3 problemas da nova franquia de Jornada nas Estrelas

Cinema terça-feira, 28 de maio de 2013

Lá fora, no mundo, Jornada nas Estrelas – Além da Escuridão já estreou. Existem milhões de reviews, opiniões e todo tipo de divagação sobre o lançamento da segunda parte da nova franquia de filmes encabeçados por J. J. Abrams. O negócio é promissor e como não podia deixar de ser, mês passado falei sobre o assunto aqui. Particularmente, não tenho nada contra esses filmes – pelo contrário, até falei bem deles no texto passado, me diverti com o primeiro e estou ansioso pelo segundo. Mas é sempre bom ver as coisas por novos ângulos, meditar sobre elas, isso ajuda a perceber aspectos que a galera levada na onda dos modismos geralmente nem suspeita. E depois tudo tem um lado feio. Aliás, dá até pra continuar o papo e fazer uma pequena lista dos problemas. Vem comigo.

3 – A linha do tempo alternativa é uma faca de dois gumes

Pra mim, o maior efeito dos Romulanos zangados seguirem Spock até o passado é positivo. Nas minhas próprias palavras:

J. J. Abrams abriu, de maneira bem esperta, a porta para fazer o que quisesse com o universo de Jornada nas Estrelas, introduzindo uma alteração temporal. Logo, para todos os efeitos, tudo que acontece na nova série de filmes e tudo que decorrer dela está localizado em uma outra linha do tempo. É uma solução para o paradoxo do avô, por exemplo.

Sim, é uma beleza. Dá pra explorar novos rumos, pensar como seria se…, meio o que muita gente faz em fanfics e coisas do gênero. Aliás, os novos filmes de Star Trek não estão longe daí, é como se, de repente e por milagre, algum fã com grande imaginação ganhasse dinheiro, meios e autorização da Paramount Pictures pra repensar o universo de Jornada nas Estrelas. Tá, não é bem assim, já que Abrams já disse não ser fã da série, mas vocês entenderam. De qualquer jeito, é fácil ver o lado bom dessa exploração de novos caminhos. Mas é igualmente fácil ver o oposto. Afinal, uma característica marcante de fanfics é que tem muita merda – por que são feitas por pessoas, e pessoas fazem merda. Em nome de Odin, até sequências consagradas e canônicas são uma bosta, então por que não? Quando você, sentado na frente de um computador, seja em casa ou em Hollywood, coloca as mãos no teclado e usa personagens famosos pra fazer novas estórias, você está com a corda no pescoço. Uma corda bem grossa e com um carrasco esquizofrênico que perdeu os remédios na outra ponta caso você esteja em Hollywood e o projeto seja sério, não só um texto que vai parar em um blog do WordPress que ninguém vai ler.

Não, o diretor que criou Lost e adora mexer com viagens temporais não está decepcionando totalmente os fãs mais fervorosos de Jornada nas Estrelas (Como este que vos escreve). Mas ele ainda tem tempo pra isso, assim como os roteiristas e executivos (Que são quem decide a porra toda no final). Não é difícil: É só exagerar em um ponto qualquer, colocar ação demais ou não desenvolver direito o que deveria ter sido desenvolvido e pronto, a corda aperta e o tiro sai pela culatra – como em qualquer produção cinematográfica, aliás. Por exemplo, só recentemente me toquei de que…

2 – Esse universo novo é precoce

Idéias não vêm do nada. Nós, autores de sites com nome de comida, geralmente precisamos de um empurrãozinho pra escrever textos. Desde ouvir uma música inspiradora, cagar (Sim, o trono é um local de meditação) até bater a cabeça na parece ou usar drogas psicotrópicas (Não ao mesmo tempo, eu acho). O texto de hoje veio de um site que eu costumo ler, o Cracked. É um site especializado em listas, o templo mundial de quem quer escrevê-las. E lá, no último ponto deste artigo, me veio a revelação de que tudo que acontece no novo universo de Star Trek é mais precoce que adolescente na primeira foda.

Vejam só: A vinda dos Romulanos zangados do futuro (Sim, é a definição deles agora) mudou tudo, como vocês estão cansados de saber. Mudou a vida dos personagens principais, dos secundários e de tudo mais que acontece na realidade fictícia dos filmes – é a própria premissa de tudo, pra começar. E isso teria acontecido em qualquer dia que eles chegassem, como rezam as teorias temporais. Mas eles acidentalmente vieram em um dia bastante icônico: O nascimento de James T. Kirk. No cânone da série, esse período era de relativa paz e exploração do universo, um tempo calmo da história da Terra. A maior dificuldade da Frota Estelar era, talvez, o Império Klingon. Kirk, Spock e todos os demais tiveram chance de seguir suas vidas até se encontrarem naturalmente para explorar o espaço na mítica missão de cinco anos de uma das naves estelares mais avançadas da época, a USS Enterprise. Mas, na linha temporal alternativa, tudo entrou em alerta vermelho, e a urgência de um inimigo mais avançado e insano, que explodiu o planeta Vulcano, matou bilhões, destruiu um monte de naves e jogou tudo pro ar.

 Antes do apocalipse, a juventude vulcana era muito parecida com a terrestre.

Com isso, a Enterprise não passa praticamente uma década sendo comandada por Christopher Pike, sua missão de cinco anos de exploração, sob o comando de Kirk provavelmente não vai acontecer e, se acontecer, não vai descobrir o que descobriu, nem ser como foi. O agrupamento das personagens foi precoce, assim como o lançamento da Enterprise, que foi direto pra uma missão difícil. Os acontecimentos, aliás, levaram Kirk a comandar a Enterprise quinze anos antes do tempo. E isso, caros leitores, é péssimo. Nos leva à uma simples e sucinta conclusão:

1 – James T. Kirk ainda não serve pra ser capitão

No reboot de 2009, Kirk é um caipira brigão nascido em Iowa, que acaba de se alistar na organização de exploração espacial mais poderosa do universo conhecido. Em outras palavras, ele é moleque. É uma besta mitológica com cabelo pixaim que ainda não amadureceu. E é essa besta, com uma recém-adquirida camada de heroísmo, que recebe o comando da Enterprise e no momento da promoção tem só três anos de treinamento. Na série clássica, Kirk demorou 14 anos pra galgar posições até se tornar o capitão mais jovem da história da Frota, aos 31 anos de idade. Foi o tempo que ele demorou pra amadurecer, se tornar um diplomata e a aprender a lidar com as várias raças alienígenas existentes, ao invés de querer resolver tudo na base do murro. Na universo normal, ele é um mito, o maior capitão da história. Mas o Kirk jovem do reboot ainda não está pronto pra comandar, por mais herói que ele tenha sido contra os Romulanos malvados do futuro. E, imaginando um mundo onde ele tenha que explorar o espaço durante cinco anos, encarando todo tipo de bizarrices e perigos, ele não vai durar muito se ainda nem sabe limpar a bunda direito.

Vida longa e próspera.

Nota do editor: Se o nosso amigo Júlio já tivesse visto o novo filme, como eu vi, ia ter que reescrever [E repensar] metade dessas baboseiras. E sim, eu tou me gabando. De já ter visto o Jornada nas Estrelas – Além da Escuridão. Duas vezes.

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