Oscar Grand Slam – Os 5 Grandes Prêmios da Academia

Clássico é Clássico segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Que o Oscar é a pior maior premiação do cinema mundial todos nós sabemos. Mas o que passa batido para a maioria das pessoas é que existem muito mais categorias do que: Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro (Adaptado e Original). Porém, vai ser exatamente sobre essas cinco (seis) que eu vou falar hoje, o chamado “Grand Slam do Oscar“, ou seja, os mais cobiçados prêmios da academia. Se tratando de uma premiação extremamente política (como já foi discutido aqui) e sustentada pela grande indústria cinematográfica, as batalhas de estúdios e egos acabam dificultando ainda mais o “monopólio” dessas estatuetas. Eu sei que essa última frase parece absurda quando tomamos como exemplo os recentes Quem quer ser um Milionário e Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei, que levaram reespectivamente 8 e 11 “carecas dourados” de uma vez, entre eles os de melhor filme, diretor e roteiro. Porém sequer foram indicados às categorias de melhor ator e atriz. E isso tem uma explicação.

Se é impossível (por motivos óbvios) um filme levar os prêmios de melhor roteiro adaptado e original, eu poderia ousar e dizer que quase a mesma carga de impossibilidade existe na possibilidade de se levar o prêmio de melhor diretor e não o de melhor filme, o que só ocorreu 21 vezes em 81 anos de premiação. O mesmo pode se falar da premiação de roteiro, com o agravante dela ainda se dividir em duas: original e adaptado. Mas as chances de levar o Grand Slam, ficam complicadas quando consideramos as categorias de atuação – um filme precisa ser muito “consistente” para suportar dois grandes atores, uma boa direção e um roteiro que não pareça forçado, sem que o trabalho de um ofusque o do outro. Alguns dos casos que evidenciam as dificuldades em conseguir o Grand Slam são:
Um filme “construido” para ganhar o Oscar de Melhor Ator
Garantido pelo próprio caráter político da academia, não é raro os estúdios “guardarem” um roteiro feito com objetivo de garantir a indicação de melhor ator/atriz. Geralmente se tratam de filmes com personagens fortes, e que deixam em segundo plano os outros aspectos da obra como diretor e roteiro (que acaba sendo apenas uma “escada” que possibilite uma atuação sensacional). O ano de 2007 foi didático quanto a isso, trazendo dois filmes que cumpriram seus objetivos e levaram apenas o Oscar (merecido) para seus “reis”:

 Forest Whitaker em O Último Rei da Escócia
 Helen Mirren em A Rainha

Um bom filme com atores fracos
Se no caso anterior tinhamos um filme no qual a atuação era o ponto alto, o que dizer do caso contrário? Um filme que leve os Oscars de melhor filme, diretor e roteiro, mas que não seja nem indicado nas categorias de atuação? Não precisamos nem voltar muito no tempo para observar esse caso.

 A Atuação de Dev Pattel não figurou entre as 10 indicações de Quem quer ser um milionário?

Isso para não entrar no mérito de precisar de pelo menos um casal de protagonistas – como não acontece em grandes nomes como Forrest Gump, ou quando a academia resolve fazer merda para variar. Exatamente por todas essas dificuldades, em mais de oitenta anos de premiação, apenas três filmes conseguiram essa proeza de levar o “grande slam” (e que por coincidência “só” levaram essas). São eles:

Aconteceu naquela Noite

(It Happened One Night, Frank Capra, 1934)
Frank Capra teve uma história curiosa. Italiano, nasceu em 1897, pobre, e sujeito a uma série de dificuldades ocasionadas pela migração de sua família para Los Angeles. Lá aprendeu a ler e fez curso técnico, para posteriormente se forma em engenharia química em 1918 (aos 21 anos). Apesar de ter se naturalizado, devido as consequências da guerra não conseguiu emprego, mas em 1922 dirigiu seu primeiro filme no estúdio cinematográfico que acabara de surgir, para alguns anos depois voltar para a fila do desemprego. Até que no começo da década de 30, uma tal de Columbia Pictures começou a dar seus primeiros passos e o colocou em sua lista de diretores. Em 1934 ao filmar Aconteceu naquela Noite, recebeu uma “boa” notícia – por motivos internos, Clark Gable da MGM e Claudette Colbert da Paramount acabaram caindo de paraquedas em seu filme. O resultado dessa divertidíssima comédia romântica foi o Grand Slam.

Melhor Diretor: Frank Capra
Melhor Ator: Clark Gable
Melhor Atriz: Claudette Colbert
Melhor Roteiro Adaptado: Robert Riskin

Um Estranho no Ninho

(One Flew Over the Cuckoo’s Nest, Miloš Forman, 1975)
Não seria absurdo supor que Jack Nicholson foi o grande responsável pelo sucesso dessa obra. Em alta pelo arrebatador Chinatown, feito no ano anterior, o ator aproveitou sua habilidade de se fazer de louco para produzir um dos maiores clássicos do cinema (celebrado pelo seu espetacular desfecho). Dessa forma possibilitou o trabalho competente de Miloš Forman (que uma década depois faria o colossal Amadeus) e o da desconhecida Louise Fletcher (muito bem no papel de antagonista). Vale dizer que Danny DeVito e Cristopher Loyd estavam entre os loucos do hospital em que o personagem de Nicholson se passou por doente.

Melhor Diretor: Miloš Forman
Melhor Ator: Jack Nicholson
Melhor Atriz: Louise Fletcher
Melhor Roteiro Adaptado: Bo Goldman

O Silêncio dos Inocentes

(The Silence of the Lambs, Jonathan Demme, 1991)
Eis que em 1991, um dos gêneros menos celebrados pela indústria cinematográfica leva o Grand Slam. Com uma atuação descomunal de Anthony Hopkins, que acertadamente só aparece durante 17 minutos (sendo o ator com menos tempo de tela a levar o Oscar), de forma a não ofuscar totalmente a ótima atuação de Foster, garantindo o Oscar aos dois. E isso evidencia o bom trabalho de direção – lidando com um roteiro forte e um elenco inspirado, Jonathan Demme consegue equilibrar esses aspectos de modo que nenhum ofusque o outro – apesar da qualidade de todos.

Melhor Diretor: Jonathan Demme
Melhor Ator: Anthony Hopkins
Melhor Atriz: Jodie Foster
Melhor Roteiro Adaptado: Ted Tally

Será que até o centenário do Oscar teremos mais algum Grand Slam? Infelizmente a falta de esforço de Hollywood indica que não.

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  • EsKiiloo

    Antes de mais nada…
    até hoje eu achei uma puta sacanagem o SLumdog ter ganho tanto premio.

    É um PUTA dum filme..mas o Benajamin Button é muito mais emocionante.

    Agora sobre o Grand Slam…
    Antes de ver o trailer do Avatar..eu diria de pé junto que o Nine seria um grande candito (infelizmente)

  • EsKiiloo

    Sorry pelos erros de escrita.. foi a pressa :D

  • Jade Zamarchi

    Infelizmente a arte foi tirar um cochilo e Hollywood dá claro sinais de que pouco importa produzir clássicos (filmes memoráveis de verdade). A intenção hoje está em vender, tornou-se mera corrida pelos recordes de bibleteria.
    Mas, penso eu.. que o Oscar trabalha hoje em função negativa. Num mundo utópico a premiação teria como função motivar roteiristas, diretores, produtores.. uma espécie de reconhecimento de um bom trabalho. Porém li num outro post que Woody Allen mesmo ‘broxou’ com o Oscar.. não há mais graça em fazer filmes para concorrer ao Oscar (se é que um dia teve).
    O que eu torço (e acredito que todos nós) é que os grandes artistas (que estão trabalhando ou ainda não se mostraram ao mundo) façam novos filmes surpreendentes e despretenciosos. A 7ª Arte agradece!

  • Jade Zamarchi

    Bilheteria* hahahaha

  • Alessandra

    Acho díficil mais um Grand Slam até o centenário do careca.Do jeito que anda a “inspiração” holywoodiana continuaresmo tendo filme estrangeiro ganhado melhor filme….e mais Slumdogs da vida.

  • yuri

    Nunca um filme ganhou + que ator, atriz, direção, roteiro e Filme?

  • Realmente, os filmes que ganham o Grand Slam são poucos, mas compensam cada miligrama dourada do Oscar.

    Porém, com toda essa fúria desembestada em busca de lucro e sucessos de bilheteria, fica dificil haver algum filme que consiga equilibrar os requisitos basicos para se obter as cinco categorias mais cobiçadas.

  • muito bom texto, mas discordo da maioria dos comentários. na verdade, esses clássicos foram bons filmes e se tornaram clássicos porque foram feitos pra ganhar dinheiro. e naquela época, pra ganhar dinheiro tinha que ser um filme bom MESMO. o problema hoje em dia é que os filmes que chegam ao oscar foram feitos com outro intuito: ganhar o prêmio e assim prestigio na locadora (e finalmente: dinheiro). por isso eles são lançados beirando a temporada das premiações (bafta, globo de ouro, associação e finalmente o careca dourado). os bons filmes de hoje em dia são lançados primeiro e perdem força por conta de vários fatores, principalmente o lobby antes da premiação vide a origem, 127 horas, cisne negro e a rede social. (desses, só scott pilgrim dentro os melhores do ano da minha lista, foi ignorado)

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