Vocaloids e a música feita pelo computador

Música quinta-feira, 05 de abril de 2012

Os efeitos de computador, que antes serviam só pra acompanhamento, viraram a base do instrumental da música um tempo atrás, e só isso já é um pecado. Mesmo assim, alguns artistas competentes bateram o pé e conseguiram mostrar que ainda dá pra se fazer música de qualidade com pouco ou nada acústico no meio.

Mas aí um dia, algum japonês desocupado e fatigado após seis horas de hentai envolvendo tentáculos resolveu que ia ser legal se, além do instrumental, o vocal também saísse de um computador! Daí foi só catar cantores fracassados aleatórios, gravar uns samples e ta-dá!, surgiram os Vocaloids.

E já surgiram de videogames – de dança e estilo Guitar Hero – a videoclipes e álbuns oficiais (Lançados no Itunes, inclusive), e, nesse último quesito, nenhum esteve mais de uma semana abaixo do TOP100 do Japão. Além, é claro, de personagens para outras línguas, como inglês e mandarim.

Se ainda não deu pra perceber, foi um sucesso estrondoso.

A premissa é bem simples e, o software, fácil de usar. Também não precisa saber muito de música, já que há bases pré-programadas e um milhar de tutoriais internet afora. Basicamente, é só apertar o teclado na lateral da tela, digitar cada sílaba em cada nota e pronto, tá feita a música. Depois, é só formar um instrumental seguindo o mesmo esquema. Ah, sim, você pode escolhr entre diversos vocaloids, tanto americanos quanto japoneses, cada um com um timbre e um alcance vocal parecido pra caralho.

 A cara da criança.

Se quiser incrementar, pode jogar mil efeitos, como o vibrato.

Com isso, qualquer um pode ajudar a montar um álbum. É claro que, às vezes, nego extrapola e monta músicas horríveis, só pelo prazer de ver uma japonesinha, mulheres de vozes naturalmente não-agudas, claro, cantando notas impossíveis. Mas, idiotas à parte, o programa é levado tão a sério que, se você digitar Vocaloids live no Youtube, o máximo que vai achar são vídeos fã-made, de montagens ou traduções. Pra se achar as apresentações ao vivo, é preciso procurar o nome do “cantor” ou da canção em questão e só aí o vídeo esperado surgirá.

Esses shows são compostos de uma banda de carne e osso e uma tela gigante, que cobre o palco inteiro, onde o personagem aparece. É algo digno de se admirar. Os japoneses são tão esforçados que os personagens são bem reais. Cada um tem sua personalidade, seja mais carismática, mais extrovertida ou mais tímida, e a animação respeita cada aspecto. Os duetos também são uma graça: A qualidade da imagem é tão boa que dá realmente pra se acreditar que os Vocaloids tão ali de verdade, gente saída diretamente de um anime pra vida real, tamanha a profundidade e o cuidado na hora de montar o “clipe”.

A set list de cada show é composta das músicas mais populares no momento. Algumas pessoas se esforçam de verdade pra criar músicas de qualidade. Digo, por mais que exista isso:

Existe também isso:

Ou seja, não se deixe desanimar pelas músicas irritantes, algumas são feitas com carinho pra serem de qualidade. É óbvio que o produto precisa ser aperfeiçoado, e algumas imperfeições na fala, como inflexão em alguns momentos ou palavras simplesmente “cuspidas”, são percebidas até por aqueles que não falam japonês.

Mas o importante é: Estamos numa época onde a única coisa que impede alguém de fazer algo é a falta de força de vontade. Tem uma banda legal que quer apresentar pro mundo? Grave vídeos. Tem talento pra compôr mas ninguém te quer? Baixe um programinha desses e tenta ficar famoso.

Algumas das vozes são bem ruins, enjoáveis. A Hatsune Miku provoca uma média de seis sangramentos auriculares por dia na Ásia, mas ainda assim existe muita composição boa que, se fosse interpretada por alguém de carne e osso, daria uma puta música.

Muita gente reclama que a tecnologia vai “matar” os cantores de verdade, e essas pessoas não poderiam estar falando merda maior. O objetivo principal é trazer bons compositores à tona, ou simplesmente servir de ferramente pra músicos independentes, com poucos recursos, já que cada programa traz samples de instrumentos também.

Se até a Björk (Aquela do contra sem vergonha) anda compondo com auxílio de iPads – segundo ela, tablets facilitam a vida do vocalista que não domina nenhum instrumento – quem são vocês pra reclamar?

Baixem algum Vocaloid americano (Recomendo a Clarisse) e percam horas se divertindo. É a mesma sensação de construir casas no The Sims: Você pode se divertir e achar utilidade no jogo sendo arquiteto ou não.

E isso vale ainda mais pra música.

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