À Deriva

Cinema quinta-feira, 30 de julho de 2009

 Em “À Deriva”, Felipa é uma menina passando da adolescência para a vida adulta, tendo que lidar ao mesmo tempo com questionamentos sobre sua vida emocional e sexual e a crise inesperada no casamento de seus pais.

Se você não é alienado, o que acho bem difícil, já deve ter escutado sobre esse filme. Afinal, não é sempre que uma obra brasileira é aclamada em Cannes. Dito isto, será que o filme corresponde às expectativas? Sim. Mas não espere um novo Cidade de Deus ou Tropa de Elite, muito menos um Cheiro do Ralo (do mesmo diretor, Heitor Dhalia) – mas um “drama calmo” ao nível dos melhores filmes franceses, não é a toa que é a nacionalidade do protagonista Matias (vivido pelo experiente Vincent Cassel). Porém não é preciso colocar os dois pés atrás, compará-lo a um filme francês não significa uma experiência entendiante… pelo menos não é o caso dessa película.

O filme nos conta a história de Felipa (a estreante Laura Neiva) uma garota de 14 anos que vai passar as férias, com seus pais e irmãos mais novos, em sua casa de praia. Ali acompanhamos o despertar da sexualidade dela e de outros adolescentes, seja de forma mais direta, ou em brincadeiras como “verdade ou consequência”. Suas confusões emocionais e seu afetuoso (nem sempre) relacionamento com seu pais (interpretados pela já citado Vincent Cassel e a atriz Debora Bloch) e irmãos. As coisas começam a complicar quando a garota descobre que seu pai tem uma amante, o que não afeta somente suas relações familiares, mas também com amigos e consigo mesmo.

 Uma relação construída em cima de segredos e mentiras, que não conseguem mais se sustentar.

Os desgaste da própria relação começa a ficar aparente, com brigas constantes, traições e problemas com bebida. Felipa assiste tudo àquilo em meio a sua confusão mental, tomando decisões desconexas e agindo de forma impulsiva e emocional: não sabe se gosta ou não de um garoto com que ficou, não sabe se conta para sua mãe a descoberta, não sabe como lidar com seu pai a quem tanto ama. Um cenário que poderia ficar entendiante, se não fosse pelo rumo natural das relações que começam a entrar em colapso e obrigar medidas desesperadas de seus protagonistas, chegando ao clímax quando Felipa descobre que esse segredo era o menor dos problemas, e dá de cara com uma realidade muito mais impactante.

 Será que o relacionamento de pai e filha vai aguentar as consequências dessa “descoberta”?

À Deriva é uma obra bem interessante, que foge daquelas mesmice que o cinema brasileiro estava estagnado até alguns anos atrás – embora lembre muito um filme francês. Mas isso não é ruim, a mistura de estilos cai muito bem na obra. Aliado a um trabalho competente de fotografia e outros quesitos técnicos, o filme abre espaço para grandes atuações de seu elenco. Destaques para o diretor e roteirista Heitor Dhalia e para a atriz estreante Laura Neiva, que mostrou maturidade ao conseguir levar o filme, sem tentar roubar as cenas. Resta esperar que o cinema brasileiro continue nesse movimento de ascendência e, dessa forma, volte a ganhar espaço lá fora e, principalmente, aqui dentro.

À Deriva

Á Deriva (97 minutos – Drama)
Lançamento: Brasil, 2009
Direção: Heitor Dhalia
Roteiro: Heitor Dhalia
Elenco: Camilla Belle, Debora Bloch, Vincent Cassel, Laura Neiva, Cauã Reymond e Gregório Duvivier

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Antes de comentar, tenha em mente que...

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  • O começo da sinopse me lembrou um outro filme que vi a pouco tempo, Rain (http://www.imdb.com/title/tt0287645/) de 2001.
    Era um filme sem ritmo, daqueles que você boceja de tanto esperar algo.

    Espero que esse seja bom, embora não seja algo que eu vá pagar pra ver no cinema.

    Hug.s!

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