Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds)

Cinema quinta-feira, 08 de outubro de 2009

 Nos primeiros anos da ocupação alemã na França, Shosanna Dreyfus testemunha a execução da sua família pelas mãos do coronel nazista Hans Landa. Shosanna consegue escapar e foge para Paris, onde muda de nome e assume a identidade de uma dona de um pequeno cinema. Em outro lugar da Europa, o tenente Aldo Raine organiza um grupo de soldados judeus americanos para colocar em prática uma vingança. Posteriormente conhecido pelos alemães como os “Os Bastardos”, o grupo de Raine junta-se à atriz alemã e agente secreta Bridget Von Hammersmark em uma missão para eliminar os líderes do Terceiro Reich. E o destino junta todos no mesmo cinema, onde Shosanna tramou um plano de vingança próprio.

Antes de mais nada, devo dizer que gosto de filmes de guerra e filmes pipoca, então é capaz dessa resenha soar levemente fanboy, mas eu quero é que se foda.

Dito isso, Bastardos Inglórios é um filme longo, que em alguns momentos parece até estar se arrastando, mas compensa mesmo assim, já que ele faz isso com o intuito de encaixar tudo no final. Afinal, são praticamente duas tramas que correm paralelas: Uma, a que atrai o pessoal do “Sangue, morte e vingança” aos cinemas, que é a trupe de Aldo Raine [Brad Pitt impagavemente engraçado com o queixo proeminente pra frente, um sotaque muito bizarro e um bigodinho de piaçava], o comandante do grupo americano de judeus conhecidos como “Os Bastardos”, e a da jovem Shosanna, uma gostosinha judia que vê sua família ser estraçalhada por Hans Landa, “o Caçador de Judeus”.

 Mas sobrevive. Por que o coronel deixou. E porque, se tivesse morrido, não tinha história paralela.

Pra quem tá querendo um daqueles filmes de guerra, cheios de cenas de tiro e tudo mais, sinto informar, mas quase não tem cenas de guerra “de verdade”. O filme é muito mais de bastidores. Os Bastardos agem com táticas de guerrilha, além de sabotagem, espionagem e outras palavras terminadas em “agem”. As cenas do alto comando nazista são… de alto comando. Cê já viu comandante entrar em batalha? E, por fim, Shosanna em seu plano de vingança, que não envolve uma metralhadora giratória.

 E eu jurava que esse maluco da esquerda era o mesmo ator que fez o Spock. Tenho que parar com as dorgas.

Mas, como não poderia deixar de ser, é um filme do Tarantino. Então temos mexicanas [Quando duas ou mais pessoas apontam armas umas pras outras], temos sangue em profusão, temos um roteiro com bilhões de referencias à trilhões de filmes, e é claro que temos um final surpreendente. Sem contar o desapego do boneco de Olinda às suas personagens.

 E as piadas, sensacionais!

Enfim, se você quer se divertir sem pensar muito, esse é o filme. Só não vá achando que ele tá cheio de cenas de ação do tipo Rambo, que não tem. Mas quem precisa delas, quando se tem coisa muito melhor?

Bastardos Inglórios

Inglourious Basterds (153 minutos – Guerra)
Lançamento: Alemanha, EUA, 2009
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Elenco: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth, Michael Fassbender, Diane Kruger, Daniel Brühl, Til Schweiger, Gedeon Burkhard, Jacky Ido

Leia mais em: , ,

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Obra-prima de Tarantino.

    Só isso basta.

  • Carai, preciso ver esse filme de qualquer jeito ainda essa semana.

    O que me diverte também são os nomes clichês que o Tarantino coloca, é muito foda.

  • Pedro

    Quase perfeito se não tivesse 3 grandes erros de roteiro no final: 1. A mocinha, que representa a vingança, comete o mesmo erro de toda mulher burra no cinema – se aproxima do bandido achando que ele está morto e acaba levando um tiro. 2. A mocinha, que representa a vingança, não morre com dignidade pela causa que ela sempre lutou. É enganada e morre sem a dignidade com que merecia ter morrido (queimada). 3. Brad Pitt, um homem simples, tosco e sem pena, resolve deixar o grande inimigo nazista viver (com uma marca para que se envergonhe pelo resto da vida)? Ah, conta outra! Se você tivesse seus amigos mortos e tivesse com o assassino deles em suas mãos deixaria ele viver? Tarantino perdeu a chance de dar um tom mais humano e real à sua fantasia holocáustica que não deu o suspiro de alívio no fianal. Não se trata de seguir o padrão de outros filmes de Hollywood, mas sim de escrever o que é o correto – o que a história pede para que termine como deveria terminar. Que pena. O roteiro é quase perfeito. Um belo filme com cenas de tensão psicológica como há muito não se vê no cinema. Tarantino só não sobe finalizar a história, mas é um belo trabalho mesmo assim.

  • Pizurk

    @Pedro
    Porra, sobre o um e dois: Pessoas são burras e fazem burrices. É a vida. Quem nunca fez cagada que atire a primeira pedra.

    Sobre o três: Porra, se ele fosse sem pena, porque deixaria todos os outros nazistas fugirem? Teria matado todos eles, no lugar de liberta-los com uma suástica [Que originalmente era um símbolo budista, ou algo assim] cravada na testa. E cê quer escolher o que é mais correto pra um filme do que o que o próprio roteirista/diretor criou? Caraio, prepotencia tá sobrando, hein?

  • Almirante de banheira

    Não sei porque, mas fiquei com a grande impressão que ele usou a mesma formula de qualquer outro filme dele, desde a trilha sonora, os capitulos, aquelas legendas(sei lá, aquelas setinhas com nome), os personagens tb são parecidos mas não me sinto apto a reclamar disto.
    Enfim, não fiquei com aquele gostinho de surpresa de quando assisti pulp fiction, que pensando agora tem vários elementos em kill bill.

    Bem, tirando o fato de não ter aquela surpresa de outrora, achei um filme mto bom.

busca

confira

quem?

baconfrito