E se você pudesse fazer o bem sem ver a quem?

Sit.Com quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Esses dias, estava procurando algo novo para assistir e enquanto vagava pela internet, me deparei com Touch. Me lembrei que quando estreou, a série foi muito elogiada, porém não havia me enchido os olhos. Enfim, após mais um ano de evolução, li novamente a sinopse da série e decidi assistir o primeiro episódio. E eis então que me deparo com uma das melhores séries do ano. Pelo menos pra mim. Ênfase em PRA MIM, porra.

Jack Bauer Kiefer Sutherland interpreta Martin, um ex-repórter e atual entregador de bagagens que perdeu sua mulher no atentado de 11 de setembro e agora precisa se virar cuidando de seu filho, aparentemente autista, Jacob. O moleque não fala e não gosta de ser tocado por ninguém, porém, quando a chapa esquenta e o conselho tutelar resolve levar o moleque embora, Martin começa a entender que o guri se comunica através de números que ele escreve em cadernos ou onde der.

É o seguinte, Jacob é um dos poucos que consegue ver o padrão do universo, e por isso, sofre junto de toda a criação, por perceber que alguma coisa está fora do lugar. Sendo assim, para diminuir a dor do filho e para tentar se comunicar melhor com o guri, Martin começa a seguir os números que o moleque desenha, e nessa acaba ajudando muitas pessoas, sempre sem ganhar os créditos, pois é isso que eles fazem. Consertam o universo sem pedir fama. E não, eu não vou me estender falando de Gugu, Celso Portiolli, Luciano Huck e o resto dessa galerinha da TV que cagam pro mundo, mas são obrigados a fazer isso em seus programas, exatamente para serem idolatrados pelo povo.

Mas eu gostaria de saber: Você se sacrificaria para ajudar alguém, sem querer que outras pessoas ficassem sabendo de seu sacrifício? Eu acho que não. É da natureza humana se gabar, se mostrar, contar uma história heroica para impressionar os amiguinhos ou aquela gatinha que cê tá afim. Você não é assim? Você leu esse texto aqui? Então leia e faça algo de útil nessa vida.

Devo confessar que quando eu vi a abertura de Touch e descobri que a série era de Tim Kring, eu pensei seriamente em abandonar a série por ali, porém, graças ao Universo, eu fui teimoso e resolvi assistir, mesmo que receoso, ao primeiro episódio. E que primeiro episódio. Apenas direi que Heroes foi necessário para que Tim evoluísse e criasse essa ótima série. Touch conta apenas com 6 personagens fixos, mas cada episódio nos apresenta vários novos personagens através do mundo, que terão suas histórias interligadas no decorrer do episódio, na maioria das vezes sem nunca descobrirem que influenciaram e mudaram totalmente uma vida alheia. De qualquer jeito, é impossível não comparar Touch com Heroes, o que não chega a ser ruim, mas te faz ver como o sujeito se perdeu com a série anterior.

Eu não sei se é esse maldito espírito de confraternização de fim de ano, mas o 3° episódio da série é de mudar a vida de qualquer um. Nele, Martin encontra um ex-estagiário seu, que agora é um repórter renomado e que fica tirando uma com a cara dele. O sujeito é chato mesmo, do tipo que cê odeia só de olhar. O filho da puta, que antes servia o café de Martin, faz de tudo pra zoar o cara, inclusive o desafia a conseguir o furo de reportagem que estava investigando. Neste mesmo episódio, Martin conhece um outro sujeito que também consegue ver o padrão do universo. Ele se intitula o Príncipe Invisível e ele precisa ajudar as pessoas sem ser visto, ou tudo estará perdido. A partir dessa, Martin consegue o furo de reportagem, vai até o ex-estagiário e entrega a matéria para ele. O sujeito surta e pergunta porque Martin está dando o caso para ele, no que Martin responde genialmente, acabando com todo o rancor e prepotência que o sujeito tinha: “Pelo mesmo motivo que lhe escolhi para pegar o meu café. Sempre soube que você seria um grande repórter.” Toma trouxa. E a partir desse episódio, nós entendemos a verdadeira mensagem da série, fazer o bem sem ver a quem e só queremos ver mais e mais episódios. Mas, caso você seja uma maníaco conspiratório insensível, tem também uma organização secreta que quer explorar os “entendedores do Universo”, o que é muito legal. Ah, e tem também o Danny Glover, caso nada que tenha escrito tenha te convencido. Então, pois é…

Agora larga a mão de ser esse inútil egoísta que você é e para de olhar só um pouquinho para o próprio rabo e faz alguma coisa pra ajudar alguém. Não quer? Então seja apenas gentil e entenda que um pequeno ato de bondade pode ser o suficiente para mudar não apenas a sua vida, mas talvez a vida de outra pessoa que você nem saiba o nome. Paz e um feliz fim do mundo.

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