A Batalha do Apocalipse (Eduardo Spohr)

Livros terça-feira, 26 de junho de 2012

Quando li a sinopse desse livro, me enchi de esperança. Tinha acabado de sair da decepção com Supernatural e estava bêbada de uma necessidade quase sobrenatural me batam de ler uma história apocalíptica decente. Mas que decepção, que livro chato, que saco.

Prevejo flame war e gente me chamando de analfabeta nos comentários – o autor foi super elogiado por causa da obra -, mas… Quem liga?

Antes de mais nada: É impressão minha ou tudo que resolve falar sobre apocalipse fica uma bosta? Supernatural, Guerra Dos Mundos, 2012 e muitos outros provaram que esse tema é furada. Some-se essa tendência ao fato de esse livro ser brasileiro e temos a receita perfeita para um guisado de chatice. Ah, sem preconceitos, mas o mercado tupiniquim de ficção tá dando os primeiros passos agora, ou seja, muita merda vai rolar antes de coisas boas chegarem pra valer.

Enfim, a história é o de sempre: Muitos anos atrás, numa época em que não existiam humanos ou piadas sobre a Dercy Gonçalves, houve barraco no andar de cima. Miguel, sempre retratado como um babaca cheio de si, resolveu dar uma varrida na Terra e foi impedido por anjos revoltosos liderados por Lúcifer, que, apesar de parecer um cara legal que só queria o bem dos humanos, era na verdade uma bichinha invejosa do irmão. Depois do barraco, um grupo de anjos revoltosos foi chutado pra fora com a chegada de uma UPP celestial e condenados a vagar pela terra. Pelo menos, assim seria até o dia do acerto de contas, o Apocalipse. Lúcifer então começa a recrutar alguns dos renegados pra formar um exército e conseguir vingança.

O que poucos sabem é que na verdade tudo começou com o roubo de uma playboy com a Dercy na capa. Novamente, divago.

Mas é nessa base que começa a história. Seguimos Ablon, um “herói mal humorado que faz hmpfquero ver quem vai sacar essa piada aqui, que não deseja se rebelar mais uma vez, mas que anseia por vingança. Não há um grupo de personagens que se possa chamar de protagonista, o que não seria ruim se não fosse por um detalhe: O livro tem uma bela premissa, mas o autor parece novato. Desconheço outros trabalhos, não sei se o cara já escreveu outros livros, só que sei é jornalista. A narração alterna entre flashback e o tempo “atual” e vai adensando até ficar “grande” e confusa, carregada de personagens (Mais uma história cheia de apêndices e árvores genealógicas) – o que pode ter resultado da tentativa de se escrever um épico detalhado. E vamos lá enfrentar mais um discípulo de Tolkien. Como disse, a bagaça fica enrolada e você fica com aquela cara de “Ei, essa porra não vai pra lugar nenhum?!”.

Agora, vamos aos elogios. Uma coisa da qual sinto falta em obras estrangeiras é a escrita. E isso vem da língua. O inglês é uma língua simples. Não adianta tentar fazer mágica, a obra traduzida – se o tradutor for competente – vai ficar parecido com o original. E que alegria ler uma obra original em português. Cara, dane-se se vocês pensam que o português é difícil. É uma língua bonita pra caralho e agradabilíssima de se ler. Morram, analfabetos.

Eduardo Spohr escreve bem. Muito bem. E tem potencial, só precisa fugir dessa temática típica da ficção estrangeira, essa coisa meio-tolkiana e se jogar no seu próprio estilo.

Meu veredito final é: Vou dar mais chances nos próximos livros.

Título do Livro


A Batalha do Apocalipse
Ano de Edição: 2007
Autor: Rafael Spohr
Número de Páginas: 586
Editora: Verus

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...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Eduardo Spohr

    Oi, Aline. Muito obrigado pela crítica :)

    Com certeza, vc está coberta de razão. “A Batalha do Apocalipse” foi meu primeiro livro, nunca tinha escrito nada antes disso (pelo menos, nenhum romance). Tenho tentado melhorar aos poucos. Lancei uma segunda obra no mesmo universo, chamada “Filhos do Éden”. Espero que curta.

    Quanto ao Tolkien, gosto muito sim, mas está longe de ser minha principal referência. No gênero da fantasia mesmo ainda prefiro Robert E. Howard e Fritz Leiber, além de outros de generos distintos, como Stephen King e HP Lovecraft.

    Como eu sempre digo, esse comentários dos leitores são sempre muito bacanas e nos fazem melhorar. Novamente, muito obrigado por eles :-)

    Qualquer coisa estamos aí. Bjos!!

  • Olha, meu coração bem deu uma parada quando eu li “EDUARDO SPOHR” no painel do WordPress.
    Enfim, subiu ainda mais no meu conceito por ter lido e aceitado bem críticas. Parabéns, cara, você é show de bola e pode deixar, vou ler mais trabalhos seus.
    Abraço, volte sempre! :)

  • Loney

    Nego sempre afina a hora do vamovê

  • vai tomar no cu, loney

  • Eduardo Spohr

    Espero q curta “Filhos do Éden”, Aline. Mas se não gostar, não tem problema. Ao leitor é reservado o direito SAGRADO de dar sua opinião sobre qualquer obra. O bacana é isso, cada um com a sua opinião :-)

    Como eu disse, qualquer coisa estou por aqui. Críticas construtivas são SEMPRE bem-vindas. Bjos!

  • Loney

    Nem, valeu =)

  • Cabe aqui um comentário de quem já leu o segundo livro, dos “Filhos do Éden”, que o Eduardo melhorou bastante em alguns pontos. A história melhorou, ainda peca em alguns clichês básicos, mas a evolução é visível. Acho que ele provavelmente vai ser um dos nossos bons escritores nacionais no futuro, juntamente, é claro, com o Leonel Caldela que, apesar de trabalhos menos conhecidos (eu acho… trabalhar em um podcast famoso faz a diferença) é absurdamente bom.

    Enfim, torcendo pra não ser queimado como eu fui recentemente por um “fã” do Eduardo, que resolveu fazer a minha caveira (coisa de pré-adolescente), deixo aqui a minha opinião de que esse guri vai longe.

    E só pra arrematar, essa questão do diálogo com os leitores, por parte do Eduardo é sensacional. A minha namorada mandou um e-mail pra ele comentando o livro e ele respondeu. Sim, respondeu. Uma completa desconhecida. Nunca tinha visto coisa dessas. Hahahha.

  • Juan Jullian

    Reply do amigo que emprestou o livro que ficou correndo atrás do spohr pra conseguir autografo na bienal !!! o/, eu realmente adorei a batalha do apocalipse, principalmente as partes dos flashbacks, concordo que tenham umas partes um tanto quanto modorrentas, mas nada que tenha atrapalhado a leitura ou que me desse vontade de largar o livro, pelo contrário, só me faziam querer avançar mais e mais pra chegar logo ao desfecho, que me levou a quase que idolatrar esse gênio da fantasia brasileira, e sim, ABDA é épico ! Já em ”Herdeiros de Atlântida”,senti falta de personagens cativantes e complexos como Shamira, não sei se foi a expectativa, mas eu não tive a mesma vontade desesperada de prosseguir pelos próximos capítulos, como havia ocorrido em ”ABDA”, pelo contrário vinha carregado de um gostinho de ”ja vi isso” e ”já sei o que vai acontecer” que me levaram a prolongar a leitura do livro por semanas e semanas, só não tendo largado pelo fato de ser um grande fã do autor, espero, de todo o coração que ”Anjos da Morte” me cative da maneira que ”Herdeiros” não fez, até por que não vai ter o personagem mais chato do universo spohriano ever, Daniel, e vou poder contar com uma Rachel mais badass, sem todo aquele lenga lenga de quem sou eu.

  • oi aline!!
    Bem eu ñ saquei a tal piada hahaha

  • Aparentemente ninguém entendeu DDDDDDDD:

  • Loney

    eu entendi (mas que vida de merda, não?)

  • Alex Robert

    Você escreve bem e sabe como prender o leitor, mas quanto os religiosos? Encaram como heresia ou satira á devoção

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