Anjos e Demônios (Angels & Demons)

Cinema quinta-feira, 14 de Maio de 2009

 Às vésperas do conclave que vai eleger o novo Papa, Robert Langdon é chamado por Maximilian Kohler – – o diretor do CERN, um grande centro de pesquisas localizado na Suiça – – para analisar os símbolos marcados à fogo no peito de um físico assassinado. Langdon descobre que o símbolo pertence aos Illuminati, uma poderosa fraternidade que considerava estar extinta há 400 anos. Depois de roubar uma devastadora arma do CERN, os Illuminati ameaçam explodir a Cidade do Vaticano e matar os quatro cardeais mais cotados para ser o novo Papa. Com o propósito de avisar os cardeais, ele vai para Roma ao lado da bela e misteriosa cientista Vittoria Vetra, a filha do físico assassinado. Lá, os dois se vêem em meio de uma guerra secular entre ciência e religião e percorrem igrejas e catedrais da cidade em uma busca que pode levá-los até os Illuminati e à última chance de salvação da Igreja.

Como eu não li nenhum livro do Dan Brown, nem assisti O Código da Vinci, minha resenha vai ser do filme quanto filme, e não levando em consideração os aspectos quanto adaptação.

Vamos primeiro as críticas – o personagem Robert Langdon é extremamente raso e desinteressante. Extremamente superficial, parece mais um guia turístico que apenas dá sequência a trama, apontando o próximo passo e explicando os porquês. Tudo bem que não precisava ser uma espécie de Indiana Jones moderno, mas um pouco de carisma daria vitalidade ao filme. Não sei até quanto isso é falha do roteiro/preciosismo da adaptação, mas fica percepitível a frustração de Tom Hanks em tentar dar uma tridimensionalidade a um personagem que não é nem mesmo apresentado.

 Em alguns momentos parece que Tom Hanks perde o posto de protagonista para o próprio filme

E esse problema acaba sendo o grande problema do filme – não criamos vínculo com os protagonistas. Nem mesmo o carmelengo interpretado por Obi-Wan Kenobi Ewan McGregor, e que tem um papel importantíssimo no filme, que acaba por demonstrar um pouco mais de carisma, atinge a profundidade necessária. O vilão então nem se fala – assim como Robert Langdon, ele não é aprofundado em nenhum momento, com o agravante de ainda ter pouco tempo de tela. Os personagens mais interessante acaba sendo um total coadjuvante, o Inspetor Olivetti, intepretado pelo desconhecido Pierfrancisco Favino. Parece que estamos em um tour pelo Vaticano, justificado por uma trama mística. E nessa idéia de “teoria da conspiração” o filme acaba sendo interessante – os significados dados a esculturas, pinturas e seus realizadores, atrelados a história dos lendários Illuminatis acaba ficando bem legal e é sim o grande trunfo do filme.

 A fotografia é bem competente, diga-se de passagem.

Outro ponto que chega a irritar no filme é o abuso excessivo das coincidências. Sabe aquele filme que o mocinho sempre chega na hora certa (ou pelo menos o suficiente, para assistir o vilão fazendo seu ato maléfico)? Então é bem por aí. O FILME TODO.

Mas não vamos ser injustos – o filme é bem legal de assistir. Ver aquele bando de estátuas macabra, livros velhos e assassinatos temáticos, ligados por uma trama cheia de reviravoltas é um ótimo entretenimento. Mas só. O diretor Ron Howard (Frost/Nixon, Uma Mente Brilhante) e sua equipe, poderia ter transformardo o filme é uma obra prima – inclusive dando muito mais visibilidade as discussões entre ciência e igreja. No fim, ele apenas garante que sua pipoca vai ser bem aproveitada.

 Jigsaw mandou lembranças!

Anjos e Demônios

Angels & Demons (138 minutos – Drama/Mistério)
Lançamento: EUA, 2009
Direção: Ron Howard
Roteiro: David Koepp e Akiva Goldsman, baseados em um livro de Dan Brown
Elenco: Tom Hanks, Ewan McGregor, Ayelet Zurer, Stellan Skarsgård e Pierfrancesco Favino

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