor dessa belezura. Mas veja bem, a Björk é estranha mas é legal. O Debut, de onde saiu essa e mais algumas pérolas, como Violentely Happy, é um CD maravilhoso, principalmente quando se atem a função principal, que é de ser apenas escutado. Ah, mas temos de dar o mérito de ela ter previsto o surgimento da internet wi-fi (Atenção aos 3:02).

Falar dos clipes do Evanescence é chutar um cachorro em coma: Ainda tem salvação. Nesse aqui, porém, Amy Lee erra feio e mostra como mulheres são seres tão complicados que preferem escalar os prédios da cidade ao invés de pegar um elevador pra chegar ao andar de cima, iludindo várias mentes inocentes ao mostrar que a única forma de cair e morrer é estar com um bofe incompetente o suficiente pra não abrir uma janela da maneira certa. É muita vontade de dar uma bimbada, viu.

E como tá faltando mamilos polêmica nesse post, vamos falar mal de Iron Maiden.

Você aí, metaleiro cabeludo que vai à igreja domingo de má vontade, e fica olhando as pessoas com cara de mal, me explica da onde a banda tirou o rótulo de mais satânica do mundo com esse clipe? Videoclipes de apresentações ao vivo são clichês, mas costumam ser a saída mais segura pra quem não quer passar vergonha e, mesmo assim, tudo que o Bruce Dickinson me dá vontade de fazer é rir. E querer grudar um chiclete naquela peruca. Nem pra ser pseudo-engraçado serviu. Perdi o respeito quando o casal de bailarinos entrou no palco.

E, por fim, só pra terminar bem, aquele vídeo que não é primeiro clipe mas merece menção honrosa pela cuspida de fogo do guitarrista: Ice Cream Queen, do Within Temptation.

Pelo menos a Sharon é gostosa.

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