Frost/Nixon

Cinema segunda-feira, 09 de março de 2009

Por três anos, depois de renunciar ao cargo de presidente dos Estados Unidos, Nixon permaneceu em silêncio. Mas, no verão de 1977, o rígido e perspicaz comandante-chefe deposto aceitou participar de uma entrevista intensa para confrontar as perguntas sobre seu tempo na Casa Branca e o escândalo do Watergate que o levou à renúncia.

Nixon surpreendeu a todos ao selecionar Frost como o apresentador a quem iria confessar tudo com exclusividade. Da mesma forma, a equipe de Frost duvidava da habilidade de seu chefe para se segurar. Quando a câmera foi ligada, uma batalha entre os dois começou.

Durante a entrevista, cada homem revelou suas inseguranças, egos e uma reserva de dignidade que, no fim das contas, pôs de lado a postura formal em uma exibição impressionante da verdade simples e pura.

Filmes sobre políticos tendem a ser arrastados e extremamente chatos. O que dizer então sobre um filme sobre uma entrevista real e com roteiro baseado em uma peça de teatro. Tudo para ser um dos melhores soníferos do ano, certo ? Errado. Frost/Nixon é um dos melhores filmes do ano, e na minha opinião o melhor entre aqueles que concorreram a principal categoria do Oscar.

Primeiramente por se tratar de um filme que varia entre o leve e divertido, e o dramático e épico. Sim, épico. Presenciamos uma verdadeira batalha de titãs entre o famoso apresentador de “talk shows” David Frost (Michael Sheen) até então acostumado apenas com entrevistas de celebridades, e totalmente sem nenhum sentimento pela política, e Richard Nixon (Frank Langella), o presidente por trás do escandâlo do Watergate, que renunciou e nunca teve um julgamento – nem mesmo confessou sua participação.

 Deviam fazer uma entrevista com o cabelereiro do Frost

Frost, que por impulso resolveu propor a entrevista a Nixon, (para manter sua imagem de nunca derrotado) foi até o fundo do poço, não conseguindo contrato com emissoras nem patrocínio, precisando arcar tudo de seu próprio bolso. Nixon, além do grande pagamento pela entrevista, tinha interesse em recuperar sua imagem, se aproveitando da inexperiência com políticos de Frost, para se promover. Nada interessava para o povo americano a não ser a confissão do ex-presidente, e a tarefa seria designada logo para aquele homem que só sabia de televisão. Uma verdadeira disputa entre Davi e Golias.

Mostrando um pouco do processo trabalhoso que é conseguir vender uma entrevista, e até mesmo realiza-la, acompanhamos na primeira metade do filme a trajetória de Frost para conseguir realizar aquilo que se propora. Dessa forma o diretor Ron Howard (Uma mente brilhante) arma o terreno para a disputa que viria a seguir. E com reviravoltas dramáticas, dialógos ásperos e conversas sobre cheeseburguers, que o filme nos apresenta as semanas em que as 30 horas de entrevista foram gravadas.

Recomendo assistirem o trailer, AQUI, que serve quase como um resumo do longa – então estejam avisados se não quiserem estragar nenhuma surpresa. E depois de assistirem procurem vídeos da entrevista verdadeira no You Tube.

 Os verdadeiros protagonistas

Frost/Nixon

Frost/Nixon (122 minutos – Drama Histórico)
Lançamento: 2008
Direção: Ron Howard
Roteiro: Peter Morgan
Elenco: Frank Langella, Micahel Sheen, Kevin Bacon

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