Trainspotting – Sem Limites (Trainspotting)

Bogart é TANGA! terça-feira, 28 de junho de 2011

Após o drama todo da semana passada, causado pelo Clube da Luta, resolvi escrever sobre um outro filme mindfucka do caralho, que também é sujo, pesado e violento (Para os miólos), mas que incrivelmente me passa uma mensagem otimista, diferentemente do filme de David Fincher.

Assim como Fincher, Danny Boyle surgia como expoente no mundo cinematográfico dos anos 90 após ter relativo sucesso em Cova Rasa (Shallow Grave, que o fdp do Minduim fez o “favor” de resenhar antes de mim), e isso lhe deu créditos para realizar o que é considerada sua obra-prima. Mas Trainspotting é tão controverso quanto o próprio diretor, ou você acha que grande parte dos espectadores se sentem confortáveis vendo um jovem rebelde se entupindo de heroína ao longo de uma hora e meia?

Mark Renton (Obi Wan Kenobi Ewan McGregor) é um jovem oriundo de uma fámilia operária da Escócia, completamente rebelde com a sociedade consumista e o padrão de vida das pessoas normais. Após uma das citações mais famosas e aclamadas da história do cinema, ele nos conta que ele poderia ter escolhido essa vida, mas pra quê isso se ele já tem a heroína? Pelas palavras do próprio protagonista, o melhor orgasmo que você já teve (Claro que vocês não sabem o que isso, já que são virgens) multiplicado por mil não chegaria nem aos pés da sensação causada pela droga.

Certo dia, Renton decide parar com a droga, e levar uma vida normal financiada pelos programas sociais do governo. Em uma balada, para tentar aliviar um pouco a tensão da abstinência de heroína, ele sai com os amigos e conhece Diana, uma jovem de 14 que é tão louca quanto o rapaz. Como Mark mesmo diz, agora ele tem algo novo em sua vida, o amor.

 “Pô, agora que tô com a garotinha, tá de boa. O que? 14 anos? WTF?”

Nesse texto específico, eu não pretendo ficar me prendendo aos detalhes do roteiro. Acho mais interessante abrir o debate sobre as questões polêmicas que o filme levanta. Como em o Clube da Luta, tudo dito por mim não passa da minha concepção da obra.

Muita gente gosta de polemizar sobre Trainspotting dizendo que faz apologia às drogas e blá, blá, blá. Ao meu ver, Danny Boyle apenas às usa como forma de desenvolver a parte psicológica da trama. Tipo, em nenhum momento o filme incentiva o uso de drogas. Muito pelo contrário, até. A “onda” que é mostrada é amedrontante, jogando na cara do personagem todos os medos e receios dele. Mas também não é um filme contra às drogas. Como eu já disse, o diretor apenas mostra de forma fria e suja o cotidiano de um grupo de viciados. Agora, é claro que existem muitas cenas pesadas, como a da merda no café da manhã, o mergulho na privada e nudez explicita.

 Isso que eu chamo de enfiar a cara na bosta

Além do disso, é massa demais o jeito como o Renton xinga o próprio país, é legal demais o sotaque inglês carregado, a trilha sonora regada a Iggy Pop, as várias referências aos Beatles e ao James Bond. É divertido, as piadas de humor negro. Mas ao mesmo tempo, é chocante ver o cara jogado ao chão sob o efeito da heroína, a morte do bebê, a raiva e intimidação do Begbie (Robert Carlyle) e que nem sempre seus amigos são seus amigos. O filme te mostra que tudo tem dois lados.

Apesar de todas as burrices e recaídas, ainda temos uma certa empatia por Renton, porque ele não passa de um rapaz normal com a cabeça um pouco fora da “realidade”. Poderia ser qualquer um de nós. A gente vê o tempo todo que o cara realmente quer sair daquela vida. E é daí que vem o otimismo que eu disse no primeiro parágrafo. Independente da situação, você tem escolha.

 A escolha vai ser sempre sua.

“Escolha viver. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha uma televisão enorme. Escolha lavadoras de roupa, carros, CD players e abridores de latas elétricos. Escolha boa saúde, colesterol baixo e plano dentário. Escolha uma hipoteca a juros fixos. Escolha sua primeira casa. Escolha seus amigos. Escolha roupas esporte e malas combinando. Escolha um terno numa variedade de tecidos. Escolha fazer consertos em casa e pensar na vida domingo de manhã. Escolha sentar-se no sofá e ficar vendo game shows chatos na TV enfiando porcaria na sua boca. Escolha apodrecer no final, beber num lar que envergonha os filhos egoístas que pôs no mundo para substituí-lo. Escolha o seu futuro. Escolha viver.“

Trainspotting – Sem Limites

Trainspotting (94 minutos – Drama)
Lançamento: Reino Unido, 1996
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Irvine Welsh (romance), John Hodge (roteiro)
Elenco: Ewan McGregor, Robert Carlyle, Jonny Lee Miller, Ewen Bremner, Kelly Macdonald,

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  • Gabriel

    se você olhar friamente e bem, mas beeeemm de cima, trainspotting e fight club são a mesma coisa. ambos falam da revolta ontra o sistema (um na forma de fuga, no uso de drogas; o outro na luta contra ele e no usa da selvageria interna de cada um para fuga dos problemas), mas no final, ambos aceitam esse sistema, não pelo fato de serem bons (não é), mas por que agora sabem lidar com ele depois de toda a experiência vivida.

    Ademais, tem que ser muito retardado pra achar que o filme incentiva o uso da droga, nada foi mais aterrorizante que o drama de protagonista durante abstinência no quarto, e a mudança daquele carinha que gosta de futebol depois que começou a consumir a heroína. Daria um soco na boca de um retardado que me dissesse isso.

  • yuri

    É justamente isso, mas nem é questão de saber lidar com o sistema, o que eu acho que não acontece. É se adequar a ele devido à falta de esperança e/ou a descoberta de um novo sentido para a vida.

    Em tempo… completamente oportuno (e igualmente irônico) o momento que resolvi escrever sobre esse filme

  • nooneknowsmyname

    filme espetacular. eu via antes esse monologo de introdução como a visão de um viciado revoltado, mas agora eu vejo que é um homem que quer voltar atras e aconselha a quem vê para ir por outro caminho. muito bom.

  • Esse filme é PHoda!

  • Gabriel

    Só um adendo, o certo não seria “Escolha vida”?

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